Os custos da Copa e a mercantilização das cidades

Maracanã

O Observatório das Metrópoles disponibiliza o último levantamento realizado pelo projeto “Metropolização e Megaeventos” com os custos da Copa do Mundo no Brasil. O documento mostra que serão investidos cerca de R$ 25 bilhões, principalmente para obras de mobilidade urbana, estádios e aeroportos. No debate sobre a destinação desses investimentos está a governança empreendedorista neoliberal – tendo as metrópoles como laboratórios desse projeto – sustentada por uma coalizão de interesses econômicos, políticos e sociais.

O Observatório das Metrópoles apresentou, no período de 10 a 12 de dezembro no Rio de Janeiro, os principais resultados do projeto “Metropolização e Megaeventos: os impactos da Copa do Mundo e das Olimpíadas nas Metrópoles Brasileiras”. Reunindo pesquisadores de várias partes do país e mais convidados como Juca Kfouri, Ana Luiz Silva (Instituto Ethos), Raquel Rolnik e John Horne, o instituto buscou debater o legado efetivo que se tem construído com os megaeventos esportivos. A conclusão é que em oposição a um projeto de cidade mais igual e democrática, verifica-se um processo com pouca transparência, reduzida participação social e projetos voltados, em sua maioria, para o capital e o mercado.

O coordenador do projeto “Metropolização e Megaeventos”, Orlando Alves dos Santos Júnior, apresentou o documento “Impactos Econômicos dos Megaeventos: Investimentos Públicos, Participação Privada e incertezas”, cujo objetivo é avaliar os avaliar os impactos econômicos sobre as metrópoles sob o ponto de vista da integração social e da justiça social, buscando-se identificar os setores e os agentes que estão sendo beneficiados pelas intervenções, bem como os setores e agentes que sofrem efeitos negativos decorrentes das mesmas. “Os megaeventos – Copa do Mundo e Olimpíadas – expressam um projeto urbano de reestruturação das cidades-sedes. O discurso em torno desses megaeventos seria acionado buscando legitimar tal projeto. Ou seja, constrói-se uma nova governança empreendedorista neoliberal – tendo as metrópoles como laboratórios desse projeto – sustentada por uma coalizão de interesses econômicos, políticos e sociais”, afirma.

Acesse o documento “Impactos Econômicos dos Megaeventos: Investimentos Públicos, Participação Privada e incertezas”.

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