Revista Cadernos Metrópole n.46: o ativismo urbano contemporâneo e sua contraposição à ordem urbana neoliberal

A Cadernos Metrópole n.46 destaca o ativismo urbano contemporâneo em suas formas de resistência e de insurgência à mercantilização das cidades.

No contexto de aumento da complexidade da questão urbana e adoção do padrão neoliberal de acumulação, surge um novo quadro de mobilizações caracterizado pela diversidade de atores sociais e pela multiplicidade de temas e de formas de ação coletiva (repertórios) em torno da vida urbana, principalmente nas grandes cidades. Os repertórios vão da ação direta, caso das ocupações para moradia, aos coletivos culturais. Ganha destaque a formação de redes de ação, com padrões de organização horizontais, espontâneos, descentralizados e até efêmeros, prática facilitada pelas tecnologias de comunicação.

Essa multiplicidade do ativismo expressa tanto formas de resistência e de insurgência à mercantilização das cidades, como também a construção de identidades culturais diante da transformação espacial e simbólica dos espaços urbanos. Por isso, além das classes subalternas, cresce o ativismo urbano de outras classes e camadas sociais.

O conjunto de treze artigos contém valiosas contribuições teóricas e empíricas sobre uma ampla gama temática e de uso de repertórios diversos que representam processos de resistência e a construção de alternativas à mercantilização do espaço urbano na etapa neoliberal.

No primeiro artigo, Produção capitalista do espaço e meio ambiente: ativismo urbano-ambiental e gentrificação verde no Brasil, Pedro Henrique Campello Torres, Mariana Motta Vivian e Taísa de Oliveira Amendola Sanches discutem a apropriação pelo capital de áreas verdes de cidades. Os autores tratam da variação polissêmica do conceito de gentrificação vinculado a uma ampla e gradual mudança em direção às políticas econômicas e sociais.  [CLIQUE AQUI para ler]

O artigo Processos e materialização da agricultura urbana como ativismo na cidade de São Paulo, o caso da Horta das Corujas, de Gustavo Nagib, trata do processo de implementação da agricultura urbana na maior metrópole do País, a cidade de São Paulo. [CLIQUE AQUI para ler]

Em Entre o ativismo on e off-line: o Busão da Comunidade conquista o espaço urbano, os autores Ana Maria Pereira Caetano, Maria Luiza Almeida Cunha de Castro e Marco Antônio Penido Rezende analisam a apropriação das tecnologias da informação e comunicação pelas populações da periferia e seu papel na ação coletiva e como meio propulsor, via contatos instantâneos e em rede, de movimentos reivindicatórios. [CLIQUE AQUI para ler]

Em Los espacios de furia. Política y ciudad a través de las luchas urbanas por la vivienda en Santiago de Chile (1990-2016), Alex Paulsen Espinoza, Laura Rodríguez Negrete e Rodrigo Hidalgo Dattwyler abordam as lutas sociais em torno do direito à moradia na metrópole de Santiago do Chile. [CLIQUE AQUI para ler]

O artigo Na cidade em disputa, produção de cotidiano, território e conflito por ocupações de moradia, de Renato Abramowicz Santos, aborda o tema das ocupações de moradia, especificamente a ocupação Mauá localizada no centro de São Paulo. A dimensão do conflito é um elemento central no texto, e as ocupações constituem-se como lugar de resistência de agenciamentos, repertórios e eventos. [CLIQUE AQUI para ler]

Em Espoliação urbana e insurgência: conflitos e contradições sobre produção imobiliária e moradia a partir de ocupações recentes em São Paulo, Luciana Nicolau Ferrara, Talita Anzei Gonsales e Francisco de Assis Comarú trazem o conceito de espoliação urbana para demonstrar a precariedade urbana e da moradia numa multiplicidade de dimensões, contradições e conflitos relativos à propriedade privada imobiliária e às possibilidades de insurgência. [CLIQUE AQUI para ler]

No artigo Dez anos de ocupações organizadas em Belo Horizonte: radicalizando a luta pela moradia e articulando ativismos contra o urbanismo neoliberal, Marina Sanders Paolinelli e Thiago Canettieri fazem um balanço dos dez anos de lutas de movimentos sociais de Belo Horizonte, destacando as ocupações organizadas. [CLIQUE AQUI para ler]

Em Experiências de planos de bairro no Nordeste brasileiro: articulando planejamento insurgente e direito à cidade, Thaís de Miranda Rebouças, Maya Manzi e Laila Nazem Mourad analisam duas experiências de planejamento insurgente, em escala de bairro, no Brasil. [CLIQUE AQUI para ler]

No artigo A bicicleta como resistência: o paradigma rodoviarista e o papel do ativismo ciclista no município de São Paulo/SP, Lucas Bravo Rosin e Cristiane Kerches da Silva Leite analisam os conflitos e as disputas sobre a mobilidade urbana em São Paulo, com base no cicloativismo.  [CLIQUE AQUI para ler]

Em Movimiento de redención ecológica de la cuenca del Río Piracicaba: una experiencia de acción colectiva, Miguel Hernández discute os processos participativos que atuam em torno da gestão da água potável, saneamento e recursos naturais, utilizando o caso da Bacia Hidrográfica do rio Piracicaba. [CLIQUE AQUI para ler]

Em Tensões criativas e inovações táticas no movimento sindical urbano: os casos dos teleoperadores e dos rodoviários no Rio de Janeiro, Carlos Takashi Jardim da Silveira, Camila Souza Menezes e Natália Cindra Fonseca analisam as tensões – que podem ser consideradas insurgências – no seio de duas categorias e de dois sindicatos de trabalhadores no Rio de Janeiro. [CLIQUE AQUI para ler]

Em Gênero e direito à cidade a partir da luta dos movimentos de moradia, Diana Helene discute a atual inserção da questão feminista nos movimentos sociais, apontando para novas formas de engajamento, debate e atuação militante. [CLIQUE AQUI para ler]

Em Morar na rua: realidade urbana e problema público no Brasil, Cristina Almeida Cunha Filgueiras apresenta uma contribuição da sociologia para a análise sobre o fenômeno do morar na rua. [CLIQUE AQUI para ler]

A Revista Cadernos Metrópole surgiu em 1999 como um dos principais produtos do Observatório das Metrópoles e tem como principal objetivo difundir os resultados da análise comparativa entre as metrópoles brasileiras. A revista é produzida em parceria com a EDUC (Editora da PUC-SP). Conheça a história do nosso periódico nesse post da Scielo (clique aqui).

 

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