80% da população da América Latina vivem nas cidades

80% da população da América Latina vivem nas cidades

Com quase 80% de sua população nas cidades, a América Latina é uma das regiões mais urbanizadas do mundo. No entanto, o déficit de 51 milhões de moradias é um dos principais problemas a ser superado, segundo o relatório “Estado das Cidades da América Latina e Caribe 2012” divulgado pelo programa ONU-Habitat. O jornal Folha de São Paulo publicou reportagem, nesta quarta-feira (22/08) sobre o relatório da América Latina. O coordenador do Observatório das Metrópoles, Luiz Cesar Ribeiro, e a pesquisadora Érica Tavares, contribuíram com a análise “Do ponto de vista demográfico, o momento para o Brasil é auspicioso”.

O INCT Observatório das Metrópoles tem colaborado com os veículos de comunicação do país com o propósito de divulgar as pesquisas desenvolvidas pela rede nacional e difundir o tema urbano para sociedade civil e formadores de opinião. A aproximação com a Folha de São Paulo começou no mês de julho, quando o professor Luiz Cesar Ribeiro e os pesquisadores Juciano Martins Rodrigues e Érica Tavares participaram do seminário interno “História e transformação urbana do Rio de Janeiro e perspectivas para os próximos anos”, a fim de traçar para os jornalistas da Folha um panorama do desenvolvimento urbano da RMRJ nos seus aspectos históricos, políticos, sociais, demográficos e econômicos.

Leia: Observatório na Folha de São Paulo

Após esse encontro, o instituto recebeu o convite para colaborar com o jornal na reportagem sobre o relatório da ONU-Habitat.

Leia o relatório “Estado das Cidades da América Latina e Caribe 2012” aqui.

Leia a seguir a análise do INCT Observatório das Metrópoles sobre o momento atual da demografia no Brasil e América Latina.

 

Do ponto de vista demográfico, o momento para o Brasil é auspicioso

Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro

Érica Tavares

Estamos num momento-chave para solucionar boa parte dos problemas urbanos no Brasil. Pelo menos do ponto de vista demográfico. A visão da explosão populacional difundida durante muito tempo não se sustenta mais. O país já experimentava baixos ritmos de crescimento populacional (em torno de 1,17% ao ano de 2000 a 2010), assim como em várias regiões da América Latina. Evidência é o declínio da fecundidade (2,4 em 2000; 1,86 em 2010).

Na fase atual da dinâmica demográfica – após a superação do boom de crianças e jovens – há um aumento da população em idade de trabalhar, que remete à concepção do bônus demográfico. É um momento especial em que o maior peso da população adulta permite maior condição de gerar renda e riqueza. Mas esse bônus está sendo aproveitado?

Boa notícia. Na década passada, a população ocupada nas metrópoles cresceu em um ritmo até maior que a população em idade ativa. Boa parte está conseguindo se inserir no mercado de trabalho. Claro que ainda é preciso discutir a qualidade dessa inserção ocupacional. Mas isso é outro assunto.

Diante da diminuição da pressão demográfica, torna-se cada vez mais importante avaliar o significado dos movimentos populacionais na reconfiguração do urbano e nas condições sociais que essa população experimenta.

Se antes a dinâmica da população expressava a busca por estar na cidade – evidente, sobretudo, pela migração rural-urbana –, atualmente a mobilidade da população expressa a busca pela apropriação da cidade, por conquistar efetivamente as oportunidades nesse espaço. É nesse sentido que podemos falar que os problemas urbanos não mais decorrem do excessivo populacional. É preciso agora reformar as nossas cidades, tornando-as promotoras do bem-estar.

 

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