Aconteceu no dia 08 de junho o primeiro encontro do ciclo de formação “Projeto AdaptAção: Planejamento Urbano para um Futuro Sustentável“, com o tema “Cidades e as Mudanças do Clima: interações necessárias à promoção de uma Adaptação baseada em Ecossistemas (AbE)”. O evento foi ministrado pelo Prof. Dr. Juliano Ximenes (UFPA) e aconteceu no Centro Marista de Juventudes em Campina Grande-PB.
A iniciativa foi promovida pelo Núcleo Paraíba do INCT Observatório das Metrópoles, com apoio do BrCidades e da Frente Pelo Direito à Cidade, tendo como objetivo ampliar a compreensão da população sobre os impactos das mudanças climáticas nas cidades e contribuir para a construção de respostas coletivas a esses desafios.
No primeiro momento, Juliano Ximenes, que também coordena o Núcleo Belém do Observatório, apresentou a Rede AdaptAção, explicando seu funcionamento e as cidades participantes, além de discutir as consequências das mudanças climáticas para a população urbana. Ele destacou que a cidade funciona a partir da relação entre as pessoas e a infraestrutura, e apresentou o Índice de Risco e Urbanização Climática (IRUC), detalhando como áreas de risco podem deixar de ser ambientalmente sensíveis a partir de melhorias urbanas. O pesquisador apontou observações como: os eventos climáticos extremos ocorrem em cidades com serras e morros, e relacionou essa realidade a problemas históricos do planejamento urbano no Brasil.
Também destacou-se a produção de lotes menores como forma de ampliar o acesso à moradia, além da necessidade de maior atenção ao desempenho ambiental das construções. Paralelamente a isso, a importância da permeabilidade do solo para o funcionamento das cidades foi apontada por Ximenes: “As cidades brasileiras têm se tornado, cada vez mais, grandes superfícies de concreto”. Por fim, o ministrante abordou os efeitos do aumento da temperatura, que impacta a agricultura, a alimentação e a saúde, com a duplicação dos dias de calor extremo, além de fenômenos associados como chuvas intensas, ventos fortes e erosão.
Após esse momento, foi aberto um debate para continuidade com discussões sobre soluções para evitar o alagamento das ruas, os impactos da concentração de água e riqueza no semiárido nordestino, reforçando que o problema não é a seca em si, mas a forma como ela é enfrentada.
Os participantes relataram experiências locais, e reforçou-se que construir uma cidade boa e justa depende de boas lideranças, da relação entre o mercado imobiliário e as tecnologias e engenharias tradicionais. Foram apontados caminhos para a adaptação climática nas cidades, defendendo que cada região mantenha ao menos 25% de área vegetada permeável e que essas áreas verdes sejam espaços públicos de uso cotidiano pela população. Também foram valorizadas soluções viárias não convencionais e o resgate de estratégias sertanejas de planejamento que respeitem os percursos naturais da água. Foi evidenciado que os desastres chamados de naturais são, na verdade, resultado de decisões políticas e econômicas concentradas, e não fenômenos inevitáveis.
O encontro foi encerrado pela Prof. Dra. Kainara dos Anjos, coordenadora do Núcleo Paraíba do INCT Observatório das Metrópoles, que agradeceu a presença de Juliano Ximenes e de todos os participantes, ressaltando que essa foi a primeira de uma série de atividades e que o Núcleo permanece aberto para novos diálogos e debates conjuntos com a comunidade.
