Na noite de 9 de julho, o Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro (SENGE-RJ) recebeu o lançamento do livro “Gestão Democrática e Esferas Públicas de Participação: reflexões e desafios da 6ª Conferência Nacional das Cidades”. A publicação, organizada por Taísa Sanches, Orlando Alves dos Santos Junior, Thiago Trindade e Letícia Miguel Teixeira, apresenta análises sobre a retomada do ciclo das Conferências das Cidades e os desafios da participação social na formulação das políticas urbanas. O livro está disponível gratuitamente para download na Biblioteca Digital do site do INCT Observatório das Metrópoles.
Resultado de um trabalho coletivo que mobilizou pesquisadores do Observatório, a obra reúne oito capítulos dedicados a refletir sobre temas como representação social, desenvolvimento urbano, sustentabilidade socioambiental e justiça climática, tendo como referência a experiência da 6ª Conferência Nacional das Cidades. Durante o lançamento, a organizadora Taísa Sanches destacou o caráter coletivo da publicação. Segundo ela, o livro é fruto de um longo processo de acompanhamento das conferências realizadas em todo o país.
“A gente está num processo coletivo de trabalho desde o final de 2024 e início de 2025. Depois desse ciclo de mais de um ano de trabalho, propondo a metodologia para a execução das conferências e sistematizando os dados produzidos ao longo desse processo, o livro é resultado, portanto, desse trabalho longo”, afirmou. Taísa ressaltou ainda que a obra não se limita à análise da etapa nacional, reunindo também dados e reflexões produzidos a partir das conferências estaduais.

“Aqui a gente faz a análise da 6ª Conferência Nacional das Cidades, mas trazemos dados analíticos também das Conferências Estaduais realizadas em 2025”, pontuou. Segundo ela, embora o livro tenha sido organizado pelo Observatório, ele tem um caráter público muito importante. “Todo esse trabalho foi feito em parceria com movimentos populares”, ressaltou.
Para Orlando Alves dos Santos Junior, também organizador da publicação, o livro registra um momento importante de mobilização em torno do debate urbano, reforçando a participação social e o desenvolvimento urbano. “O Conselho das Cidades e a Conferência das Cidades se constituem numa esfera pública de participação que democratiza o debate e as decisões relativas ao desenvolvimento urbano”, explicou. Segundo ele, a experiência reafirmou a importância da construção de cidades inclusivas, justas, ambientalmente sustentáveis e democráticas, e contribuiu para fortalecer espaços de participação e diálogo em torno das questões urbanas.
“Somente com a participação dos movimentos populares, dos trabalhadores, das organizações não governamentais, das entidades profissionais e acadêmicas e das entidades empresariais, ou seja, todos os setores vinculados à produção e à gestão das cidades, é que podemos efetivamente construir um projeto de cidade mais justa, mais democrática, ambientalmente sustentável e com justiça social”, vislumbrou.

O presidente do SENGE-RJ, Clovis Francisco do Nascimento Filho, anfitrião do evento, destacou a relevância da publicação para todos aqueles que acompanham o tema da participação social nas cidades. “Esse processo é importante porque permite a participação social, a capilaridade, a discussão para todos e todas debaterem cada situação do seu bairro, da sua rua, e as suas necessidades básicas. No que tange à área urbana, ao saneamento, à habitação, ao planejamento urbano, enfim, às questões urbanas que permeiam as cidades”, pontuou. Para ele, as conferências criam espaços fundamentais para discutir esses temas. “Nós acreditamos que a única forma de termos cidades inclusivas, onde se possa viver de forma democrática, com direito a todos e a todas, é lutando para que isso venha a se concretizar”, mencionou.
Representando a Central dos Movimentos Populares e o Conselho Nacional das Cidades, Marcelo Braga Edmundo ressaltou a importância do processo conferencial para o fortalecimento do debate urbano. “A minha avaliação é que é fundamental esse processo de participação popular. Nacionalmente, foi surpreendente porque nós tivemos um envolvimento muito grande, e aqui no Rio de Janeiro, dos 92 municípios, 78 realizaram a conferência. Então, a gente avalia que esse processo de conferência e eleição dos conselhos é fundamental para as cidades, para o Estado e para o país”, afirmou.
Na avaliação de Edmundo, o livro ajudou a registrar uma experiência que permitiu discutir o direito à cidade e ampliar a participação da população nos debates sobre o futuro dos territórios urbanos. “Acho importante o lançamento desse livro para que a gente possa ter uma percepção de como foi a construção desse processo que, ao meu ver, é muito importante e tem que ser valorizado no país”, observou.

A coordenadora nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Lurdinha Lopes, reforçou a necessidade de manter vivos os espaços de participação e as pautas da reforma urbana. “A gente acredita que quem constrói a cidade tem o direito de usufruir dela. E quem constrói essa cidade é a maioria esmagadora de trabalhadores e trabalhadoras. Mobilidade urbana, transporte coletivo, moradia digna perto do local de trabalho, saneamento básico, abastecimento de água, isso tudo é reforma urbana”, comentou.
Segundo ela, enquanto existir cidades em que alguns lucram e outros sofrem a negação de direitos, é necessário continuar buscando justiça social. “Esses espaços são necessários para que as pessoas não esqueçam a importância da participação e da luta por direitos. O resultado da luta pela vida pode ser pequeno hoje, mas se a gente acreditar, a gente vai avançar,” concluiu.
Ao reunir pesquisadores, movimentos sociais e participantes do ciclo das Conferências das Cidades, o lançamento foi também um momento de celebração da construção coletiva do conhecimento e da reflexão sobre os caminhos da gestão democrática no Brasil. Conforme Santos Junior, mais do que um registro da 6ª Conferência Nacional das Cidades, a obra reafirma a importância dos espaços participativos para pensar o presente e o futuro das cidades brasileiras.
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