O Núcleo Fortaleza do INCT Observatório das Metrópoles participou da realização do Mapeamento Participativo de Terreiros da Regional V, pesquisa que identificou, documentou e georreferenciou 40 terreiros de religiões afro-brasileiras e afro-indígenas em Fortaleza. O estudo reuniu informações sobre as dimensões culturais, religiosas, sociais, econômicas, ambientais e urbanísticas desses territórios, contribuindo para o reconhecimento dos povos e comunidades tradicionais de terreiro na cidade.
O Relatório Técnico da pesquisa foi lançado no dia 11 de junho de 2026, no Teatro Municipal Antonieta Noronha, em Fortaleza, apresentando resultados do levantamento realizado nos bairros Bom Jardim, Granja Lisboa, Granja Portugal, Siqueira e Bonsucesso, na Regional V. A iniciativa foi desenvolvida pelo Grupo de Extensão e Pesquisa Diálogos, vinculado ao INCT Observatório das Metrópoles, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) e à Universidade Estadual do Ceará (UECE), em parceria com a Associação Espírita de Umbanda São Miguel (AEUSM) e o Ponto de Memória do Grande Bom Jardim.
Com uma metodologia participativa e colaborativa, a pesquisa envolveu lideranças religiosas, pesquisadores e moradores das comunidades, articulando conhecimento acadêmico e saberes construídos pelos próprios territórios. O levantamento buscou compreender a presença dos terreiros na dinâmica urbana de Fortaleza, evidenciando suas contribuições para a preservação cultural, a produção de memória e a organização comunitária.
O pesquisador Eduardo Gomes Machado, integrante do Núcleo Fortaleza e professor do Instituto de Humanidades da UNILAB, contribuiu para a elaboração do relatório, atuando na sistematização e análise dos dados reunidos durante o mapeamento.

Impacto cultural, social e econômico dos terreiros
Entre os principais resultados apresentados está o inventário do calendário litúrgico dos terreiros da Regional V e o levantamento da chamada economia de terreiro, que estimou um impacto financeiro anual de aproximadamente R$ 1,7 milhão. Os dados mostram a relevância econômica dessas comunidades para os territórios onde estão inseridas, envolvendo atividades relacionadas à alimentação, vestuário, comércio de artigos religiosos, transporte e serviços diversos.
Além dos aspectos econômicos, o estudo evidencia os terreiros como espaços de preservação de patrimônios materiais e imateriais, fortalecimento de redes de sociabilidade e construção de vínculos comunitários. A pesquisa amplia a compreensão sobre as diferentes formas de produção da cidade e sobre o papel dos povos tradicionais na dinâmica urbana.
Contribuição para políticas públicas e proteção dos territórios tradicionais
A partir dos dados produzidos, o relatório apresenta propostas para fortalecer a proteção dos territórios de terreiro, dialogando com o Plano Diretor Participativo de Fortaleza de 2025 e outras legislações de preservação cultural. Entre as recomendações está a criação da Zona Especial de Comunidades e Povos Tradicionais (ZECT) e da Zona de Preservação do Patrimônio Cultural (ZPC) do Sagrado Ancestral, com base no artigo 216 da Constituição Federal.
A pesquisa também aponta caminhos para articulação com políticas voltadas às culturas tradicionais e populares, além de contribuir para o enfrentamento do racismo religioso e para o reconhecimento dos terreiros como espaços fundamentais da história e da cultura urbana de Fortaleza.
Os resultados e produtos da pesquisa estão disponíveis gratuitamente na plataforma terreiros.org.br.
