INCT Produção da Casa e da Cidade lança seu primeiro livro sobre transformações da moradia e da urbanização brasileira

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Produção da Casa e da Cidade lançou seu primeiro livro, “A produção da casa e da cidade no Brasil contemporâneo: novos estudos sobre autoconstrução, Estado e imobiliário”. A obra reúne pesquisas de uma rede nacional de pesquisadores sobre as transformações econômicas, sociais e territoriais que redefiniram as formas de produzir moradia e cidades no Brasil nas últimas cinco décadas.

Organizada por pesquisadores do INCT e publicada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP), a publicação retoma questões presentes no clássico “A produção capitalista da casa (e da cidade) no Brasil industrial”, organizado por Erminia Maricato em 1979, atualizando o debate sobre as relações entre industrialização, trabalho, habitação e urbanização no país.

O livro analisa como mudanças estruturais na economia brasileira como a desindustrialização, o avanço do setor financeiro e a expansão de novas formas de trabalho alteraram os processos de produção da moradia e do espaço urbano. Segundo os autores, embora a precariedade habitacional e as desigualdades urbanas permaneçam como características marcantes da urbanização brasileira, os mecanismos que produzem e reproduzem essas desigualdades passaram por profundas transformações.

A pesquisa recupera o conceito de “urbanização a baixos salários”, formulado a partir da interpretação da industrialização brasileira, para compreender como milhões de trabalhadores recorreram à autoconstrução e à expansão periférica das cidades diante da dificuldade de acesso ao mercado formal de habitação. A obra investiga como essa dinâmica se transformou em um cenário marcado pela precarização do trabalho, pela expansão do mercado imobiliário e pela crescente influência das finanças na produção urbana.

Entre os temas abordados estão a autoconstrução e os territórios populares, a produção estatal da moradia e o planejamento urbano, o mercado imobiliário, as infraestruturas e as diferentes formas de produção do espaço nas periferias do capitalismo.

A publicação também evidencia que a urbanização brasileira contemporânea é marcada pela coexistência entre formalidade e informalidade. Mesmo em áreas atendidas por políticas públicas, os moradores continuam realizando ampliações e adaptações por conta própria, enquanto territórios inicialmente informais passam por processos de urbanização sem eliminar completamente as características originais dessas ocupações.

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