Artigo analisa trabalho por aplicativos e dinâmica urbana no Largo do Machado

Foi publicado na Revista Geografares o artigo “Apontamentos para uma Geografia do Trabalho sob o capitalismo de plataformas: a análise dos circuitos da economia urbana e das relações sociais de produção dos trabalhadores por aplicativos no Largo do Machado, Rio de Janeiro”, de autoria da pesquisadora do Núcleo Rio de Janeiro do INCT Observatório das Metrópoles, Regina Tunes, Thayana Santos Simões e Pablo José Ciccolella.

O estudo investiga as transformações do mundo do trabalho no contexto do capitalismo de plataformas a partir de um estudo de caso com entregadores do iFood que atuam no Largo do Machado, Rio de Janeiro. Com base na teoria dos circuitos da economia urbana de Milton Santos, atualizada por pesquisadores contemporâneos, os autores analisam as relações entre plataformas digitais, trabalhadores e o espaço urbano.

A pesquisa, de caráter qualitativo, foi desenvolvida por meio de observação sistemática e entrevistas com entregadores. Os resultados mostram como as plataformas digitais operam por meio de mecanismos de subordinação algorítmica e transferência de custos para os trabalhadores, reforçando formas de precarização do trabalho. Ao mesmo tempo, o artigo destaca a construção de redes de sociabilidade e apoio mútuo entre os entregadores, que desenvolvem estratégias coletivas de resistência e organização.

Segundo os autores, a articulação entre os diferentes circuitos da economia urbana ocorre de forma estruturalmente desigual, revelando novas expressões de processos históricos de reestruturação produtiva nas metrópoles contemporâneas.

A seguir, confira o resumo:

O artigo analisa as transformações do trabalho no capitalismo de plataforma mediante estudo de caso dos entregadores do iFood no Largo do Machado, Rio de Janeiro. Ancora-se teoricamente nos circuitos da economia urbana de Milton Santos, atualizados por Montenegro e Tozi. A pesquisa qualitativa conjuga observação sistemática e entrevistas realizadas entre setembro e novembro de 2025. Os resultados evidenciam que o iFood opera como agente do circuito superior, impondo subordinação algorítmica e transferência de custos, enquanto se apoia em trabalhadores do circuito inferior. A psicosfera neoliberal naturaliza a precariedade, mas os entregadores constituem redes de sociabilidade, como grupos de WhatsApp, que engendram táticas coletivas de resistência. Conclui-se que a articulação entre os circuitos é estruturalmente assimétrica, atualizando processos históricos de reestruturação produtiva nas espacialidades urbanas contemporâneas.

Palavras-chave: capitalismo de plataforma, circuitos da economia urbana, trabalho por aplicativo, iFood, Largo do Machado

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