Núcleo Florianópolis é lançado com seminário sobre metrópoles do Sul

O INCT Observatório das Metrópoles lançou publicamente o Núcleo Florianópolis nos dias 12 e 13 de agosto de 2026, em seminário realizado na capital catarinense. A programação, dividida entre o auditório da FAED/UDESC e o auditório do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, somou 260 participações ao longo de uma aula magna e duas mesas redondas, e marcou a apresentação pública do Núcleo Florianópolis à rede e ao novo ciclo de pesquisa do INCT, apresentando uma articulação sobre a realidade urbana e metropolitana de Santa Catarina.

Criado em 2025, o Núcleo Florianópolis passa a integrar uma rede nacional com quase trinta anos de existência, hoje composta por 22 núcleos regionais. Sua constituição acompanha o reconhecimento de Florianópolis como metrópole no âmbito dos estudos do IBGE, situação que coloca novos desafios para a compreensão das relações entre urbanização, desenvolvimento regional, desigualdades socioespaciais, mobilidade, habitação, meio ambiente e planejamento territorial. O núcleo reúne pesquisadoras e pesquisadores da UFSC, da UDESC, da FURB e do Instituto Cidade e Território, sob coordenação de Samuel Steiner dos Santos (UFSC), tendo como coordenador adjunto Elson Manoel Pereira (UFSC).

A abertura, na noite de 12 de agosto, contou com mesa institucional formada por representantes das entidades que integram e apoiam o núcleo: Samuel Steiner dos Santos, pela UFSC; Jairo Valdati, coordenador do PPGPLAN e representante da UDESC; Leandro Ludwig, pela FURB; e Lino Fernando Bragança Peres, pelo Instituto Cidade e Território. Mais do que reunir instituições, a proposta apresentada é construir uma agenda comum de pesquisa e reflexão sobre os processos de metropolização e sobre os desafios colocados para cidades e territórios mais justos, inclusivos, democráticos e ambientalmente sustentáveis.

Na sequência, com mediação de Gustavo Andrade, Orlando Alves dos Santos Júnior, professor do IPPUR/UFRJ e coordenador nacional do programa INCT Observatório das Metrópoles, proferiu a Aula Magna “Transformações da ordem urbana no Brasil: metrópoles, desigualdade e os desafios para um desenvolvimento igualitário, justo e sustentável”, seguida de debate com o público.

A exposição apresentou a fundamentação teórico-crítica que embasa as linhas de pesquisa do núcleo, organizada em torno do padrão de acumulação rentista-neoextrativista e da nova urbanização dependente que dele decorre. A discussão dialoga com o acúmulo de pesquisas da rede do Observatório das Metrópoles e que embasam o novo ciclo do INCT. A atividade registrou 104 participações.

A manhã do dia 13 foi dedicada à Mesa Redonda 1 “Transformações urbanas e desenvolvimento desigual nas metrópoles do sul do Brasil: Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre”, com mediação de Santos Júnior e apresentações dos núcleos da Região Sul. Madianita Nunes da Silva (UFPR), que coordenou o Núcleo Curitiba entre 2019 e 2022, expôs “Transformações urbanas e desenvolvimento desigual na metrópole de Curitiba: um panorama para motivar reflexões comparadas entre as metrópoles do sul do Brasil”; Mario Leal Lahorgue (UFRGS), coordenador do Núcleo Porto Alegre, apresentou “Porto Alegre: transformações e desafios contemporâneos”; e Samuel Steiner dos Santos (UFSC), coordenador do Núcleo Florianópolis, tratou de “A Região Metropolitana de Florianópolis na dependência rentista-neoextrativista”. O bloco reuniu 90 participações e reservou meia hora para o debate.

À tarde, a mesa “Florianópolis, nova metrópole: transformações da ordem urbana, desigualdades emergentes e desafios para um desenvolvimento igualitário e sustentável”, mediada por Leandro Moraes Vidal, apresentou as linhas de pesquisa do novo núcleo em dois blocos de exposições. Maria Inês Sugai (UFSC) apresentou “Florianópolis: desigualdades, exclusão social e desafios”; Renata Rogowski Pozzo (UDESC) apresentou “Metropolização do AP (Arranjo Populacional) Florianópolis e transformações na rede urbana catarinense: trilhas para pesquisas e diálogos futuros”; Lino Fernando Bragança Peres (UFSC/Instituto Cidade e Território) abordou “A inflexão ultraliberal e seu desenvolvimento acelerado: impactos em várias dimensões”; Leandro Ludwig (FURB) falou sobre “A região metropolitana de Florianópolis e suas interfaces com a concentração litorânea catarinense”; e Francisco Canella (UDESC) encerrou com “Potências políticas das periferias: práticas coletivas territoriais, cotidiano e participação nas lutas por moradia na Grande Florianópolis”. A mesa somou 66 participações.

Ao encerrar o seminário, a coordenação destacou o caráter duplo do encontro: um momento de lançamento e celebração e, sobretudo, de construção de uma agenda coletiva. O Núcleo Florianópolis segue agora com a estruturação de suas linhas de pesquisa e da cooperação interinstitucional entre UFSC, UDESC, FURB e Instituto Cidade e Território. O evento contou com apoio do CNPq, da CAPES, da FAPERJ e do Ministério das Cidades.

A gravação da aula magna está disponível no canal da rede no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=7dCpgwzHCEU), e as mesas redondas podem ser assistidas no canal do Núcleo Florianópolis (https://www.youtube.com/@obsmetropoles.florianopolis).

O Núcleo Florianópolis segue aberto à participação de novas pesquisadoras e novos pesquisadores interessados em integrar suas linhas de trabalho. O contato pode ser feito diretamente com os pesquisadores já envolvidos em cada linha de pesquisa ou por meio dos canais do núcleo: e-mail nucleoflorianopolisom@gmail.com e Instagram @obsmetropoles.florianopolis.