Como integrar habitação, desenvolvimento urbano e combate à pobreza? Essa foi uma das questões centrais debatidas no VI Encontro sobre Políticas de Desenvolvimento Urbano, realizado em 20 de agosto pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo (SDUH), em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O evento reuniu gestores públicos, pesquisadores e pesquisadoras, representantes da sociedade civil e especialistas para discutir os desafios da habitação social, da pobreza urbana e do uso de novas tecnologias no planejamento das cidades.
Representando o INCT Observatório das Metrópoles, a pesquisadora Maria Luiza Chamadoira, orientanda da coordenadora do Núcleo São Paulo, Lucia Bógus, acompanhou os debates, organizados em torno dos temas “Habitação Social e Pobreza Urbana” e “Tecnologias para o Planejamento da Habitação Social”.
Ao longo das atividades, pesquisadores e gestores compartilharam experiências voltadas à redução das desigualdades urbanas, destacando a importância de articular políticas de habitação, assistência social, mobilidade, saúde, educação e geração de renda. A discussão reforçou a compreensão de que a pobreza é um fenômeno complexo, que exige respostas intersetoriais e atenção às especificidades dos territórios.
Na avaliação de Maria Luiza, um dos principais pontos do encontro foi a defesa de uma abordagem integrada das políticas públicas. “A abertura reforçou a ideia de que a política habitacional não deve se limitar à entrega de moradias. Ela precisa estar conectada ao desenvolvimento urbano e às políticas sociais, de modo a ampliar o acesso a direitos, promover autonomia e gerar mobilidade social”, destacou a pesquisadora a partir dos debates realizados durante o evento.
As mesas também apresentaram experiências desenvolvidas em diferentes contextos urbanos, mostrando o papel do trabalho social, da participação comunitária e da produção de informações qualificadas para orientar intervenções em áreas vulneráveis. Temas como reassentamento de famílias, urbanização de favelas, políticas de cuidado, mobilidade urbana e enfrentamento das desigualdades territoriais estiveram entre os assuntos discutidos.
Durante o período da tarde, o foco voltou-se para as tecnologias aplicadas ao planejamento urbano e habitacional. Especialistas apresentaram ferramentas baseadas em inteligência artificial, imagens de satélite e dados georreferenciados capazes de apoiar o mapeamento de assentamentos informais e ampliar o conhecimento sobre vulnerabilidades urbanas.
Segundo Maria Luiza, as discussões evidenciaram que a inovação tecnológica precisa caminhar ao lado do conhecimento produzido nos territórios. “Uma das mensagens mais importantes foi que mais dados e melhores dados podem contribuir para políticas públicas mais precisas, mas a tecnologia precisa estar articulada ao conhecimento local e à realidade das populações envolvidas”, observou.
O encontro foi encerrado com um chamado à cooperação entre governos, universidades, organismos internacionais e organizações da sociedade civil, reforçando a importância da troca de experiências para o aprimoramento das políticas urbanas. Para Maria Luiza, a principal contribuição do evento foi evidenciar que o enfrentamento da pobreza e da desigualdade urbana depende de políticas integradas, construídas a partir dos territórios e orientadas pelas necessidades concretas das populações mais vulneráveis.
