Novo livro investiga o papel da logística e da financeirização na reestruturação do espaço nacional

Como a expansão do agronegócio está redesenhando o território brasileiro? E qual o papel da articulação entre Estado, finanças e logística nesse processo? Essas são algumas das questões que orientam o livro “Os nexos entre Estado, finanças e logística na reestruturação do espaço nacional: um olhar a partir do Arco Norte e do corredor logístico do Tapajós”, de Alexandre Yassu, novo lançamento da Coleção Metrópoles Teses e Dissertações, publicada pela Letra Capital Editora, com apoio do INCT Observatório das Metrópoles e da Faperj.

A publicação integra as pesquisas desenvolvidas no âmbito do projeto “Acumulação Rentista-Neoextrativista e a Reestruturação da Ordem Urbano-Regional”, eixo central das investigações do novo INCT Observatório das Metrópoles. A obra soma-se a outras publicações resultantes desse esforço coletivo de pesquisa, entre elas os livros de Aldo Garcia Júnior (Urbanização extensiva dependente: enclaves logísticos na periferia de regiões metropolitanas brasileiras), e Gabriela Campelo Aragão Bitencourt (Ferrovias do Século XXI: investimento chinês na América Latina colaborando com o desenvolvimento territorial no Sul Global).

A pesquisa de Alexandre Yassu foi desenvolvida no Laboratório de Estudos e Projetos Urbanos e Regionais (LEPUR), da Universidade Federal do ABC (UFABC), no projeto CNPQ “O campo do planejamento e a finança em tempos de austeridade fiscal. Uma investigação teórica e metodológica para o caso brasileiro”, e também no grupo “Metrópole Estado e Capital”, do Observatório. Resultado de uma ampla investigação sobre as transformações socioespaciais em curso no país, o livro analisa as relações entre Estado, finanças e logística a partir do Arco Norte e do Corredor Logístico do Tapajós, espaços estratégicos para a expansão do agronegócio e para a circulação de commodities agrícolas no território brasileiro. Ao examinar os processos de financeirização da infraestrutura e as novas formas de planejamento territorial, a pesquisa oferece uma interpretação original sobre as dinâmicas contemporâneas de reestruturação do espaço nacional. 

Em entrevista, o autor explica como a pesquisa buscou compreender as transformações territoriais associadas à expansão das fronteiras do agronegócio e à crescente convergência entre Estado, finanças e logística:

“O Brasil passa atualmente por amplas transformações socioespaciais decorrentes da reprimarização da economia. O setor agrícola corporativo exerce papel central nesse processo, especialmente, o cultivo de soja, na expansão da área cultivada e das fronteiras agrícolas. A elaboração da tese que deu origem ao presente livro é, antes de tudo, um esforço de olhar para essa reestruturação do espaço brasileiro por um ângulo ainda pouco explorado: o da articulação entre logística e financeirização da infraestrutura. Nesse sentido, tomei o Arco Norte, e o Corredor Logístico do Tapajós, que a integra, como objetos para examinar esses nexos, a partir da análise de planos, leis, dados secundários, entrevistas e cartografias.

O que encontrei foi que a financeirização da infraestrutura tende a orientar a provisão de infraestrutura de forma desigual, concentrada nos espaços mais competitivos, como os núcleos e as fronteiras do agronegócio, e que a crescente convergência entre Estado, finanças e logística, por meio de novas formas de planejar o território e prover infraestrutura, não apenas constitui um importante eixo de reestruturação do espaço nacional e regional, mas são novas formas de controle territorial, do que chamei de coalizão rentista neoextrativista, que tem papel central neste processo e renova velhas tendências à fragmentação da nação.

Minha principal contribuição, creio, é interpretar essa reestruturação a partir desses nexos, e isso se resume em dois pontos ligados entre si. De um lado, a tecnocracia rentista logística, a estrutura operacional que se consolida no planejamento territorial sob o neoliberalismo. De outro, as tensões socioespaciais, novas e velhas, que emergem da financeirização da infraestrutura, como nos projetos do Arco Norte e do Tapajós. E o ponto é que a primeira funciona ocultando a segunda: ela modela e opera o território de um jeito que oculta essas tensões.”

A obra reúne análises documentais, cartografias, entrevistas e dados sobre os processos de expansão da infraestrutura logística voltada ao agronegócio, oferecendo uma interpretação inovadora sobre a convergência entre Estado, finanças e logística na produção do espaço brasileiro contemporâneo. Ao discutir o papel da chamada “coalizão rentista neoextrativista”, o autor contribui para o debate sobre desenvolvimento, integração territorial e desigualdades regionais no Brasil.

O livro está disponível gratuitamente na Biblioteca Digital do INCT Observatório das Metrópoles e integra a Coleção Metrópoles Teses e Dissertações.

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