Gestão de águas nas metrópoles brasileiras é tema de seminário e oficina da pesquisa nacional do INCT Observatório das Metrópoles

Em um contexto marcado pelo agravamento dos eventos climáticos extremos e pelas disputas em torno da gestão dos recursos hídricos, integrantes do INCT Observatório das Metrópoles se reuniram para debater os desafios da água e do saneamento nas metrópoles brasileiras. O encontro ocorreu no dia 13 de outubro de 2026, em formato híbrido, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e integrou as atividades da pesquisa nacional Gestão de Águas, desenvolvida no âmbito do programa INCT 2025-2030.

A programação reuniu um seminário e uma oficina de trabalho organizados pelo professor Fabiano Diniz, coordenador do Núcleo Recife, e cocoordenador da pesquisa, em parceria com a professora Heleniza Campos, vice-coordenadora do Núcleo Porto Alegre, e o professor Juliano Ximenes, coordenador do Núcleo Belém. O objetivo foi debater os desafios da gestão das águas nas metrópoles brasileiras diante das mudanças climáticas, dos processos de urbanização e das transformações recentes nas políticas públicas de saneamento.

Durante o seminário, intitulado “Gestão de Águas nas metrópoles brasileiras, a partir da experiência recente dos desastres na Região Metropolitana de Porto Alegre”, Heleniza Campos apresentou reflexões sobre os impactos dos eventos climáticos extremos ocorridos no Rio Grande do Sul em 2024, e seus desdobramentos para o planejamento regional e as políticas de gestão das águas. A exposição destacou os efeitos da orientação neoliberal e rentista-neoextrativista sobre a gestão regional e apontou dois eixos de transformação considerados fundamentais: uma transição sociotécnica justa, baseada na intersetorialidade, transversalidade, transdisciplinaridade e nas estratégias de mitigação e adaptação climática; e a construção de um federalismo climático, apoiado na pactuação institucional, na gestão compartilhada de metas e na gestão democrática.

Na sequência, o professor Esteban Castro, na condição de debatedor, contribuiu para o aprofundamento da discussão ao enfatizar os aspectos políticos envolvidos na gestão da água. Entre os temas abordados estiveram a centralização dos processos decisórios, o avanço do negacionismo climático, a financeirização dos serviços de água e saneamento e a necessidade de fortalecer abordagens integradas capazes de articular diferentes políticas setoriais diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

No período da tarde, a equipe realizou a oficina “Delimitações Teórico-Conceituais e Metodológicas: Referências para o desenvolvimento da Pesquisa Gestão de Águas”, dedicada ao aprofundamento das bases conceituais, metodológicas e empíricas da pesquisa nacional. Os participantes revisitaram os objetivos do projeto e discutiram os três eixos estruturantes da investigação: os impactos do padrão de acumulação rentista-neoextrativista sobre a gestão das águas; o perfil político-técnico das políticas públicas do setor; e os desafios colocados pelas mudanças climáticas para a gestão hídrica nas metrópoles brasileiras.

As discussões abordaram temas como acesso universal à água e ao saneamento, privatização dos serviços, conflitos socioecológicos, governança das bacias hidrográficas, democratização da gestão das águas e estratégias de adaptação e resiliência climática. Também foram debatidas referências teóricas, indicadores e bases de dados que poderão subsidiar os estudos desenvolvidos pelos diferentes núcleos do Observatório.

Ao final do encontro, ficou definido que cada núcleo realizará discussões internas sobre os três eixos da pesquisa, iniciando pela delimitação das bacias hidrográficas de referência e pela retomada do projeto de pesquisa e da bibliografia. Uma nova reunião foi agendada para o dia 27 de outubro, quando os núcleos apresentarão suas contribuições e propostas para o desenvolvimento das próximas etapas da pesquisa.