Como colocar as cidades e as metrópoles brasileiras no centro das escolhas sobre o futuro do país? Com essa questão como ponto de partida, o INCT Observatório das Metrópoles mobilizou sua rede nacional de pesquisa durante as eleições de 2026 para discutir os principais desafios urbanos brasileiros e apresentar perspectivas para a construção de cidades mais justas, inclusivas, democráticas e ambientalmente sustentáveis.
Após quase dois meses de mobilização, entre agosto e outubro, o projeto “Observatório nas eleições: as Metrópoles em disputa” chega ao fim com 59 artigos publicados e a participação de 94 pesquisadoras e pesquisadores, segundo os números finais validados no final de outubro. A iniciativa articulou uma frente nacional de reflexão sobre a questão urbana e análises produzidas a partir das diferentes realidades metropolitanas, e as publicações alcançaram diferentes veículos de comunicação.
Mais do que acompanhar a conjuntura eleitoral, o projeto partiu do entendimento de que discutir os rumos do país significa discutir também as condições de vida nas cidades, onde problemas como acesso à moradia, saneamento, mobilidade, desigualdade territorial e mudanças climáticas se encontram.
Da agenda nacional às realidades metropolitanas
O eixo nacional da iniciativa foi desenvolvido em parceria com o Le Monde Diplomatique Brasil. A página do especial apresenta seis artigos publicados entre 19 de agosto e 2 de outubro de 2026, abordando desenvolvimento urbano, habitação, saneamento, mobilidade urbana e adaptação climática. Os textos foram assinados por pesquisadoras e pesquisadores da rede nacional do Observatório e buscaram combinar análise crítica e reflexão propositiva.
A própria apresentação do especial sintetizou seu propósito: evidenciar que desenvolvimento urbano, habitação, saneamento, mobilidade e adaptação climática são questões fundamentais para a construção de um Brasil mais igualitário, justo, inclusivo e ambientalmente sustentável.
Porém, esse debate nacional foi apenas uma das frentes de atuação. Paralelamente, os Núcleos Regionais do Observatório produziram análises territorializadas, relacionando grandes questões nacionais às particularidades das diferentes cidades e regiões metropolitanas. A estratégia permitiu aproximar os temas estruturantes do especial dos conflitos, desigualdades e alternativas existentes em cada território.
Foi essa combinação que marcou uma das principais características do projeto: pensar o urbano simultaneamente como questão nacional e como realidade territorial diversa.
Uma agenda urbana para além das eleições
Ao longo do projeto, desenvolvimento urbano, habitação, saneamento, mobilidade e adaptação climática funcionaram como pontos de partida para uma agenda mais abrangente sobre o futuro das cidades.
No especial do Le Monde Diplomatique Brasil, por exemplo, as análises passaram pela relação entre desenvolvimento urbano e um projeto nacional de futuro, pelas desigualdades de acesso à terra e à moradia, pelo direito humano à água, pela mobilidade enquanto instrumento de inclusão e pela necessidade de preparar as cidades para os impactos cada vez mais intensos da crise climática.
No texto dedicado à adaptação climática, Lívia Izabel Bezerra de Miranda e Orlando Alves dos Santos Junior chamaram a atenção para a distribuição desigual dos efeitos dos eventos extremos nas cidades. Segundo a análise, as políticas de adaptação precisam estar vinculadas à redução das desigualdades urbanas e ao acesso à moradia, ao saneamento, à mobilidade e aos demais direitos associados à vida urbana.
O artigo que encerrou o especial nacional, assinado por Elias Jabbour, Luiz Cesar Ribeiro e Vitor Boa Nova, por sua vez, colocou os desafios sociais, territoriais e climáticos das cidades em diálogo com a necessidade de uma nova estratégia de desenvolvimento nacional.
Com isso, o projeto procurou reforçar uma ideia central: a questão urbana não constitui uma agenda separada do desenvolvimento brasileiro. É nas cidades e metrópoles que parte expressiva das desigualdades do país se materializa e onde políticas nacionais ganham consequências concretas para a população.
O projeto deixa uma agenda que permanece aberta após as eleições. Enfrentar desigualdades urbanas, ampliar o direito à cidade, fortalecer estruturas democráticas de planejamento e participação e preparar as metrópoles para os desafios sociais e ambientais das próximas décadas.
A experiência também mostra a contribuição que uma rede nacional de pesquisa pode oferecer ao debate público ao colocar conhecimento produzido nas universidades em diálogo com temas, conflitos e decisões que atravessam a vida cotidiana da população.
O vídeo de encerramento do projeto está disponível AQUI.
Os links de todos os artigos publicados estão disponíveis AQUI.
