Artigo analisa como ferrovias e porto moldaram a urbanização de Vila Velha entre 1895 e 1945

Divulgamos a publicação do artigo “Evolução urbana e porto-ferroviária em Vila Velha, 1895-1945” na Espaço e Economia – Revista Brasileira de Geografia Econômica. O estudo investiga como a implantação das ferrovias e a expansão das atividades portuárias transformaram a região de Vila Velha, no Espírito Santo, contribuindo para a formação de uma complexa relação entre cidade, porto e infraestrutura logística. Os autores são João Lemos Cordeiro Sayd e Ana Lúcia Nogueira de Paiva Britto, pesquisadora do Núcleo Rio de Janeiro do INCT Observatório das Metrópoles.

Partindo de uma perspectiva da história ambiental urbana, o artigo analisa o período compreendido entre a inauguração da primeira estação ferroviária em Argolas, em 1895, e a consolidação das estruturas modernas do Porto de Vitória na década de 1940. A pesquisa mostra que as ferrovias não apenas ampliaram a área de influência econômica do porto, conectando-o às regiões produtoras de café do Espírito Santo e posteriormente às áreas mineradoras de Minas Gerais, mas também desempenharam papel decisivo na reorganização do território e na expansão urbana regional.

O texto destaca que as estações ferroviárias de Argolas, hoje conhecidas como Estação Leopoldina e Estação Pedro Nolasco, foram elementos centrais na construção do Porto de Vitória moderno. A partir delas, consolidou-se uma rede logística que permitiu o escoamento da produção agrícola e, posteriormente, do minério de ferro, integrando a economia capixaba aos mercados nacionais e internacionais.

Ao mesmo tempo, os autores argumentam que os benefícios da modernização urbana não foram distribuídos de forma homogênea. Enquanto a capital Vitória recebeu investimentos em saneamento, infraestrutura e expansão urbana, as áreas portuárias situadas em Vila Velha permaneceram em posição periférica, concentrando progressivamente os impactos ambientais e territoriais associados às atividades ferroviárias e portuárias.

Estação da Ferrovia Leopoldina, em Viana. Foto: P. M. de Viana.

Confira o resumo:

O artigo analisa a formação da região portuária de Vila Velha entre 1895 e 1945, investigando as relações entre urbanização, infraestrutura ferroviária e desenvolvimento portuário. A pesquisa, baseada em métodos da história ambiental urbana, examina como a implantação das ferrovias Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo e Estrada de Ferro Vitória a Minas estruturou a expansão do Porto de Vitória e ampliou sua hinterlândia econômica, conectando o litoral capixaba a regiões produtoras do Espírito Santo e de Minas Gerais. O estudo mostra que esses sistemas sociotécnicos impulsionaram transformações territoriais e urbanas duradouras, ao mesmo tempo em que estabeleceram bases para a produção de riscos associados às atividades portuárias. Conclui-se que os benefícios e impactos dessas dinâmicas se distribuem de forma desigual no território, concentrando riscos nas áreas vizinhas ao porto.

Palavras chaves: Cidades portuárias; Diferenciação espacial; História Ambiental Urbana; Porto de Vitória.

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