O pesquisador Paulo Roberto Rodrigues Soares, do Núcleo Porto Alegre do INCT Observatório das Metrópoles, e Gabriel Corrêa publicaram o artigo “Capitalismo de plataformas e expansão dos atacarejos na Cidade-região de Porto Alegre, Brasil” na Revista Geografares (v. 6, n. 43, 2026), que integra o dossiê temático “Dominância financeira, capitalismo de plataforma e reestruturação produtiva”.
O estudo analisa as transformações socioespaciais associadas ao crescimento dos atacados de autosserviço (atacarejos) na cidade-região de Porto Alegre, relacionando esse fenômeno ao avanço do capitalismo de plataformas, à financeirização da economia e à crescente centralidade da logística nos processos de circulação de mercadorias.
Segundo os autores, a expansão dos atacarejos está articulada à reestruturação produtiva e metropolitana em curso, marcada pela integração entre plataformas digitais, sistemas logísticos e novas formas de consumo. O trabalho também destaca a proliferação de centros de distribuição e condomínios logísticos, que vêm reorganizando o território e reforçando novas dinâmicas de metropolização na região.
Nas conclusões, Soares e Corrêa argumentam que a expansão dos atacarejos e das infraestruturas logísticas deve ser compreendida como parte das transformações mais amplas do capitalismo contemporâneo, caracterizado pela articulação entre plataformas digitais, financeirização e racionalidade logística, com impactos diretos sobre a organização espacial e as desigualdades territoriais.

A seguir, confira o resumo:
O objetivo da pesquisa é analisar as transformações e as repercussões socioeconômicas e socioespaciais decorrentes da expansão dos atacados de autosserviço (atacarejos) na cidade-região de Porto Alegre (RS, Brasil). Investigamos a transição do regime de acumulação pós-fordista, rumo a um “capitalismo de plataformas”, e as interações entre estes “objetos geográficos” e suas dinâmicas correlatas — notadamente, as reestruturações produtiva e logística, associadas às crescentes financeirização, flexibilização e plataformização dos mercados de trabalho e de consumo na cidade-região. Teoricamente, inserimo-nos no debate e nas pesquisas acerca das reestruturações econômica e metropolitana e da configuração de novas lógicas socioespaciais. Metodologicamente, utilizamos dados socioeconômicos e mapeamos as unidades das principais redes de distribuição nacionais e internacionais e seus respectivos centros logísticos na área de estudo. Concluímos com considerações sobre o papel dos atacarejos na metamorfose metropolitana que envolve a cidade-região de Porto Alegre, inserida cada vez mais em fluxos e em redes globais de circulação de mercadorias, de capitais e de informações.
Palavras-chave: capitalismo de plataformas, atacarejos, reestruturação metropolitana.
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