Crise de mobilidade e megaeventos no Rio de Janeiro

Crise de mobilidade, megaeventos no Rio de Janeiro

A edição 14 da revista eletrônica de estudos urbanos e regionais e-metropolis, traz o texto “Transformações urbanas e crise da mobilidade urbana no Brasil: hipóteses sobre o caso do Rio de Janeiro no contexto dos megaeventos”. Nesse texto, Juciano Martins Rodrigues trata da questão da mobilidade urbana no Brasil, abordando especialmente as atuais condições de deslocamento no Brasil e na metrópole do Rio de Janeiro, onde já estão acontecendo importantes intervenções no contexto dos chamados megaeventos esportivos. O autor – com a ressalva de que se trata de processos em andamento – procura oferecer elementos para a elaboração de hipóteses sobre os impactos dos megaeventos sobre as cidades brasileiras, em especial aqueles relacionados à mobilidade urbana.

O artigo aponta três principais hipóteses a serem testadas ao analisar as ações e projetos de mobilidade urbana que vêm acontecendo com a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Tais ações e projetos, como aponta o artigo, se orientam por outras lógicas que não a priorização das reais necessidades de deslocamento da população.

Acesse no link a seguir a edição nº 14 da Revista e-metropolis.

http://www.emetropolis.net/

Confira abaixo o resumo do artigo “Transformações urbanas e crise da mobilidade urbana no Brasil: hipóteses sobre o caso do Rio de Janeiro no contexto dos megaeventos”:

O Brasil receberá no contexto dos megaeventos esportivos o maior volume de investimentos em projetos de mobilidade urbana na história do país, permitindo a suposição de que a perspectiva de superar da grave crise existente no país. Considera-se que é necessário avançar na investigação sobre os impactos dos projetos de mobilidade sobre a reestruturação das cidades no contexto desses megaeventos. Em primeiro lugar, a análise dos impactos dos megaeventos no campo da mobilidade deve avaliar a possibilidade real da reprodução do modelo rodoviarista, que orientou historicamente as políticas de mobilidade urbana no Brasil desde a década de 1950. Uma primeira hipótese sobre os atuais projetos reforça-se a ideia de que os modelos de intervenções atende também os interesses de um importante setor da economia. Uma segunda está relacionada diretamente à dimensão do desenvolvimento urbano, considerando que as intervenções no campo da mobilidade urbana caminham na direção da produção, reforço, renovação e resgate de centralidades. No caso do Rio de Janeiro, testar essa hipótese é imprescindível. Os exemplos são bastante claros: Barra da Tijuca (produção de novas centralidades); Zona Sul (reforço de uma centralidade consolidada); e, Área Central que vai do Porto à Santa Tereza (renovação e resgate de uma centralidade decadente). Neste caso reforça a ideia de que essas intervenções atendem muito mais aos interesses do mercado de terras do que as reais necessidades de circulação da população. Por fim, considera-se que as estratégias territoriais adotadas não serão capazes de romper nem minimizar os efeitos da estrutura urbana fortemente segmentada da cidade metropolitana do Rio de Janeiro. Ou seja, muito por conta dos processos que tem a ver com as duas primeiras hipóteses, as intervenções não alterarão a organização do sistema de mobilidade ao ponto de gerar benefícios líquidos à população. Neste último caso, já é possível encontrar muitas indicações (ou sinais) de que o desejo por uma “Cidade Olímpica” poderá produzir uma metrópole cada vez mais desigual.

 

 

 Última modificação em 17-04-2014 18:23:54

 

Tags: , , , ,