A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa promove, no período de 1 a 3 maio em Belo Horizonte, o “Encontro dos Atingidos” com o objetivo de possibilitar um momento de formação política de pessoas direta ou indiretamente atingidas pelas obras de preparação da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 (caso do Rio de Janeiro). Moradores e moradoras de diversas comunidades, favelas e bairros do Brasil se unem para fortalecer a luta contra a violação de direitos.

COMITÊS POPULARES DA COPA

Organizados nas 12 cidades com uma articulação nacional, os Comitês Populares da Copa acompanham as intervenções nas cidades desde 2009 e acumulam conhecimento crítico e embasado sobre os impactos dos megaeventos no país. Agora chega a hora de trocar experiências e organizar ainda mais a luta.

QUEM PARTICIPA

Movimentos sociais e organizações parceiras. Os interessados em participar a sugestão é entrar em contato através do e-mail:

articulacaonacionalcopa@gmail.com

Para mais informações e formas de participação entrar em contato direto com os Comitês Populares nas cidades-sede.

Site da ANCOP

 

Não vai ter moradia? Remoções e despejos nos megaeventos

Se a questão habitacional no Brasil já é grave por si só, a realização da Copa do Mundo 2014 em doze cidades e das Olimpíadas 2016 no Rio de Janeiro agrega um novo elemento: grandes projetos urbanos com extraordinários impactos econômicos, fundiários, urbanísticos, ambientais e sociais. Dentre estes últimos sobressai a remoção forçada, em massa, de 150.000 a 170.000 pessoas (os governos se recusam a dar informações precisas). Dentre os inúmeros casos relatados pelos Comitês Populares da Copa destas cidades, emerge um padrão claro e de abrangência nacional. As ações governamentais são, em sua maioria, comandadas pelo poder público municipal com o apoio das instâncias estaduais e, em alguns casos, federais, tendo como objetivo específico a retirada de moradias utilizadas de maneira mansa e pacífica, ininterruptamente, sem oposição do proprietário e por prazo superior a cinco anos (premissas para a usucapião urbana). Como objetivo mais geral, limpar o terreno para grandes projetos imobiliários com fins comerciais.

Trata-se, via de regra, de comunidades localizadas em regiões que, ao longo do tempo, tiveram enormes valorizações e passaram a ser objeto da cobiça dos que fazem da valorização imobiliária a fonte de seus fabulosos lucros. Mas os motivos alegados para a remoção forçada são, evidentemente, outros: favorecer a mobilidade urbana, preservar as populações em questão de riscos ambientais e, mesmo, a melhoria de suas condições de vida –  mesmo que a sua revelia e contra sua vontade. Como pressuposto mais geral, a ideia de que os pobres não sabem o que é melhor para eles.

As estratégias utilizadas uniformemente em todo o território nacional se iniciam quase sempre pela produção sistemática da desinformação, que se alimenta de notícias truncadas ou falsas, a que se somam propaganda enganosa e boatos. Em seguida, começam a aparecer as ameaças. Caso se manifeste alguma resistência, mesmo que desorganizada, advém o recrudescimento da pressão política e psicológica. Ato final: a retirada dos serviços públicos e a remoção violenta.

Em todas as fases há uma variada combinação de violações aos direitos humanos: direito à moradia e direito à informação nestas situações caminham juntos, como juntas caminhas as violações que se concretizam.

***Trecho extraído do capítulo “Moradia” do Dossiê: Megaeventos e Violações de Direitos Humanos no Brasil.