Em 2019, o projeto Estrutura Social das Metrópoles Brasileiras publicou os primeiros resultados vinculados ao objetivo de aprofundar a análise das categorias sócio-ocupacionais nas metrópoles brasileiras. Nesta primeira etapa, o Observatório das Metrópoles inaugurou o uso da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua (2012-2017) com o objetivo de analisar a estrutura de classe na atual década das metrópoles brasileiras, tendo em vista o processo de inflexão ultraliberal colocado em curso no país a partir de 2015, em especial.

Com a organização do professor Marcelo Ribeiro (IPPUR/UFRJ), da pós-doutoranda Thêmis Aragão e dos pesquisadores Felipe Raitano e Diogo Matos, os núcleos de Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo produziram relatórios descritivos sobre suas metrópoles a partir dos dados da PNAD Contínua, analisando o perfil e o comportamento dos grupos sócio-ocupacionais no período, segundo características demográficas, socioeconômicas e de relações de trabalho.

Belém (PA). Reprodução: Trata Brasil.

Mais recentemente, a análise da Região Metropolitana de Belém (RMB) foi concluída, resultando em um relatório que aprofunda o entendimento das particularidades da RMB quanto à representatividade, ao longo do tempo, das categorias sócio-ocupacionais, sobretudo em relação a como expressaram reflexos da dinâmica econômica do país e da Região Norte. O texto também incorpora a população não ocupada na análise da estrutura de classes da RMB. Nas conclusões, o relatório destaca que a estrutura sugerida pelos dados da PNAD Contínua indica uma metrópole de baixa especialização funcional.

“Embora tenha havido aumento significativo de ocupações em trabalhos especializados e mesmo de nível superior, e destaque para as ocupações artísticas e similares, houve também forte retração de ocupações de dirigentes do setor público, de atividades de supervisão e, curiosamente, de ocupações de agricultores”, aponta o relatório.

A próxima etapa do projeto Estrutura Social das Metrópoles Brasileiras, de cunho mais analítico, focará no comportamento de grupos ocupacionais relevantes da estrutura social, a partir de um horizonte temporal que compreende os Censos de 1980 a 2010 e a PNAD Contínua de 2018.

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