Integrantes do INCT Observatório das Metrópoles organizam GTs no XIX SIMPURB – Simpósio Nacional de Geografia Urbana

Mais de dez pesquisadores e pesquisadoras vinculados aos Núcleos Regionais do INCT Observatório das Metrópoles estarão à frente da coordenação de Grupos de Trabalho (GTs) no XIX Simpósio Nacional de Geografia Urbana (SIMPURB), um dos principais fóruns de debate da Geografia Urbana brasileira. A chamada de trabalhos está aberta até 30 de setembro de 2026. 

A XIX edição do SIMPURB será realizada de 20 a 25 de março de 2027, no Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas (SP). Com o tema “Espaço e tempo na urbanização do século XXI”, o encontro reunirá pesquisadores de diferentes instituições e áreas do conhecimento para discutir os desafios contemporâneos da urbanização, das cidades e do espaço urbano.

Segundo a organização, o evento pretende ampliar o debate sobre os impactos do urbanismo neoliberal nas cidades, abordando questões relacionadas ao direito à cidade, à função social da propriedade, às transformações das periferias urbanas, aos processos de plataformização e às múltiplas formas de resistência e mobilização social que emergem no contexto urbano atual. Mais informações sobre a chamada de trabalhos, inscrições e programação estão disponíveis na página oficial do evento: XIX SIMPURB 2027.

Com uma participação expressiva do Observatório, os GTs coordenados pelos integrantes da instituição irão promover debates sobre temas centrais da agenda urbana brasileira, como desigualdade socioespacial, periferias, agricultura urbana, ecologia política, reestruturação urbano-regional, cidades médias e financeirização da produção do espaço. Em nome dos(as) integrantes da rede, a pesquisadora Denise Elias, do Núcleo Fortaleza, convida a comunidade acadêmica a participar das discussões e submeter trabalhos ao evento. “Venha debater conosco estes temas tão importantes para a sociedade e o território brasileiros”, destacou.

Confira os(as) integrantes do INCT Observatório das Metrópoles que organizam GTs no XIX SIMPURB – Simpósio Nacional de Geografia Urbana:

GT01. Agricultura urbana e equidade na produção do espaço

Heloisa Soares de Moura Costa (UFMG)
Rita de Cássia Martins Montezuma (UFF)
Iara Rafaela Gomes (UFC)
Luciana Corrêa do Lago (UFRJ)
Daniela Adil Oliveira de Almeida (UFMG)

Exercida nas cidades desde tempos imemoriais, a agricultura urbana (AU) constitui prática popular que vem ganhando significativa visibilidade, principalmente quando incentivada por iniciativas coletivas públicas e comunitárias..Experiências de AU buscam resgatar a conexão com a natureza – acesso à terra, à água e outros insumos -; com outras cosmologias; com outras economias populares e solidárias; com perspectivas do cuidado – família, moradia/lote, natureza -; com formas de organização coletiva conectadas ao território; com construção social de mercados, entre outras. A preocupação com acesso universal à alimentação adequada emerge como direito humano fundamental que articula vários elementos da reprodução social: saúde coletiva, segurança alimentar e nutricional, políticas territoriais, redefinição e resgate de políticas públicas, resgate de memória e ancestralidade, práticas cotidianas urbanas e rurais. Teria a AU capacidade de contribuir para restaurar a ruptura metabólica crescente entre urbanização e natureza, de reforçar a construção de uma urbanização mais justa e includente, a partir de sistemas alimentares alternativos, resgatando saberes e práticas populares tradicionalmente invisibilizados – de mulheres, de populações tradicionais, indígenas, de matriz africana? Que importância têm quintais, terreiros, quilombos, hortas comunitárias coletivas ou institucionais, dentre outros espaços naturais e construídos para a sustentabilidade urbana e a saúde coletiva? Que políticas públicas imaginadas ou em curso contribuem nessa direção? Como experiências de AU alimentam estratégias de autogestão, de solidariedade, de mobilização social e articulações em rede, resgatando as periferias como espaços de invenção, epistemologias e não apenas carências? Partindo de perspectivas da ecologia política urbana, da produção do espaço e da reprodução ampliada da vida, o GT convida todes para explorar estas conexões em diálogo com transformações da urbanização contemporânea e com estratégias e conquistas de resistência, cuidado e reinvenção da vida, face às persistentes e cumulativas desigualdades, da intolerável segregação socioespacial, da emergência climática, da intolerância e da violência.

GT02. Agronegócio globalizado, urbanização e reestruturação urbano-regional e das cidades

Denise Elias (UECE)
Mirlei Fachini Vicente Pereira (UFU)
Rogério Leandro Lima da Silveira (UFPEL)
Vicente Eudes Lemos Alves (Unicamp)

O Grupo de Trabalho objetiva aprofundar os debates teóricos e metodológicos sobre as relações entre cidades e regiões produtivas que se alicerçam muito fortemente nas atividades associadas ao agronegócio globalizado, calcadas no tripé reestruturação produtiva, neoliberalismo e capital financeiro. Entre os principais temas que orientam a inscrição de trabalhos neste GT, destacamos: – Produção agropecuária globalizada, relações campo-cidade e reestruturação urbano-regional; – Expansão do agronegócio e da urbanização: agentes, dinâmicas e repercussões nos territórios regionais; – A divisão territorial do trabalho e o funcionamento da rede urbana nas regiões produtivas do agronegócio; – Consumo produtivo do campo, especialização da cidade e circuitos da economia urbana; – A cidade na gestão do agronegócio globalizado; – A produção agropecuária em rede: os circuitos espaciais de produção de commodities; – Agronegócio globalizado e urbanização corporativa; – Especialização em commodities e vulnerabilidade das cidades e regiões; – Desigualdades socioespaciais nas cidades do agronegócio; – Agricultura, logística e circuitos de distribuição urbanos metropolitanos.

GT13. Geografias das lutas e da reprodução social em periferias, favelas e quebradas do Brasil

Thiago Canettieri (UFMG)
Elisa Favaro Verdi (USP)
Timo Bartholl (UFF)
André Santos da Rocha (UFRRJ)

As periferias, favelas e quebradas, enquanto expressões espaciais de r-existência diante da desigualdade social, são marcadas por territorialidades e processos de produção do espaço intimamente relacionados à dinâmica da acumulação de capital. Trata-se de espacialidades que se manifestam como condição das formas capitalistas e a partir das contradições da urbanização capitalista. Apesar disso, podem apontar para formas de subjetividades, de socialização e de organização que desafiam a lógica da urbanização capitalista. Este Grupo de Trabalho propõe colocar em foco o debate sobre os territórios periféricos, favelas e quebradas brasileiras, ressaltando a multiplicidade de formas e processos que as constituem. Buscamos refletir sobre e com as periferias brasileiras a partir da indissociabilidade entre a reprodução das formas sociais capitalistas, as estratégias de reprodução social e as lutas sociais que surgem aqui. O debate proposto articula dimensões fundamentais da geografia urbana: os limites da acumulação; a segregação socioespacial; a vida cotidiana; as micropolíticas da gestão e superação das desigualdades. Nosso objetivo é que, a partir das discussões coletivas do grupo, se possa investigar as transformações da produção do espaço que ocorrem nas periferias, favelas e quebradas. Pretende-se acolher pesquisas que, apoiadas em diferentes metodologias e abordagens teórico-conceituais, possam apontar as tensões, contradições e potencialidades de transformações que são experimentadas no interior dos espaços periféricos frente ao limite do capital. Neste sentido, abre-se a oportunidade de dialogar com diferentes temas, tais como: os movimentos sociais urbanos; a luta pela moradia e as inventividades sociais; a produção e reestruturação de periferias, favelas e quebradas; as disputas hegemônicas frente às periferias; produções culturais periféricas críticas; sociabilidades e gestão alternativa da vida na periferia; a economia popular e crise social; metodologias para leituras das periferias contemporâneas e suas resistências e formas de geração de co-saberes, entre outros.

GT15. Grandes projetos urbanos, financeirização, estado e planejamento corporativo

Demian Garcia Castro (Col. Pedro II)
Luís Renato Pequeno (FAU-UFC)
Maria Beatriz Rufino (FAU-USP)
Paulo Roberto Rodrigues Soares (UFRGS)

O GT tem como escopo debater a complexa relação entre o Estado, corporações e a constituição do “urbano” na contemporaneidade. Em tempos de globalização, financeirização e tecnificação espacial, a produção do espaço urbano oferece um importante objeto analítico: a ação do Estado, em seus diferentes níveis, na atual reestruturação (sócio)espacial das cidades, através dos diferentes ritmos de desenvolvimento técnico-produtivo, de políticas públicas multifocais e das resistências políticas a estas ações e processos de gentrificação. Os grandes gruupos econômicos, associados com as finanças, apoiados por principios de sustentabilidade corporativa e tecnologias digitais, têm viabilizado “projetos urbanos” e renovações de distintas natureza, concebidos agora como espaços concessionados – privatizados. Na atual financeirização ostensiva, o Estado adequa-se continuamente às mutações da realidade político-econômica, articulando sua forma neoliberal com o fortalecimento de suas ações (alicerçadas em parcerias público-privadas), que tem implicado em novos investimentos no urbano, através de grandes projetos em diversas esferas como habitação, logística produtiva e mobilidade urbana. Inclui-se aqui a adoção de tecnologias digitais e a plataformização do urbano. Há uma mudança na relação com o território, que extravasa o campo epistêmico-conceitual e atravessa a própria noção de poder, escala e identidade. Novos territórios e produtos imobiliários emergem a partir desta relação entre Estado, urbanização e capital corporativo. A intenção deste GT é congregar pesquisadores/as que estudem diferentes realidades de gestão urbana para pensar as ações articuladas entre o Estado e o capital corporativo, que impõe aos usos e apropriação dos territórios a necessidade constante de readequação estrutural, com políticas urbanas de planejamento estratégico, “smartização” e plataformização na requalificação e no reordenamento das cidades. A atual urbanização, marcada por meganegócios, empreendimentos corporativos, citymarketing e estratégias público-privadas, é resultado do modelo de desenvolvimento em curso e suas matizes políticos, econômicos, sociais e espaciais, além de estratégias de desregulação/regulação da produção da cidade. Neste campo, entre ideologias e utopias, apontar possibilidades de governança democrática e gestão participativa torna-se uma exigência para todos/as que objetivam construir criticamente novas formas de produção e apropriação do espaço urbano.

GT17. Metrópole, metropolização e dinâmica espacial contemporânea

Sandra Lencioni (USP)
Alvaro Ferreira (PUC-Rio/UERJ)
José Borzacchiello da Silva (UFC)
Felipe Taumaturgo Rodrigues de Azevedo (UERJ)
Edenilson Dutra de Moura (UNIFAP)

O presente Grupo de Trabalho propõe uma imersão crítica sobre a metrópole e a metropolização enquanto processos multiescalares que redefinem a dinâmica espacial contemporânea. Em um cenário de constantes mutações, torna-se importante o repensar do arsenal teórico- metodológico da Geografia Urbana para compreender a superação das estruturas pretéritas e a onipresença das lógicas metropolitanas no espaço geográfico. A análise foca na transcendência do fenômeno metropolitano, cujas características se irradiam para além dos limites tradicionais, reconfigurando o território. A investigação central recai sobre a dinâmica da metropolização do espaço, que tem impulsionado a reestruturação do mercado do solo, e é marcada por uma intensa valorização imobiliária e pela expansão da mancha urbana sobre o rural, integrando-o a lógicas especulativas. Sob a égide de discursos de “revitalização” e “reabilitação”, observam-se processos de exclusão e de gentrificação que desafiam o direito à cidade. Diante desse quadro, este GT convoca esforços acadêmicos para sistematizar reflexões que intercruzem o planejamento urbano e regional e as novas configurações socioespaciais. O SIMPURB apresenta-se como espaço essencial para o avanço desse debate fundamental para a ciência geográfica brasileira.

GT24. Produção imobiliária, segregação socioespacial e insegurança urbana

Eliane Melara (UFF)
Juçara Spinelli (UFFS)
Lívia de Miranda (UFCG)
Maria José Martinelli (UFGD)
Paula Dieb (UFPB)

O contexto contemporâneo tem imposto novas lógicas de produção e apropriação do espaço que vêm ampliando e aprofundando as desigualdades socioespaciais. Deste modo, esta proposta de Grupo de Trabalho visa contemplar três dimensões atinentes a essas dinâmicas em aglomerações urbanas brasileiras: a produção imobiliária, a segregação socioespacial e a insegurança urbana. Tais dimensões podem ser investigadas de diversas formas, em que destacam-se as análises da questão fundiária, dos produtos imobiliários, da atuação e/ou coalizão de agentes produtores do espaço, da expansão urbana, das práticas socioespaciais, dentre outros aspectos que envolvem o processo de produção do espaço. A diferenciação socioespacial, que se manifesta concretamente em estratégias que abrangem desde a elaboração da legislação urbana à ocupação de áreas específicas com empreendimentos autossegregados, repercutem no cotidiano da cidade. O mercado imobiliário se beneficia com o discurso da violência, produzindo espaços residenciais fechados e murados, intensificando os processos de segregação socioespacial. A mídia e as ações policiais dão destaque à violência vivenciada nos vetores espaciais mais empobrecidos do espaço urbano, produzindo uma sensação de insegurança urbana que atinge a cidade como um todo. Sendo assim, o debate do GT ora proposto visa aprofundar as discussões relativas a essas novas dinâmicas urbanas, avançando na produção do conhecimento empírico, teórico-conceitual e metodológico.

GT29. Urbanização, turismo e lazeres

Alexandre Queiroz Pereira (UFC)
Eustogio Dantas (UFC)
Maria Pontes Fonseca (UFRN)
Bertrand Cozic (UFPE)

A urbanização em função dos lazeres e do turismo produz formas- conteúdos em escala regional e intraurbana. Os (eco)resorts, parques temáticos, as arenas esportivas e empreendimentos turístico- imobiliários são indicadores da reprodução do espaço associado a novas formas de acumulação. Eventos festivos e esportivos, práticas marítimas modernas e demais atividades de lazer urbano- metropolitano engendram ambiências e sociabilidades que atribuem novos sentidos à cidade. Mas a dimensão lúdica da vida urbana, segundo Henri Lefebvre, ultrapassa o vasto leque de serviços ofertado pelo segmento. Abrange o uso, através de práticas autônomas e inventivas, utopias de cidade, táticas e apropriações que circunscrevem iniciativas diversas no vasto campo do possível no devir urbano. O conjunto das atividades lúdicas dialoga com a urbanização dispersa, as centralidades, a segregação socioespacial, a espetacularização, a gentrificação, a metropolização do território, dentre outros processos. Neste sentido, convidamos a pensar os conteúdos socioespaciais desdobrados pela dimensão do lúdico na (re)produção do urbano.

Informações sobre o formato e submissões: www.sisgeenco.com.br/eventos/simpurb/2027