É com pesar que comunicamos o falecimento neste 28 de novembro de 2021 de Lícia do Prado Valladares, conhecida como brilhante pesquisadora sobre várias dimensões da realidade urbana e que esteve presente na criação do Observatório das Metrópoles como interlocutora, colaboradora e entusiástica incentivadora.

Doutora em Sociologia pela Université Toulouse I, na França, Lícia foi responsável pela criação do UrbanData-Brasil/CEM, banco de dados para o acompanhamento, registro, classificação e difusão do conhecimento científico sobre as cidades brasileiras.

Prestamos os nossos sentimentos de condolência e solidariedade ao seu marido Edmond Préteceille, seus filhos e familiares.

Como homenagem e para o conhecimento dos jovens pesquisadores, transcrevemos abaixo o comunicado emitido pela Associação Nacional de História Seção Rio de Janeiro (ANPUH-RJ):

No dia 28 de novembro faleceu, em Paris, a socióloga Lícia do Prado Valladares. Lícia fez parte de uma brilhante geração que ressignificou os estudos urbanos brasileiros. Junto com outros saudosos nomes, como Alba Zaluar e Luiz Antônio Machado da Silva, contribuiu para o enriquecimento das pesquisas sobre o tema em diferentes campos disciplinares. Seu livro “Passa-se uma casa: análise do programa de remoção de favelas no Rio de Janeiro”, lançado em 1978 e oriundo de sua tese de doutorado defendida em 1974 pela Universidade de Toulouse I, é uma referência central e inauguradora. Trata-se de importante análise dos impactos e limites das remoções forçadas dos anos 1960 e 1970 que alteraram significativamente a geografia espacial e social da metrópole carioca. Suas conclusões até hoje influenciam os debates presentes em dissertações e teses sobre a ditadura militar e as favelas, tema que fortuitamente começa a ganhar cada vez mais atenção dos programas de pós-graduação em História. Também foi fundamental na consolidação da pesquisa acadêmica brasileira, integrando os quadros docentes do antigo IUPERJ, além de lecionar, como convidada ou visitante, em diferentes instituições como USP, UERJ, FGV, Universidade do Texas em Austin, Universidade de Paris 10 Nanterre, e tendo lecionado como professora titular na Universidade de Lille entre 2003 e 2011. Uma de suas mais importantes iniciativas foi a idealização e criação do “Urbandata: banco de dados bibliográfico do Brasil urbano”, cujas atividades atualmente são executadas pela USP coordenada pela prof.ª Bianca Freire-Medeiros. Em 2005, lança o livro “A invenção da favela: do mito de origem à favela.com”, que expande reflexões presentes em artigo publicado no ano 2000 chamado “A gênese da favela carioca: a produção anterior às Ciências Socais”. Nessas duas seminais obras, Lícia elabora uma brilhante interpretação sobre o processo de construção das favelas como categoria de pensamento e figura de representação no imaginário da cidade. Seu pensamento sobre o urbano e sobre os espaços de moradia popular, notadamente as favelas, é de grande influência e marco referencial para a interlocução com a História e demais campos de conhecimento. Nessa singela homenagem, a ANPUH expressa seus sentimentos de condolência e solidariedade para com seus familiares, amigos e inúmeros alunos e orientandos. Diretoria da ANPUH-RJ (biênio 2020-2022).

O Observatório das Metrópoles presta os mais sinceros sentimentos de solidariedade à família e aos amigos.