Núcleo Curitiba contribui com debate sobre mulheres, cidade e segurança em audiência pública

No dia 05 de março de 2026, ocorreu, na Câmara Municipal de Curitiba, a audiência pública “Mulheres, cidade e segurança”, realizada em referência à Semana do Dia Internacional da Mulher. A atividade foi coordenada pelo gabinete parlamentar da vereadora Laís Leão (PDT) e reuniu representantes do poder público, da academia e da sociedade civil para debater os desafios enfrentados pelas mulheres no cotidiano urbano.

Compuseram a mesa representantes da Guarda Municipal, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e de organizações da sociedade civil. A audiência também contou com a participação de mulheres vinculadas a movimentos sociais e de moradoras que trouxeram relatos de suas experiências na cidade.

Contribuições do Núcleo Curitiba apresentam propostas baseadas em pesquisas sobre gênero e cidade

O Núcleo Curitiba do INCT Observatório das Metrópoles, por meio de seu grupo de estudos e pesquisa em habitação, participou da audiência contribuindo com reflexões e propostas fundamentadas nas pesquisas sobre a relação entre gênero e cidade. Como preparação para o encontro, pesquisadoras do grupo sistematizaram um conjunto de temas e propostas a partir de resultados de pesquisas quantitativas e qualitativas, incluindo entrevistas com mulheres de diferentes trajetórias e experiências urbanas.

Créditos: Carlos Eduardo Savzyn (2026).

Durante a audiência, o núcleo foi representado pelas pesquisadoras Constança Lacerda Camargo e Elisa Siqueira, que apresentaram algumas das principais contribuições do grupo. Entre os pontos destacados esteve a importância da transversalidade de gênero nas políticas urbanas, reconhecendo as mulheres como uma categoria plural e ressaltando a necessidade de priorizar aquelas em situação de maior vulnerabilidade social. A partir das pesquisas do núcleo, também foram apresentadas propostas relacionadas a temas como mobilidade, trabalho, habitação e educação, buscando evidenciar como diferentes dimensões da vida urbana impactam as condições de segurança e autonomia das mulheres na cidade.

Relatos diversos evidenciam os desafios enfrentados pelas mulheres no espaço urbano

Além das contribuições do núcleo, a audiência reuniu diferentes perspectivas sobre a relação entre mulheres e segurança na cidade. A arquiteta Daniela Mizuta, do IPPUC, apresentou levantamentos de dados e algumas iniciativas do instituto voltadas à incorporação da dimensão de gênero no planejamento urbano. Já Andreia Lima, liderança comunitária do bairro Parolin, trouxe a perspectiva das mulheres periféricas sobre a segurança pública, relatando, por exemplo, como operações policiais podem interferir no cotidiano das moradoras ao restringir acessos e gerar situações de insegurança.

Outras participantes também compartilharam experiências diversas, abordando temas como os desafios enfrentados por mulheres com deficiência, situações de abandono por parte de parceiros, as preocupações de mães com a segurança das filhas no espaço público, o medo de estudantes de circular à noite nas proximidades do campus da UFPR, além de relatos sobre negligência no atendimento à saúde, violência nas relações afetivas e o impacto do racismo na restrição da circulação de mulheres negras na cidade.

A diversidade de falas evidenciou como as experiências de insegurança urbana atravessam diferentes dimensões da vida cotidiana das mulheres, reforçando a importância de incorporar a perspectiva de gênero de forma estruturante nas políticas urbanas.

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