Núcleo Rio de Janeiro reúne cerca de 50 participantes em curso sobre adaptação climática

Chegou ao fim o curso “Pensar o planejamento urbano frente às mudanças climáticas”, iniciativa do Núcleo Rio de Janeiro do INCT Observatório das Metrópoles, vinculada ao Projeto AdaptAÇÃO. Realizada entre os dias 1º de junho e 15 de julho, a formação reuniu cerca de 50 participantes para refletir sobre os desafios que as mudanças climáticas impõem às cidades brasileiras e o papel do planejamento urbano na construção de territórios mais resilientes e justos.

Para Laisa Stroher, professora do curso e pesquisadora do núcleo, foi uma agradável surpresa a adesão e a diversidade dos participantes. Ela enfatizou que o maior ganho foi os contatos e as redes que se formaram a partir da atividade.

“O curso agregou muitos gestores públicos, não só da cidade do Rio de Janeiro, mas da Baixada Fluminense e do interior. Teve, inclusive, gestores de outros estados participando, mas também pesquisadores de graduação, pós-graduação e ativistas que estão tentando mobilizar essa agenda ambiental climática urbana nos seus municípios e nos seus bairros”, ressaltou. 

Ao longo dos encontros foram debatidos temas relacionados às desigualdades socioespaciais, aos riscos ambientais e às vulnerabilidades urbanas agravadas pela crise climática. O curso também abordou conceitos, políticas públicas e estratégias de adaptação e mitigação, promovendo o intercâmbio de experiências e o fortalecimento do debate sobre justiça climática e participação social.

Conforme Stroher, a importância da articulação entre diferentes setores, para além de fazer os atores da universidade, de movimentos sociais e gestores se encontrarem, foi debater essa integração desejada entre planejamento urbano e planejamento ambiental e climático. “Colocar esses agentes em contato para pensar juntos foi um grande legado do curso”, observou. 

Uma das alunas, a professora Helena El-Hage, comentou sua percepção sobre as aulas e salientou que, como professora, adoraria receber a experiência do curso dentro da escola, conectando a discussão sobre mudanças climáticas ao papel da educação.

“Mas uma questão que ficou para mim era: quem está realizando esse trabalho de educação ambiental? Como era essa relação com a educação e com a escola? Foi muito interessante ouvir a experiência de todos e todas, de como trabalham dentro da educação pensando adaptação e do papel da educação dentro disso”, pontuou.

Justiça climática, ação coletiva e diversidade de atores sociais

O também professor do curso e integrante do Bloco Afro Batikum Ilú Odara, Caio Cesar, conectou justiça climática, ação coletiva e diversidade de atores sociais, temas centrais do curso. “Pensar na cidade e na justiça climática não é só pensar no ato de cuidar do problema quando o problema já está acontecendo. Mas, sim, em readaptar a sociedade para que esses problemas não tornem a acontecer”, analisou. Para ele, a articulação entre diferentes setores foi de extrema importância. “O curso abordou como a cidade, as prefeituras, o Estado, as organizações da sociedade civil, os coletivos e as universidades conseguem se integrar para fazer uma cidade ecologicamente equilibrada e mais justa para a sua população”, mencionou. 

Segundo ele, a diversidade dos participantes também chamou a atenção. “Foi um público bem diverso. Muita gente de arquitetura, mas também que está nos coletivos pensando a cidade, o meio ambiente e a justiça climática. Fazer justiça climática não é uma coisa unilateral, acaba sendo interdisciplinar”, concluiu Cesar. 

O encerramento da formação marcou mais uma etapa do Projeto AdaptAÇÃO, que busca ampliar a reflexão crítica sobre os impactos das mudanças climáticas nos territórios urbanos e contribuir para a construção de agendas de planejamento comprometidas com a sustentabilidade, a redução das desigualdades e o fortalecimento da participação cidadã.

A atividade foi realizada no SINTSAÚDERJ, no centro do Rio de Janeiro, e contou com certificação emitida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A iniciativa teve organização do Núcleo Rio de Janeiro do INCT Observatório das Metrópoles e apoio do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), da UFRJ, do Fórum Nacional de Reforma Urbana, da Central de Movimentos Populares (CMP), entre outros.

Confira as fotos da aula de encerramento do curso AQUI.