Observatório na Conferencia COES 2015: conflitos urbanos e territoriais

O professor Orlando Alves dos Santos Jr. é o representante do INCT Observatório das Metrópoles na Conferência Anual COES 2015, que está sendo realizada entre os dias 17 e 20 de novembro em Santiago do Chile, na Universidade Diego Portales da Pontifícia Universidade Católica do Chile.

Com o tema Conflitos urbanos e territoriais: desafiando a coesão social?, o evento busca ampliar as questões relacionadas com os conflitos e a coesão social baseada na dimensão espacial e territorial. Adotando uma perspectiva multiescalar e interdisciplinar, a conferência visa proporcionar as bases para discutir a relação entre os conflitos sociais e suas dimensões territoriais, como também o espaço para o debate sobre segregação e desigualdade nos processos urbanos.

Nesse contexto o Centro de Estudos de Conflito e Coesão Social (COES) contará na sua conferência com nomes de destaque internacionais na área da pesquisa sobre conflitos urbanos, como:

TIM Butler, Júlio Dávilla, Jamie Peck, Tom Slater Astrid Ulloa, Richard Webber.

O professor Orlando Alves dos Santos Jr. (Observatório/IPPUR/UFRJ) participará da Sessão Impactos territoriais da segregação, gentrificação e desigualdade, no qual apresentará o paper: “A Cidade Olímpica do Rio de Janeiro: impactos territoriais do ajuste espacial neoliberal”.

Veja no link a seguir a programação completa da Conferência COES 2015.

A seguir a Introdução do artigo de Orlando dos Santos Jr. e Patrícia Ramos Novaes apresentado no evento.

Introdução

Argumenta-se neste artigo que estão em curso diversas mudanças na cidade do Rio de Janeiro, que caminham na direção do que pode ser caracterizado como uma urbanização neoliberal, envolvendo um processo de destruição criativa de estruturas urbanas, de arranjos institucionais de gestão e de regulações do espaço urbano.

Em especial, há que se considerar o contexto de preparação da cidade do Rio de Janeiro para receber dois megaeventos esportivos, a Copa do Mundo de 2014, e os Jogos Olímpicos de 2016. Parece haver fortes indícios de que esses dois megaeventos estão associados a profundas mudanças na reestruturação urbana da cidade e no seu padrão de governança urbana, sustentada por uma coalizão de interesses econômicos, políticos e sociais que conduz esse projeto. Tomando como base a concepção de neoliberalização como processo, o objetivo deste artigo é discutir os impactos espaciais, ou o ajuste espacial nos termos propostos por Harvey (2005), decorrentes da crescente adoção do empreendedorismo urbano e da urbanização neoliberal na cidade do Rio de Janeiro.

Este ajuste espacial seria expresso pela reconfiguração urbana de certos espaços, notadamente a Barra da Tijuca, a Área Portuária e a Zona Sul, apontando na direção do aprofundamento das desigualdades socioespaciais da cidade do Rio de Janeiro e para possíveis processos de gentrificação. As mudanças em curso parecem estar em grande medida legitimadas discursivamente pela realização desses megaeventos e do suposto legado social que os mesmos seriam capazes de proporcionar à cidade, o que permite interpretar estas mudanças como um projeto de modernização neoliberal.

Para alcançar o objetivo proposto, o artigo está estruturado em três partes. Na primeira, busca-se refletir sobre a emergência da governança empreendedorista e da urbanização neoliberal no contexto específico da cidade do Rio de Janeiro. Dando sequência, na segunda parte, busca-se refletir sobre o papel exercido pelo poder público na promoção das transformações verificadas, não se restringindo a viabilizar os projetos de renovação urbana a serem promovidos pelo capital privado. Nessa perspectiva, a Prefeitura do Rio de Janeiro aparece como o principal promotor dos projetos de renovação urbana que estão sendo implementados, atuando de diversas formas, envolvendo a articulação ou elaboração dos projetos, o financiamento direto de diversas intervenções, a concessão de incentivos fiscais e isenções de impostos para a atração dos empreendimentos privados, a instituição de parcerias público-privadas e a adoção de novos arranjos institucionais de gestão do espaço urbano e de mudanças na legislação anteriormente vigente, em especial aquela relacionada aos parâmetros construtivos.

Na terceira parte, busca-se refletir sobre a relação entre as transformações nas configurações urbanas vinculadas à Barra da Tijuca, a Área Portuária e a Zona Sul e os processos de valorização imobiliária, envolvendo possíveis processos de gentrificação e elitização social na cidade do Rio de Janeiro.

Não se pode deixar de registrar, pelo fato de muitas destas transformações ainda estarem em curso, que as análises delineadas neste ensaio se constituem simultaneamente em resultados parciais de pesquisa e hipóteses a serem desenvolvidas.

Leia também:

A modernização neoliberal na Metrópole do Rio de Janeiro

Última modificação em 16-11-2015 16:43:47

 

Tags: , , ,