A mais recente edição da revista acadêmica Reoriente (v. 5, n. 1, 2025), dedicada ao dossiê “BRICS e o Sul Global: Parte I”, publicou uma resenha da obra A nova urbanização dependente no capitalismo rentista-neoextrativista, organizada por Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, coordenador nacional do Observatório das Metrópoles, e Nelson Diniz, pesquisador da rede e professor do Colégio Pedro II.
Assinada pelo sociólogo e pesquisador do Núcleo Norte Fluminense do INCT Observatório das Metrópoles, Guilherme Vasconcelo, a resenha destaca a relevância da coletânea para a compreensão das transformações urbanas contemporâneas na América Latina e para o debate sobre dependência, financeirização e neoextrativismo no século XXI.
A publicação da resenha na Reoriente adquire significado especial por integrar uma edição voltada aos desafios do desenvolvimento no Sul Global e às novas configurações do capitalismo contemporâneo. Além de reunir contribuições de pesquisadores como Maribel Apunte Garcia, Patrick Bond, Fernando Horta, Márcio Pochmann, Luis Fernando Vitagliano e Daniel Azevedo Muñoz, o dossiê aborda temas relacionados às mudanças geopolíticas, econômicas e sociais que marcam a atual conjuntura internacional.
A resenha de Vasconcelo destaca que o livro representa um esforço coletivo para compreender a relação entre urbanização e dependência na periferia do capitalismo. A premissa é de que as particularidades históricas do Brasil e da América Latina exigem uma reflexão própria sobre as relações entre formação econômico-social e ordem urbana, superando a simples importação de teorias produzidas nos países centrais. Para os organizadores, compreender a urbanização contemporânea requer analisar os vínculos entre financeirização, atividades primário-exportadoras, logística, mercado imobiliário e as novas formas de dependência econômica.
Estruturada em cinco partes, a obra percorre temas como os fundamentos teóricos da nova urbanização dependente, as dinâmicas demográficas e imobiliárias, os impactos do neoextrativismo sobre os territórios, a urbanização logística e os conflitos e alternativas produzidos por esse modelo de desenvolvimento. A resenha destaca especialmente a capacidade do livro de articular diferentes escalas de análise, do local ao global, para compreender os efeitos do capitalismo rentista-neoextrativista sobre as cidades e regiões latino-americanas.
Ao final, Vasconcelo avalia que a coletânea não apenas contribui para aprofundar o debate sobre as transformações urbanas no Brasil e na América Latina, mas também reafirma a atualidade da teoria marxista da dependência como ferramenta para interpretar os processos de financeirização e as novas formas de inserção subordinada dos países periféricos na economia mundial. Para o autor, trata-se de uma obra de referência para pesquisadores, gestores públicos e todos aqueles interessados em compreender os desafios urbanos e regionais do século XXI.
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