Revista Cadernos Metrópole abre chamada de artigos para as próximas edições

A revista Cadernos Metrópole, um dos principais produtos do Observatório das Metrópoles, lançou duas chamadas de artigos para os próximos números da publicação.

A primeira se refere ao dossiê nº 51, intitulado “Geografia do Ressentimento”. Com organização de João Ferrão, coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, o dossiê visa suscitar estudos e comparações em que o conceito de ressentimento político é utilizado para entender as espaço-temporalidades das percepções e práticas políticas dos cidadãos.

Confira a apresentação completa:

Análises da geografia do voto (eleições, referendos), estudos de movimentos sociais inorgânicos (manifestações sem lideranças explícitas) e pesquisas de opinião sobre a confiança dos cidadãos nas instituições, nos partidos e nos políticos revelam uma erosão crescente da democracia representativa. Em países de vários continentes aumenta o descontentamento com as lideranças, os partidos, as organizações e as práticas políticas da democracia liberal. Esse descontentamento traduz-se num apoio a partidos populistas e antissistema, a soluções nacionalistas, e a lideranças autoritárias ou protofascistas.

Diferentes estudos têm tentado entender quem são essas pessoas e o que as move. O ressentimento político mobiliza sobretudo os abandonados do capitalismo urbano-industrial, os esquecidos do capitalismo global metropolitano-financeiro, os que viram a sua recente mobilidade ascendente interrompida e, ainda, ex-militantes e sindicalistas descrentes do papel dos partidos de esquerda no combate aos impactos negativos da globalização na vida econômica (desemprego, diminuição de rendimento) e social (perda de valores tradicionais, recuo do estado social, implosão do estado-nação) do cidadão comum.

Neste contexto, as metrópoles são percebidas como os territórios onde residem os grupos odiados: a elite política, distante do povo e corrupta; a elite financeira, representante do capital sem pátria e sem visão nacional; os imigrantes, favorecidos pelas políticas públicas apesar de contribuírem para aumentar a insegurança física, social e cultural. Para muitos dos que vivem em áreas rurais ou pequenos centros urbanos, o ressentimento político contra os vencedores é também o ressentimento contra as grandes cidades.

Esse número visa suscitar estudos e comparações em que o conceito de ressentimento político constitui uma lente para entender as espaço-temporalidades das percepções e práticas políticas dos cidadãos que valorizam o combate aos grupos odiados e ao que consideram ser o seu potencial destrutivo das nações, em detrimento da construção de uma visão transformadora progressista das relações sociedade-economia-natureza.

A data-limite para envio dos trabalhos é 30 de agosto de 2020. A chamada completa (em português, espanhol e inglês), pode ser consultada abaixo:

Já a segunda chamada se refere ao dossiê nº 52, intitulado “Metrópole e Saúde”. Com organização de José Carvalho de Noronha, coordenador do projeto Brasil Saúde Amanhã da Fiocruz, a publicação objetiva refletir sobre a relação da metropolização e o processo de saúde e doença.

Confira a apresentação completa:

A metropolização no Brasil se deu de forma muito rápida e desordenada, acompanhando processos de industrialização tardia e de transições demográficas e epidemiológicas aceleradas. Nos anos 1980, a maior parte da população já habitava as áreas urbanas e, nos dias de hoje, segundo as últimas estimativas populacionais do IBGE, aproximadamente 120 milhões de pessoas, ou seja, quase 60% dos brasileiros residem em arranjos espaciais metropolitanos.

Nesses espaços, marcados pela desigualdade social e pobreza, são inúmeros os problemas, que se expressam em: dificuldade de acesso a moradia e a serviços públicos essenciais (como os de saúde e de saneamento básico), distribuição espacial desordenada da população com ocupação de áreas de risco, impermeabilização exagerada do solo, enchentes, poluição do ar, contaminação de recursos hídricos, ocupação de áreas ambientalmente frágeis, entraves na mobilidade urbana, altos índices de violência e acidentes, entre outros. Além disso, com o avanço do envelhecimento populacional, mais intenso nas metrópoles, doenças cardiovasculares e neoplasias, ademais da dimensão dos cuidados e necessidade de espaços de lazer para a pessoa idosa, colocam novos desafios.

Todos esses fatores repercutem sobre o processo saúde doença e atingem mais intensamente as camadas menos favorecidas da sociedade e os idosos, com implicações para as políticas públicas, a organização e a gestão de sistemas e serviços de saúde. A pandemia de COVID-19 exemplifica essas questões. As metrópoles são os espaços onde a disseminação do vírus é mais expressiva, seja pelo maior adensamento populacional ou pelo papel de articulação das redes urbanas regionais e mesmo nacionais em alguns casos. As desigualdades intra e interurbanas condicionam diversos ciclos de propagação e formas de controle da doença. Nessa situação específica, aqueles com dificuldade em acessar serviços de saúde de qualidade, como observado nos EUA, Itália, Espanha e Reino Unido, são os que mais padecem com a doença. Ameaça que atinge com dramaticidade as periferias e comunidades pobres no Brasil.

O objetivo dessa chamada é estimular a reflexão sobre a relação da metropolização e o processo de saúde e doença, convidando pesquisadores de diversas áreas do conhecimento – Estudos Urbanos, Saúde Coletiva, Medicina, Psicologia, Saneamento Ambiental, Economia, Geografia, Demografia, Mobilidade Urbana, Sociologia, entre outros, estimulando a reflexão inter e multidisciplinar –, a apresentarem artigos que contribuam para essa discussão.

A data-limite para envio dos trabalhos é 30 de setembro de 2020. A chamada completa (em português, espanhol e inglês), pode ser consultada abaixo:

 

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