Está disponível a Revista Eletrônica de Estudos Urbanos e Regionais e-metropolis nº 43, cujo artigo de capa aborda as dinâmicas e os processos de transformação urbana em Milão, a partir do bairro de Porta Venezia. A edição também traz mais cinco artigos, além de seção especial e ensaio fotográfico.

Ilustração de Marianna
Olinger, artista, pesquisadora e
educadora.

Seguindo as comemorações dos 10 anos, a revista traz duas mensagens especiais. A primeira destaca a perspectiva transdisciplinar da política editorial da publicação, além dos apoios institucionais e a contribuição das pessoas responsáveis pela concepção e condução da e-metropolis ao longo de sua trajetória. Já a segunda mensagem, escrita por Robert Pechman (doutor em História pela UNICAMP e professor do IPPUR/UFRJ), ressalta o papel da revista na “captura” de uma compreensão de cidade plural e coletiva, na disseminação de utopia(s) que repensem a “dinâmica da vida urbana”, a “governança da cidade” e o “estudo da metrópole”.

O artigo que abre esta edição, escrito por Giuliana Costa e Andrea Barcellesi, traz uma discussão que articula as relações entre sexualidades não-heterossexuais, comércio e consumo, tomando como recorte empírico um bairro de Milão (Itália). Intitulado “Dinâmicas e processos de transformação urbana em Milão: finalmente um “gay district”?”, o texto evidencia como a presença LGBT+ articula e rearticula, influencia e é influenciada pelas metamorfoses nos espaços de lazer.

Em “A formação da colônia israelita e as formas simbólicas espaciais”, Enderson Albuquerque e Miguel Angelo Ribeiro investigam a constituição da presença judaica em Nilópolis (RJ) e suas influências na dinâmica territorial. O artigo aponta que esses espaços, embora tenham sido marcas territoriais de relevância social e econômica da presença dessa colônia no passado, atualmente encerram apenas manifestações de natureza memorísticas no espaço nilopolitano.

A relação entre as políticas de remoção de favelas e o processo de metropolização carioca, em termos de distribuição populacional e fragmentação e segregação espacial, é a questão analisada por Vivian Gomes no texto “O remocionismo e seus reflexos na metropolização do Rio de Janeiro: uma análise sobre os programas habitacionais das décadas de 1960 e 1970”.

Ainda sobre o tema da metropolização, agora em Salvador, Heibe Santana da Silva e Gilberto Corso Pereira tecem uma análise sobre a distribuição espacial de infraestrutura, equipamentos e serviços de modo a avaliar os graus de justiça espacial, como mostra o artigo “Índice de justiça espacial na Região Metropolitana de Salvador: cartografia das diferenças socioespaciais”.

Em “Da jaula de aço à fabricação do homem-empresa: notas de leitura acerca do capitalismo e de seu “espírito””, Gustavo Vitti apresenta um breve panorama sobre as transformações operadas no âmbito da lógica capitalista, destacando as formas de condução de condutas, que vão da ética protestante (em Weber) até o empresariamento de si (em Dardot e Laval).

No último artigo deste número, intitulado “Relações entre burocracia e sociedade na regularização fundiária de interesse social”, Germano Coelho e Fabiana Saddi discutem a política de regularização fundiária, implementada pela Agência Goiana de Habitação (Agehab), no bairro São Domingos, em Goiânia, utilizando como método process-tracing do tipo explicação de resultado, além de entrevistas com agentes públicos e atores comunitários.

A seção especial apresenta o trabalho de Paul Melo e Castro, intitulado “Mais-Valias em Trier”. Em visita a esta cidade alemã, o autor faz uma interessante reflexão sobre as relações entre turismo e cidade, valendo-se do cruzamento entre a fotografia de rua e o turismo enquanto práticas visuais.

Finalizando esta edição, Erica Modesto e Fernando de Souza nos apresentam o ensaio fotográfico “(Ocup)ação urbana e seu desdobramento habitacional”, no qual registram as formas de morar em uma ocupação do Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST), em Aracaju (SE), prática integrante da luta pelo direito à cidade.

Resistir: A construção é cotidiana (Aracaju, 2018). Foto de Erica Andrade Modesto e Fernando Antônio Santos de Souza.

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Publicada trimestralmente pelo Observatório das Metrópoles, a revista e-metropolis tem por objetivo suscitar o debate e incentivar a importância da difusão e divulgação científica do campo dos estudos urbanos e regionais.

As edições mantêm uma estrutura composta por duas partes. Na primeira, encontram-se os artigos estrito senso, que iniciam com um artigo de capa, no qual um especialista convidado aborda um tema relativo ao planejamento urbano e regional e suas interfaces, seguido dos artigos submetidos ao corpo editorial da revista e aprovados por pareceristas, conforme o formato blind-review.

Já a segunda parte é composta, em geral, por entrevistas, resenhas de obras recém-lançadas (livros e filmes), seção especial – que traz a ideia de um texto mais livre e ensaístico sobre temas que tangenciem as questões urbanas – e, finalmente, ensaio fotográfico, que faz pensar sobre as questões do presente da cidade por meio de imagens fotográficas.