O Núcleo Salvador do Observatório das Metrópoles se inseriu na rede de pesquisa do Observatório em 2003, com a reunião de três pesquisadores seniores vinculados a unidades de larga tradição na produção de análises sobre a realidade regional e nacional: o Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades (CRH) da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, o Laboratório de estudos avançados em Cidade, Arquitetura e tecnologias Digitais (LCAD) e o Laboratório de Habitação (LabHabitar), estes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Formou-se, assim, um núcleo interdisciplinar reunindo especialistas nas áreas de população, condições ocupacionais, espaço urbano, geografia e geoprocessamento, que começou a trabalhar na preparação de dados censitários e em outras atividades associadas ao projeto nacional do Observatório das Metrópoles.
Um dos primeiros resultados do trabalho foi uma publicação tratando da segregação socioespacial em Salvador (Carvalho, Pereira e Souza, 2004) tema que vem sendo objeto de estudos do núcleo desde então. Com o apoio de um projeto PRONEX/FAPESB, aprovado em 2004 e coordenado à época, pela Professora Inaiá Carvalho, durante um período de três anos o núcleo desenvolveu um conjunto amplo de estudos sobre as condições econômicas, populacionais, sociais e urbanas de Salvador e de municípios que compõe a sua região metropolitana, com base principalmente nos microdados dos censos de 1991 e 2000. Inaiá Carvalho coordenou o núcleo desde seu início até 2019, quando a coordenação geral passou a ser exercida por Gilberto Corso.
O projeto de 2004 consolidou a participação do Núcleo Salvador na rede nacional do Observatório. Os resultados dessa pesquisa, que foi desenvolvida por equipe multidisciplinar, contribuiu para um um melhor entendimento de questões como as transformações socioespaciais da cidade e dos processos de segregação urbana a partir da década de oitenta; as características e a evolução da estrutura social no período, das desigualdades e da pobreza em Salvador; os efeitos das desigualdades e da segregação urbana sobre a formação de atores sociais e sobre a cultura cívica local; o impacto das transformações e condições detectadas sobre o poder local e sobre a governança urbana.
Os resultados da pesquisa deram origem a várias publicações tratando de temas como, por exemplo, dinâmica metropolitana e segregação socioespacial (Carvalho e Pereira, 2007) e parte desses estudos foi reunida na primeira e na segunda edição do livro “Como Anda Salvador e sua Região Metropolitana”, organizado por Inaiá Carvalho e Gilberto Corso Pereira e publicadas pela EDUFBA (Carvalho e Pereira, 2006, 2008).
A primeira edição do livro teve uma acolhida generosa e esgotou-se rapidamente. A segunda edição manteve os seus propósitos originais de alcançar tanto a academia como um público mais amplo, mas não o mesmo conteúdo. Os capítulos sobre a evolução da economia de Salvador e a formação de sua área metropolitana, sobre as condições demográficas e sobre as condições de vida, violências e extermínio, de autoria dos professores Paulo Henrique de Almeida, Cláudia Monteiro Fernandes e Jairnilson Paim, não chegaram a sofrer alterações. Mas, com a continuidade e o avanço dos trabalhos de pesquisa sobre a RMS, tornou-se possível aprofundar e atualizar as discussões referentes à segregação e dinâmica metropolitanas, às condições de ocupação e renda, habitação e infraestrutura, assim como às condições institucionais de cooperação entre os municípios que compõem a RMS, desenvolvidas pelos professores Gilberto Corso Pereira, Inaiá Carvalho e Celina Souza. Além disso, o livro foi enriquecido com mais dois capítulos, abordando a questão dos espaços públicos e o impacto do setor imobiliário turístico na conformação mais recente da região, de autoria dos professores Ângelo Serpa, Sylvio Bandeira de Mello e Silva, Barbara-Christine Nentwig Silva e Silvana Sá de Carvalho.
Antes da elaboração de um novo projeto de longo prazo, o núcleo desenvolveu estudos sobre os processos de mercantilização do espaço urbano objeto de publicações em 2010 e 2013 em periódicos internacionais como Estudios Demográficos Y Urbanos e a revista EURE (Carvalho e Pereira, 2010 e 2013).
Um segundo projeto estruturante do Núcleo foi o denominado “Metrópoles na Atualidade Brasileira: a Região Metropolitana de Salvador”. Foi elaborado em resposta a um edital CNPq/FAPESB também integrando um programa de Núcleos de Excelência – PRONEX. O projeto foi apresentado e aprovado em 2011 e poderia ser caracterizado como uma continuidade do projeto lançado em 2004. O projeto foi coordenado pelo prof. Sylvio Bandeira de Mello e Silva, no período 2012-2015. Teve como meta atualizar e avançar na análise da realidade metropolitana, enfocando fenômenos como os da segregação socioespacial, problemas habitacionais, precariedade ocupacional e vulnerabilidade social, com base principalmente nos dados do Censo de 2010 e em pesquisas diretas sobre a configuração espacial dessa região. Além disso, foram abordados aspectos da questão metropolitana ainda insuficientemente estudados e conhecidos, como a problemática da expansão de rede urbana, habitação popular, violência, meio ambiente, turismo e impactos dos grandes equipamentos e investimentos sobre o território metropolitano.
Os resultados desse projeto foram bastante expressivos podendo se destacar dentre diversas produções acadêmicas e cientificas a publicação dos seguintes livros. Em 2014 foi publicado “Salvador: transformações da ordem urbana” editado por Inaiá Carvalho e Gilberto Corso Pereira (Carvalho e Pereira, 2014) e integrante da coleção organizada pela rede nacional, e “Metrópoles na Atualidade Brasileira: transformações, tensões e desafios na Região Metropolitana de Salvador”, organizado pelos pesquisadores Inaiá Carvalho, Sylvio Bandeira de Mello e Silva, Gilberto Corso Pereira e Angela Gordilho; em 2016 foi publicado o livro “Transformações Metropolitanas no século XXI: Bahia, Brasil e América Latina”, resultado de seminário internacional com o mesmo nome organizado pelo grupo. O livro foi organizado por Sylvio Bandeira, Inaiá Carvalho e Gilberto Corso Pereira. Este livro teve contribuições de pesquisadores de outros núcleos regionais do Observatório das Metrópoles e pesquisadores internacionais.
Em 2015 o núcleo elaborou, por solicitação da Fundação Mário Leal Ferreira da Prefeitura Municipal de Salvador, estudos para subsidiar a elaboração de planos e políticas públicas. A iniciativa se propôs a analisar as condições e transformações demográficas, sócio-econômicas e urbanas que vêm marcando a transformação da cidade nas primeiras décadas do século XXI, para formular algumas hipóteses e construir cenário sobre a sua provável evolução no futuro próximo, com base em dados e interpretações sobre a trajetória e as características atuais da capital baiana, como subsídio ao planejamento urbano e o desenvolvimento de políticas públicas.
Estes estudos deram origem ao livro “Salvador no século XXI: transformações demográficas, sociais, urbanas e metropolitanas – cenários e desafios” que enfrentou uma questão aparentemente simples. Qual será o futuro possível de Salvador se forem mantidas as atuais tendências demográficas, sociais, econômicas, e de desenvolvimento espacial? Para elaborar hipóteses que possam responder de forma plausível a esta questão partiu-se da constatação de um conjunto, historicamente construído, de problemas urbanos e metropolitanos da Salvador de 2015, que são um verdadeiro legado para sua evolução futura. O livro, embora tenha contado com múltiplos colaboradores, não é exatamente uma coletânea de trabalhos independentes nem se constituiu tampouco como um livro autoral, mas sim como uma publicação composta a partir das diversas colaborações. Foi editado por Gilberto Corso Pereira, Sylvio Bandeira e Inaiá Carvalho e lançado em 2017 com versão impressa e como e-book.
Os resultados positivos deste estudo justificaram uma nova demanda da Fundação Mário Leal Ferreira em 2018 solicitando ao núcleo a elaboração de uma visão do futuro de Salvador que possa embasar a elaboração de planos e políticas públicas, projeto iniciado no segundo semestre de 2018 e concluído em 2020.
Além dos projetos locais, o núcleo Salvador participou ativamente do Projeto INCT “AS METRÓPOLES E O DIREITO À CIDADE: plataforma de conhecimento, inovação e ação para o desenvolvimento urbano”. Entre 2020 e 2024, período de finalização do INCT foram produzidas as publicações “Refoma Urbana e Direito à Cidade – Salvador” e o Observatório das Metrópoles nas Eleições: um outro futuro é possível – Salvador.
As ligações institucionais do Núcleo Salvador se articulam através de laboratórios, centros de pesquisa e programas de pós-graduação da UFBA desde o seu início, em 2003, e a partir de 2011 também da Universidade Católica de Salvador (UCSal). Destacamos aqui os nós centrais dessa rede: Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades (CRH); Laboratório de estudos avançados em Cidade, Arquitetura e tecnologias Digitais (LCAD); Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU), todos da UFBA.
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