Promovido pelo Observatório das Metrópoles, teve início na última segunda-feira, 05, o Seminário “O Direito à Cidade em Tempos de Inflexão Ultraliberal”. O evento ocorrerá ao longo de três semanas – segue até o dia 20 de abril – e terá 12 mesas redondas, com o objetivo de apresentar os resultados de projetos de pesquisa, aliando a perspectiva teórica com a possibilidade de incidência da rede. A mesa de abertura, intitulada “O futuro das metrópoles e as metrópoles no futuro”, teve o intuito de apresentar a proposta de reflexão central do evento: qual o futuro das metrópoles e como se desenharão as metrópoles no futuro?

Para Luiz Cesar Ribeiro, coordenador nacional do Observatório, é de suma importância a proposição de discutir o futuro das metrópoles nesse momento de tantas incertezas e medos em decorrência da pandemia, aliado à catastrófica e genocida política do Governo Federal em relação a essa tragédia nacional. “Há a necessidade de pensar mais amplamente em tempo e espaço, em como essas transformações estão se acelerando nessas múltiplas crises que se combinam. Pensar políticas sociais e econômicas que apontem novos modelos civilizatórios, já que essa pandemia revela um modelo capitalista”, ressaltou Ribeiro. Para ele, é necessário apostar na possibilidade de construir um conhecimento com características utopistas. “Está aberta, apesar das tendências, a afirmação de radicalização dessas formas de capitalismo contemporâneo, neoliberal, rentista e com essa capacidade de extrair mais valia sem estar envolvido nos processos de sua produção”, finalizou Ribeiro.

Participaram da coordenação da mesa, os pesquisadores do Observatório das Metrópoles Núcleo Rio de Janeiro, Thais Velasco e Juciano Rodrigues. Já na parte das apresentações, além de Luiz Cesar Ribeiro, coordenador da rede e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o debate teve da professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora do Núcleo Belo Horizonte, Jupira Mendonça; da professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e coordenadora do Núcleo Natal, Maria do Livramento Clementino; do professor da UFRJ e pesquisador do Núcleo Rio de Janeiro, Orlando Alves do Santos Junior e do professor da UFRJ e coordenador do Núcleo Rio de Janeiro, Marcelo Ribeiro.

Mesa 01 abordou as “Transformações no mundo do trabalho brasileiro: metropolitano e não metropolitano”

Como tem se configurado atualmente o mercado de trabalho brasileiro referente à sua estrutura ocupacional, especialmente nos espaços metropolitanos? Quais são as consequências das mudanças nessa estrutura ocupacional para a ordem social brasileira e de suas metrópoles? Quais as expectativas de médio e longo prazo? Estes foram os questionamentos abordados na Mesa 01 do Seminário, que ocorreu na terça-feira, dia 06, e contou com a coordenação do professor da UFRJ e coordenador do Núcleo Rio de Janeiro, Marcelo Ribeiro. As apresentações ficaram a cargo da pesquisadora do Núcleo Salvador, Claudia Monteiro Fernandes; do pesquisador do Núcleo Rio de Janeiro, Diogo Matos; da professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e coordenadora do Núcleo Paraíba, Lívia Miranda e da professora da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Núcleo São Paulo, Suzana Pasternak. A comentarista convidada foi a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Carolina Zuccarelli.

O coordenador da mesa, Marcelo Ribeiro, informou sobre a apresentação dos procedimentos e estratégias adotadas para a realização de pesquisa que culminou no livro intitulado “Transformações no mundo do trabalho: análise de grupos ocupacionais no Brasil Metropolitano e Não Metropolitano em quatro décadas”. “Este livro é resultado de uma pesquisa realizada em 2019 e 2020, envolvendo todos os Núcleos da rede que participaram desta atividade de pesquisa e faz parte do programa Estrutura Social das Metrópoles Brasileiras, tema central dentro da organização do Observatório. O estudo buscou compreender as transformações das metrópoles e a organização do território metropolitano”, pontuou Ribeiro.

A pesquisa identificou, por exemplo, que as mulheres seguem ganhando menos que os homens e que a maior escolarização das mulheres não reflete em ganhos no mercado de trabalho. “Os resultados nos desafiam a olhar para a estrutura social e a ordem social construída na intensificação das desigualdades sociais”, concluiu a comentarista da mesa, Carolina Zuccarelli.

Mesa 02 teve o tema “Promovendo o direito à cidade: ativismos e protagonismo nas esferas públicas”

Já no dia 07 de abril, quarta-feira, ocorreu a terceira mesa do evento. O objetivo foi discutir as estratégias e metodologias que têm sido adotadas nos cursos de formação, atividades de assessoria, atuação em fóruns e redes, participação em esferas públicas de discussão de políticas, entre outras. Quem coordenou o debate foi o professor da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Observatório das Metrópoles Núcleo Rio de Janeiro, Orlando Alves dos Santos Junior.

As apresentações foram realizadas pelo professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e vice-coordenador do Núcleo Fortaleza, Renato Pequeno; professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e pesquisador do Núcleo Paraíba, Demóstenes Moraes; pesquisadora do Núcleo Rio de Janeiro e professora da UFRJ, Luciana Lago e pela professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora do Núcleo Belo Horizonte, Júnia Ferrari. O comentarista convidado foi o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e coordenador do Núcleo Belém, Juliano Ximenes.

O coordenador da mesa iniciou os trabalhos afirmando que os pesquisadores estão mobilizados para refletir sobre as estratégias e desafios que existem pela frente. “Como rede de pesquisa, é necessário pensar a relação com os atores sociais e a incidência sociopolítica”, corroborou. Para ele, é importante refletir sobre as insuficiências e desafios da inflexão ultraliberal, aliado à necessidade de recolocar a disputa pelos territórios no centro da estratégia e incidência. “Conseguimos fazer uma reflexão de alto nível em torno dos desafios do ativismo e do protagonismo do Observatório das Metrópoles”, ressaltou.

Durante as apresentações, foi mencionado que o momento é de repensar todas as ferramentas de pesquisa e que o ideário ultraliberal se reflete de diversas formas, especialmente no que diz respeito à participação, onde é notável o enfraquecimento das instituições e esvaziamento de conselhos e assembleias de discussão. A ideia proposta é a de promover encontros de saberes em ações mais efetivas e conseguir reorganizar, para que a ferramenta de diálogo com a sociedade civil não seja esvaziada. Tudo isso com aproximação das comunidades, coletivos e ocupações, fomentando espaços de discussão. Outra importante reflexão foi sobre pensar formas de atuação da universidade com a escolas públicas, desenvolvendo projetos, levando o conhecimento ao território e aplicando tecnologia juntamente com os alunos.

Acompanhe as próximas mesas que completam a Semana 1:

Lembrando que na Semana 2 do evento, a partir do dia 12 de abril, as mesas terão início às 17:30.