Em matéria publicada no jornal Diário do Nordeste, o pesquisador do Observatório das Metrópoles Núcleo Fortaleza, Eustógio Wanderley Dantas, falou sobre o estudo do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC) que mapeou o avanço da COVID-19 em Fortaleza.

Barra do Ceará é um dos bairros mais atingidos pelo novo coronavírus em Fortaleza. Reprodução Diário do Nordeste.

Dantas é o coordenador da pesquisa que aponta como principais pontos de transmissão aeroportos e terminais de ônibus. “A gente chama de primeira onda o contágio pelo uso dos aeroportos. Foi o período em que se deu os primeiros casos em zonas como o Meireles e a Aldeota, bairros de pessoas que possivelmente voltaram de viagem contaminadas e, também, locais onde ficam pontos turísticos da cidade”, explicou.

Já a segunda onda de contágio aconteceu nos terminais de ônibus, com o início da transmissão comunitária. “Essas pessoas passam a levar o vírus para os seus respectivos bairros. A partir daí, podemos observar que o vírus pandêmico não atinge de forma homogênea as demais áreas da cidade, como temos visto um maior índice de óbitos na Barra do Ceará”, pontuou.

O estudo se utilizou dos dados epidemiológicos, casos e óbitos pela doença, obtidos pela base do Sistema Único de Saúde, além de análises do Índice de Vulnerabilidade Social junto à faixa etária dos bairros. Já a observação de dados para a construção do mapa ocorreu desde o início de janeiro, quando ainda não havia confirmação da infecção pelo novo coronavírus no Brasil, até 17 de maio.

Na matéria, Dantas também alerta para uma terceira onda, que se daria nos limites do município, da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), à caminho de cidades como Sobral. “São lugares de alto fluxo e comunicação com a grande metrópole Fortaleza”.

O estudo foi pensado em parceria com outros estados das regiões Norte e Nordeste. Em Fortaleza, participam os laboratórios de Planejamento Urbano e Regional (LAPUR), Geoprocessamento e Cartografia Social (LABOCART) e Climatologia Geográfica e Recursos Hídricos (LCGRH), além da empresa júnior GeoMaps Consultoria, do Programa de Pós-Graduação em Geografia, com apoio do INCT Observatório das Metrópoles.

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