Uma das sedes da Copa, Curitiba promove o 2º (DE) bate-bola

Com o tema “A Universidade e a mobilização em torno dos megaeventos” o Observatório de Políticas Públicas Paraná, com apoio do Observatório das Metrópoles e do Programa de Pós-graduação em Geografia da UFPR, promoveu, no último dia 07 de abril, o II (De)bate-bola.

Na abertura do evento, Thiago Hoshino, da ONG Terra de Direitos, destacou a sequência de mudanças em leis e normativas urbanísticas que vem acontecendo na cidade e relembra a relatoria feita por Raquel Rolnik, da ONU, que aponta os efeitos perversos dos preparativos à Copa no que se refere a violações nos Direitos Humanos, particularmente ao direito à moradia. Lamenta que, entre as cidades brasileiras, Curitiba é uma das que vêm promovendo “limpeza social”.

Os megaeventos, como projeto, envolve uma cerca de articulações públicas e privadas, parcerias e a estratégia clara de competição interurbana, segundo as palavras de Fernanda Sánchez, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Rede Megaeventos Esportivos (REME). Ela destaca ainda que os instrumentos usados são o marketing, os GPUs, a flexibilização da norma urbanística, entre outros que são formas pelas quais se impõem projetos, a partir de coalizões do poder local, com reconfiguração de escalas e repactuações nos anos preparatórios
Juliana Cabral, professora de Direito e advogada do Centro de Referência do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDEHA) e integrante do Observatório de Políticas Públicas do Paraná, ressalta quais são as preocupações a serem observadas quanto à realização dos megaenventos: evitar violações de Direitos Humanos; enfrentar o Estado de Exceção; impedir superendividamentos (como ocorreu em Atenas); denunciar os superfaturamentos; conquistar transparência pública; exigir clareza no “portal da transparência”; superar as consequências sociais nocivas. Juliana ainda questiona “vamos admitir essas violações e a suspensão dos direitos em nome de um megaevento.

Por fim, Luiz César de Queiroz Ribeiro, Coordenador Nacional do INCT Observatório das Metrópoles anunciou o projeto Megaeventos como uma atividade nova do Observatório, embora não tão nova enquanto temática adotada pela Rede de pesquisa, como enfatizou Luiz Cesar. O projeto, apoiado pela FINEP, incorpora uma reflexão já bastante amadurecida pelos pesquisadores do Observatório, referente à expansão do turismo imobiliário nas metrópoles do Nordeste. Luiz Cesar ainda destacou algumas indagações teóricas e o entendimento conceitual sobre megaevento e, na sua ótica, a função social da propriedade e da cidade não deve ser negligenciada e deve manter-se no cerne da luta pela reforma urbana que tenta transformar a cidade em um bem civilizatório. Por fim, o coordenador do Observatório, destacou que os eventos efetivamente transformam as cidades, mas dão a vitória a um modelo excludente, que a prepara como uma máquina de divertimento. Há que se criar formas de inserção na disputa conduzida pelo modelo hegemônico, finalizou.

Confira fotos do evento:

 

Contribuíram com esta matéria: Aline Vieira dos Santos (Cidade em Debate/UP), Carolina Burbbelo (Cidade em Debate/UP) e Rosa Moura (Observatório de Políticas Públicas Paraná/Observatório das Metrópoles)

 

 

Escrito por Observatório|Última atualização em Qua, 04 de Maio de 2011 21:40

 

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