O Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles foi criado em 2002, a partir de convênio firmado entre o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES) e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, para a realização do projeto “Metrópoles: desigualdades sociais e governança urbana”. Essa inserção foi fortalecida com a criação do Observatório de Políticas Públicas do Paraná, composto por entidades e organizações populares que, com apoio da Universidade Federal do Paraná, atuou como fórum de integração entre a academia e os movimentos sociais.
Em 2005, o Núcleo passou a integrar o Instituto do Milênio, por meio do projeto “Observatório das Metrópoles: território, coesão social e governança democrática”, constituindo-se como um dos núcleos de pesquisa da rede na Região Metropolitana de Curitiba. Em 2007, o Núcleo Curitiba transferiu sua sede para a Universidade Federal do Paraná, passando a atuar no Laboratório de Geografia Humana e Regional, sob coordenação da professora Olga Lúcia Castreghini de Freitas, aproximando-se mais da perspectiva acadêmica, estreitando relações com outras universidades da região.
Entre 2009 e 2016, a rede de pesquisa desenvolveu, por meio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), o projeto “Metrópoles: território, coesão social e governança democrática”, voltado à investigação dos desafios metropolitanos relacionados ao desenvolvimento nacional. O projeto teve como referência a compreensão das transformações nas relações entre sociedade, economia, Estado e os territórios conformados pelas grandes aglomerações urbanas brasileiras. A rede publicou uma série de estudos comparados com o intuito de estabelecer um balanço das metrópoles, onde o Núcleo atuou no desenvolvimento das pesquisas referentes à RM de Curitiba. Um dos principais resultados foi a coletânea “Metrópoles: transformações na ordem urbana”, que apresentou um panorama das permanências e transformações metropolitanas do período.
Em 2011, o Núcleo Curitiba participou do projeto “Megaeventos e espaço: análise e acompanhamento das transformações metropolitanas” decorrentes da realização da Copa do Mundo de 2014 em Curitiba (PR). O projeto teve como objetivo compreender as relações entre megaeventos esportivos e transformações no espaço urbano. Sua pertinência decorreu do fato de Curitiba ter sido uma das sedes da Copa do Mundo de Futebol de 2014, e para tanto, várias intervenções foram propostas pelo poder público de modo a viabilizar tal evento.
Entre 2015 e 2020, foi desenvolvido o projeto “Metrópoles e o direito à cidade: conhecimento, inovação e ação para o desenvolvimento urbano”, que buscou contribuir para o fortalecimento do debate sobre desenvolvimento nacional e a dinâmica urbano-metropolitana, identificando mecanismos produtores de avanços e retrocessos no bem-estar urbano, na sustentabilidade ambiental e na superação das desigualdades sociais. Ao desenvolver uma teoria na escala metropolitana, o Núcleo Curitiba e toda a rede do Observatório das Metrópoles produziu conhecimentos multidisciplinares e metodologias de pesquisa visando contribuir para a constituição de uma plataforma de conhecimento sobre o tema urbano-metropolitano, produzindo subsídios para a formação de políticas públicas e de novos padrões de governança metropolitana fundadas na justiça social e na democracia.
Desde sua criação, o Núcleo Curitiba publicou mais de 20 livros e dezenas de artigos relacionados à temática urbano-metropolitana, consolidando-se como importante difusor de conhecimento científico e fonte de pesquisa. Além disso, o Núcleo fundamenta sua atuação na incidência política, compreendendo que a produção científica deve estar comprometida com o bem comum.
Ao longo de sua trajetória, a coordenação do Núcleo Curitiba passou por diferentes gestões. Inicialmente, esteve sob responsabilidade de Rosa Moura (IPARDES) e Antônio Peres Gediel (Núcleo de Direitos Humanos e Democracia – Setor de Ciências Sociais Jurídicas da UFPR), entre 2002 e 2007. Posteriormente, a coordenação foi exercida por Olga Lúcia Castreghini de Freitas (2007–2019), Madianita Nunes da Silva (2019–2020), Rosa Moura (2020–2021) e Carolina Israel (2021–2023). Em seguida, passou a ser realizada por um colegiado composto por Carolina Israel, Leandro Franklin Gorsdorf, Luiz Belmiro Teixeira, Madianita Nunes da Silva, Maria Tarcisa Silva Bega, Olga Lúcia Castreghini de Freitas e Rosa Moura.
O Núcleo Curitiba reúne pesquisadoras/es de diversas áreas do conhecimento, como Arquitetura, Direito, Geografia, Economia e Sociologia, com distintas práticas e experiências para além da acadêmica, com ampla atuação na mobilização política conjuntamente à movimentos sociais. As ações promovidas se pautam na dialogicidade como metodologia para a construção coletiva de conhecimentos e práticas, junto aos diversos segmentos sociais, compreendendo tal estratégia como primordial para o enfrentamento das desigualdades e violências materiais e simbólicas que marcam a espacialidade urbana contemporânea.
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