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O município de Porto Alegre se tornou uma excelente ilustração da descaracterização e desdemocratização da política urbana brasileira, movimento observado nacionalmente desde 2016. A capital gaúcha se tornou um caso emblemático do padrão manifestado nos projetos e iniciativas do mercado que visam romper com as diretrizes da política urbana estabelecidas no Estatuto da Cidade. Em artigo, Betânia Alfonsin, pesquisadora do Núcleo Porto Alegre, aponta as tendências desse "deslocamento perverso" que, ao invés de garantir o direito à cidade e usufruto coletivo dos bens comuns na cidade, submete a população à apropriação privada desses bens. Para a pesquisadora, neste momento é preciso pensar o direito à cidade em sua dimensão instituinte, que se manifesta, expressa e recria territorialmente articulada às lutas dos movimentos sociais urbanos, em cada cidade.
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