A queda que vem ocorrendo na média de rendimentos dos 10% mais ricos alcançou o pior nível de toda a série histórica, revela a sétima edição do Boletim Desigualdade nas Metrópoles. Ao mesmo tempo, a desigualdade, mensurada através do coeficiente de Gini, vem apresentando tendência de melhora e registrou no quarto trimestre de 2021 o valor de 0,602 – o mesmo verificado no primeiro trimestre de 2020, logo antes de serem sentidos os efeitos da pandemia, indicando uma reaproximação dos índices de desigualdade aos valores pré-pandêmicos.

“Todo esse movimento tem contribuído para a redução de desigualdade de renda, nesta conjuntura dos mais ricos perdendo renda e os mais pobres se recuperando. No entanto, não é uma situação desejável, pois não é justiça distributiva. Os mais pobres continuam ganhando pouco e os mais ricos passaram a ganhar menos”, explicou um dos coordenadores do estudo, professor do IPPUR-UFRJ e pesquisador do Observatório das Metrópoles, Marcelo Gomes Ribeiro.

Segundo dados levantados pelo estudo, a renda média per capita do trabalho dos 40% mais pobres, que estava em R$195 no quarto trimestre de 2020, subiu para R$239 no quarto trimestre de 2021. Ao mesmo tempo, a renda dos 10% mais ricos caiu de R$6.917 em 2020 para R$6.424 em 2021. De todo modo, é importante ressaltar que depois de mais de dois anos do início da pandemia, os mais pobres ainda não conseguiram recuperar o patamar de renda do começo de 2020. Hoje, seus rendimentos médios ainda são 8,9% menores em relação ao patamar imediatamente anterior à pandemia.

Conforme o também coordenador do estudo, Andre Salata, professor da PUCRS e pesquisador do Observatório das Metrópoles, quando são sentidos os efeitos da pandemia, imediatamente os mais pobres perderam aproximadamente um terço da renda, mas os mais ricos não perderam, no primeiro ano pandêmico. Porém, do final de 2021 para cá, o quadro muda. “Com a vacinação, a renda dos mais pobres começou a se recuperar lentamente. Enquanto isso, os mais ricos sofreram mais, porque a queda da renda é mais clara. Por um lado, há uma redução do gap, o que faz a desigualdade cair, mas a renda dos mais ricos faz a média cair também. A renda dos mais pobres está se recuperando, porque os informais estão vendendo mais”, ressaltou Salata.

Geralmente, os 40% mais pobres se ocupam no mercado de trabalho em atividades informais. No auge da pandemia, os diversos níveis de governo tomaram uma série de medidas, portanto, estes 40% que ficaram em casa sem remuneração, acabaram sendo socorridos pelo auxílio emergencial. Já os mais ricos têm ocupações com proteção social e conseguiram segurar a renda no primeiro ano da pandemia. Mas, quando vem o segundo ano da pandemia, com a vacinação, as pessoas mais pobres voltam para as ocupações informais. “Os segmentos mais baixos foram os mais atingidos, porém, a possibilidade de se reincorporar ao mercado de trabalho em atividades informais é mais fácil do que na atividade formal. A possibilidade de montar uma banca de camelô, que é uma prestação de serviços onde não existe contratação de trabalho formal, é muito diferente do contrato que um trabalho com carteira assinada exige”, relatou Ribeiro.

Rendimentos do trabalho inferiores a ¼ do salário-mínimo: perda de renda afeta principalmente as crianças

Segundo Salata, milhares de famílias cujos rendimentos do trabalho – que já eram insuficientes – estão há dois anos enfrentando uma situação de perda de renda. Quanto mais tempo ficam nessa situação, maior a vulnerabilidade. No contexto dessas famílias, o estudo mostra que um dos grupos mais afetados são as crianças. No quarto trimestre de 2021, 26,7% das crianças de até cinco anos de idade viviam em lares com rendimentos do trabalho inferiores a ¼ do salário-mínimo per capita. No auge da pandemia, esse percentual chegou a 32,2%. Em 2013, no entanto, o percentual era de 19%, sendo este o menor valor da série histórica.

Em termos absolutos, hoje são 1,6 milhões de crianças nessa situação no conjunto das regiões metropolitanas, o que é um número maior que o da população total de regiões metropolitanas como as de Natal, João Pessoa, Maceió e Florianópolis, entre outras. “Os dados são muito preocupantes. Estudos mostram que a vulnerabilidade econômica na primeira infância prejudica o desenvolvimento cognitivo, o aprendizado e, consequentemente, o rendimento escolar. No longo prazo, estamos falando de barreiras à expansão do capital humano no país e, portanto, ao crescimento econômico sustentado”, alertou Ribeiro.

O que dizem os pesquisadores sobre as projeções futuras

Para Marcelo Ribeiro, sem o processo de recuperação econômica efetiva, dificilmente haverá uma economia capaz de gerar emprego e renda. “A possibilidade de aumento da renda dos mais pobres depende de uma retomada da economia que não aconteceu, o que vimos no ano passado foi uma recuperação do não crescimento de 2020. Precisamos de um processo capaz de gerar emprego e distribuir renda e, hoje, não parece que isso vai se viabilizar no curto e médio prazo”, concluiu. Já para Andre Salata, a aposta é a renda média se suavizar. “Tem a recuperação do mercado de trabalho e tem a inflação, que joga a renda para baixo, mas, no momento, a tendência, com o aumento dos juros, é de queda da inflação. Apostaria que nesse cenário de juros altos, o poder de compra vai se manter, e como a tendência é que a inflação caia um pouco, é possível que ocorra a manutenção da renda média”, acrescentou.

Confira na íntegra o “Boletim Desigualdade nas Metrópoles nº 07”.

Acesse aqui as tabelas e gráficos do estudo.

O Boletim Desigualdade nas Metrópoles é produzido trimestralmente pelo Observatório das Metrópoles, em parceria com a Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL). A fonte de dados é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e dizem respeito à renda domiciliar per capita do trabalho, incluindo o setor informal. O recorte geográfico inclui as principais regiões metropolitanas do país, totalizando vinte e duas áreas que respondem por quase 40% da população brasileira, ou mais de 80 milhões de pessoas.

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