A implementação da Tarifa Zero no transporte público coletivo pode movimentar até R$ 60,3 bilhões por ano nas capitais brasileiras e seus sistemas metropolitanos, com uma injeção líquida estimada em R$ 45,6 bilhões na economia. Além disso, a política tem forte potencial redistributivo, funcionando como um “salário indireto” e beneficiando sobretudo populações de baixa renda, negras e periféricas.
Os resultados integram o Texto para Discussão “A Tarifa Zero no transporte público como política de distribuição de renda”, que analisa os impactos econômicos e sociais da gratuidade no transporte coletivo a partir de dados das 27 capitais brasileiras e seus sistemas de ônibus e trilhos. Para isso, os pesquisadores Daniel Caribé, Gustavo Serafim, Juciano Rodrigues, João Lucas Machado Campos, Paíque Santarém e Thiago Trindade cruzaram informações da Pesquisa Nacional de Mobilidade (PEMOB 2024), do IBGE e de operadoras de transporte.
O estudo detalha o chamado “caminho do dinheiro”, demonstrando como os recursos hoje gastos com tarifas poderiam ser redirecionados para o consumo de bens e serviços, com efeitos positivos sobre a economia local. Ao reduzir um custo essencial do cotidiano urbano, a Tarifa Zero amplia a renda disponível das famílias e tende a estimular a atividade econômica.

Além do impacto econômico, o texto enfatiza o papel da política no enfrentamento das desigualdades. Como o gasto com transporte pesa mais no orçamento das famílias de menor renda, a gratuidade tem efeito progressivo e contribui para ampliar o acesso a direitos como trabalho, educação e saúde. Nesse sentido, os autores argumentam que o modelo atual de financiamento do transporte reforça desigualdades raciais e territoriais.
O documento também estabelece um paralelo entre a Tarifa Zero e grandes políticas redistributivas do país. Segundo os pesquisadores, a medida pode ter impacto comparável ao de programas como o Bolsa Família, ao promover redistribuição de renda em larga escala e ampliar as condições de acesso à cidade.
Este é o terceiro produto da pesquisa “Tarifa Zero e suas possibilidades de expansão no Brasil”, desenvolvida no âmbito do Instituto de Ciência Política (IPOL) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP) da Universidade de Brasília (UnB). O trabalho é conduzido pelo Grupo de Pesquisa Geopolítica e Urbanização Periférica (Geourb) e pelo Núcleo Brasília do INCT Observatório das Metrópoles, com financiamento da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero e apoio da Fundação Rosa Luxemburgo.
Saiba mais sobre a pesquisa:
- Caminhos para a Tarifa Zero: estudo subsidia debate nacional sobre gratuidade do transporte;
- Tarifa Zero como direito: estudo defende gratuidade no transporte como instrumento de justiça social.
