Nesta publicação reunimos resultados de frentes de trabalho do Laboratório de Estudos Urbanos e Metropolitanos (Lab-Urb) da Escola de Arquitetura da UFMG e do núcleo RMBH do Observatório das Metrópoles. Desde 2021 realizamos o Curso de Formação de Ativistas Sociais pela Reforma Urbana (CFAS) como um projeto de extensão voltado para o diálogo com os movimentos sociais urbanos que pautam transformações em nossas cidades. Dessa atividade de extensão universitária iniciamos a pesquisa Novas práticas sociais periféricas, que buscou sistematizar as práticas que ocorrem em territórios da periferia da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e que podem informar sobre os futuros urgentes e necessários para nossas cidades. Em continuidade a essas atividades, realizamos também, em 2024, o IV Fórum Metropolitano: culturas periféricas na RMBH.
Apesar das temporalidades e dinâmicas distintas, as três iniciativas compartilham um esforço de refletir sobre reforma urbana e direito à cidade na RMBH a partir de conhecimentos teóricos vinculados à produção acadêmica, bem como dos saberes e vivências daqueles que experienciam e protagonizam o ativismo em seus cotidianos nos territórios periféricos. Lutas diversas por uma cidade mais justa têm sido efetivadas na RMBH em torno de diversas temáticas: moradia, saúde, educação, mobilidade, segurança alimentar, lazer, cultura, emprego e renda, entre outros. Cada uma dessas experiências, especialmente aquelas realizadas nos territórios periféricos, reforça a leitura de que muitas dessas práticas de auto organização, de produção do espaço, de defesas dos direitos, de participação, de cuidado, entre outros, inspiram novas formas de habitar as metrópoles. É preciso, portanto, uma especial atenção a essas práticas. É disso que trata essa publicação.
Os territórios periféricos foram e ainda são constantemente reproduzidos como condição para o desenvolvimento do capitalismo brasileiro. O crescimento econômico impõe, a milhões de brasileiras e brasileiros, a precariedade, a carência e a violência como condições para a vida nas periferias. Contudo, são exatamente essas experiências compartilhadas que fazem emergir novas formas de responder aos desafios cotidianos que enfrentam os sujeitos e as sujeitas periféricas – na boa definição do professor Tiaraju Pablo d’Andrea.
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