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Ocorreu no dia 13 de novembro, na sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil, Departamento da Paraíba (IAB-PB), no Centro Histórico de João Pessoa (PB), o Seminário Rede AdaptAÇÃO, promovido pelo Núcleo Paraíba do INCT Observatório das Metrópoles. O evento reuniu pesquisadores, gestores públicos, representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil para dialogar sobre adaptação urbana e respostas locais diante das mudanças climáticas.

A iniciativa integra o Projeto AdaptAÇÃO, parceria entre o Ministério das Cidades e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, envolvendo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) e o Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (INCT) Observatório das Metrópoles, cujo objetivo é apoiar os municípios no aprimoramento do planejamento urbano, incorporando a perspectiva climática aos instrumentos e políticas locais.

Durante a manhã, o evento teve início com a mesa de abertura, composta por Janaína de Holanda, representante do Ministério das Cidades; pela Profa. Dra. Lívia Miranda, representante da coordenação nacional do Projeto AdaptAção/Observatório das Metrópoles; pela Profa. Dra. Kainara Anjos, coordenadora do projeto no Núcleo Paraíba; por Helena Lourenço, representante do Fórum Estadual de Reforma Urbana da Paraíba (FERURB), do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM) e do Conselho Nacional das Cidades (ConCidades); por Talles Torricelli, prefeito de Brejo do Cruz; por Mirela Oliveira, representante da Secretaria Municipal de Habitação Social de João Pessoa, e por Sara Joelma e Anderson Henry, representantes do Coletivo Garças do Sanhauá do Porto do Capim, responsáveis pela produção comunitária junto a articulação do almoço, lanche e vivência turística.

Após as apresentações, seguiu-se a mesa intitulada “Rede AdaptAÇÃO: Por Cidades Adaptadas às Mudanças do Clima”. Janaína de Holanda iniciou as discussões enfatizando a intensificação dos impactos climáticos nas cidades brasileiras e destacando a urgência de estratégias de adaptação que considerem realidades socioambientais distintas, articuladas à participação social e à gestão pública.

 

Em seguida, o Projeto AdaptAção foi apresentado em maior detalhamento pela Profa. Dra. Lívia Miranda, que abordou seus objetivos, etapas de execução e produtos desenvolvidos, com destaque para os resultados já alcançados e para aqueles ainda previstos em escala nacional. Na sequência, a Profa. Dra. Kainara dos Anjos apresentou as contribuições do Núcleo Paraíba para o desenvolvimento dos produtos nacionais e detalhou os materiais elaborados localmente. As discussões enfatizaram o uso de instrumentos urbanísticos e ambientais voltados à adaptação climática, além do compartilhamento de experiências municipais consideradas promissoras no estado.

Após o almoço na Comunidade Porto do Capim, o Seminário promoveu uma mesa de diálogo intitulada “Os Impactos das Mudanças do Clima nos Territórios Periféricos”, com moradores de comunidades e representantes de movimentos sociais da capital paraibana: Flávio Gomes do Instituto Voz Popular da Comunidade São Rafael; Profa. Amélia Panet da Especialização em Assistência Técnica em Arquitetura, Urbanismo e Engenharia da UFPB (PPG/ATAU+E) e Leide Dayane Monteiro (Day) liderança da Comunidade Aratu; Rossana Holanda da Associação de Mulheres do Porto do Capim e do Coletivo Garças do Sanhauá;  Ana Paula Cavalcanti da Base Interativo de Habitação; além do representante da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), Tiago Aquino.

O debate coordenado pelo Prof. Dr. Demóstenes Moraes, coordenador do projeto no Núcleo Paraíba, evidenciou as vivências de cada comunidade e reforçou a necessidade de estratégias adaptativas sensíveis às especificidades territoriais. Destacaram-se também a centralidade da justiça climática, o fortalecimento das capacidades comunitárias, os desafios enfrentados por populações tradicionais e ribeirinhas, e as soluções já desenvolvidas pelos próprios moradores para enfrentar os impactos climáticos.

Ao final da programação, foi realizada a atividade do projeto Vivenciando o Porto do Capim – Turismo de Base Comunitária, organizada pela Associação de Mulheres do Porto do Capim e Coletivo Garças do Sanhauá. A experiência possibilitou uma compreensão mais ampla acerca das interações entre vida cotidiana, ambiente natural e espaço construído. O percurso ao longo da comunidade, do Rio Sanhauá e do manguezal evidenciou a riqueza ambiental da área, bem como sua importância simbólica, histórica e identitária para os moradores, reafirmando a relevância de políticas urbanas comprometidas com a proteção dos territórios e com a promoção da adaptação climática.