A aprovação do projeto Praça Onze Maravilha tem despertado preocupação entre moradores e trabalhadores da região central do Rio de Janeiro. Diante das incertezas sobre os impactos das obras previstas e do receio de processos de remoção e valorização imobiliária que possam expulsar a população atual, pesquisadores, organizações sociais e representantes da Defensoria Pública promovem neste sábado, dia 26 de setembro, às 10h, uma atividade pública na Praça Nossa Senhora do Sallet, no Catumbi, Rio de Janeiro (RJ).
Organizada pelo Núcleo Rio de Janeiro do INCT Observatório das Metrópoles, em parceria com grupos de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e movimentos populares, a Ocupação Cultural “Praça Onze: Maravilha para quem?” busca informar a população sobre o projeto e ampliar o debate sobre o direito à permanência dos moradores nos territórios afetados.
A iniciativa ocorre em um contexto de pouca transparência sobre as intervenções previstas. Embora a lei que instituiu o projeto tenha sido sancionada pela Prefeitura em julho, ainda não foi divulgado o desenho urbanístico detalhado das obras. Entre as ações anunciadas estão a demolição do Viaduto 31 de Março, a construção de túneis e a venda de dezenas de imóveis públicos para empreendimentos imobiliários privados.
Para a pesquisadora do Núcleo Rio de Janeiro, Laisa Stroher, é fundamental ampliar o diálogo com a população diretamente atingida. “A lei que aprovou o projeto Praça Onze Maravilha foi aprovada às pressas pela Prefeitura e pela Câmara de Vereadores, com pouco diálogo com os moradores dos bairros, e trata-se de um projeto de grande escala, que trará muitos impactos, transformações, além de ameaças de gentrificação e remoção. O evento é importante para conversar com a população afetada sobre esses possíveis impactos e informar como eles podem defender seus direitos diante das possíveis ameaças”, afirma.
Além dos bairros diretamente abrangidos pelo projeto, como Catumbi, Estácio, Cidade Nova e Cruz Vermelha, moradores de comunidades do entorno, como Morro da Mineira, Coroa e São Carlos, também poderão ser impactados pelas transformações urbanas previstas.
Um dos objetivos centrais do encontro é fortalecer o acesso à informação e aos mecanismos de proteção de direitos. Por isso, representantes do Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria Pública estarão presentes para orientar moradores sobre como agir diante de possíveis ameaças de remoção e outras violações relacionadas aos processos de reestruturação urbana.
A programação inclui atividades culturais, oficinas de desenho, exposições e debates sobre a história dos bairros e das resistências populares às remoções ocorridas durante a construção do Viaduto 31 de Março. A proposta é resgatar essa memória para evitar que episódios semelhantes se repitam.
Participam da organização grupos de pesquisa da UFRJ, Laboratório de Direito e Urbanismo (LADU), o INCT Observatório das Metrópoles, o Laboratório Estado, Trabalho, Território e Natureza (ETTERN), o Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular (NAJUP) Luiza Mahin e o Labá – Direito, Espaço & Política. Dentre as organizações sociais estão o coletivo Comitê Centro Popular, o Bloco Vai Quem Quer, o Cine Educação, o Articula Santa, Catumbi Resiste, AMATRE, Movimento Unificado dos Camelôs (MUCA), Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e BrCidades-Rio.
Serviço
Ocupação Cultural: Praça Onze: Maravilha para quem?
Data: 26 de setembro (sábado)
Horário: a partir das 10h
Local: Praça Nossa Senhora do Sallet, em frente ao Cemitério do Catumbi – Catumbi, Rio de Janeiro (RJ)
Programação: debates, atividades culturais, oficinas para crianças, exposições, ações de memória e orientações sobre direitos habitacionais com a defensoria pública e universidade.
Realização: Comitê Centro Popular, INCT Observatório das Metrópoles, grupos de pesquisa da UFRJ e organizações sociais.