Pesquisadores, gestores públicos e representantes de movimentos sociais participaram, na última quinta-feira (12), da oficina e seminário “Projeto AdaptAÇÃO: planejamento urbano para um futuro sustentável”. O encontro foi realizado no Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará (FAU-UFPA), em Belém. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Ministério das Cidades, a UFRJ e o INCT Observatório das Metrópoles que busca integrar estratégias de adaptação climática ao planejamento urbano brasileiro.
Na abertura, José Júlio Ferreira Lima, pesquisador do Núcleo Belém, apresentou a FAU, o Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU) e as iniciativas do grupo de pesquisa Labcam, responsável pela coordenação local do projeto. Em seguida, o coordenador do Núcleo Belém, Juliano Pamplona Ximenes Ponte, apresentou o núcleo regional do Observatório e falou sobre o Projeto AdaptAÇÃO.
Janaina Hollanda, representante do Ministério das Cidades, fez uma apresentação institucional do projeto, destacando dimensões de risco, desempenho ambiental e vulnerabilidade. Ela ressaltou a necessidade de incorporar saberes locais, ampliar o uso de infraestrutura verde e rever as infraestruturas cinzas. Segundo Hollanda, o Pará registrou elevado número de inscrições no projeto.
O coordenador nacional do INCT Observatório das Metrópoles, Orlando Alves dos Santos Júnior, agradeceu a participação e explicou as características do projeto e sua inserção com o Observatório. Ele destacou que a adaptação climática é o eixo central do acordo firmado via TED (Termo de Execução Descentralizada), lembrando que os eventos extremos se tornaram cotidianos e impactam de forma desigual diferentes biomas e classes sociais. Santos Júnior observou que, embora o Brasil tenha avançado no debate ambiental, o planejamento urbano ainda está pouco incorporado nessa agenda, permanecendo subordinado a interesses do setor imobiliário.
O Projeto AdaptAÇÃO defende a centralidade do espaço urbano como território de ação concreta, orientado por diretrizes como direito à cidade, moradia digna, mobilidade urbana justa e saneamento básico e ambiental. Entre suas fases estão a constituição de uma rede nacional com 21 núcleos, a análise do arcabouço legal sobre adaptação e mudança climática, a avaliação da aderência dos instrumentos urbanísticos brasileiros à dimensão climática e a mobilização de agentes sociais, incluindo gestores, estudantes e ativistas.
Com recursos da FINEP e novo apoio institucional, a iniciativa reforça o princípio da formação e mobilização de agentes sociais para enfrentar os desafios da adaptação climática, visando apoiar municípios na atualização de seus instrumentos de política urbana. O objetivo central é fortalecer capacidades institucionais e promover cidades mais resilientes, inclusivas e ambientalmente sustentáveis, contemplando, ao longo de 2026, seis municípios do Pará selecionados por edital: Belém, Ananindeua, Abaetetuba, Marabá, Augusto Corrêa e Barcarena.
















