A concentração extrema de riqueza avança em ritmo acelerado e aprofunda desigualdades sociais, ampliando riscos à democracia, às liberdades civis e aos direitos humanos. É o que aponta o relatório “Resistindo ao Domínio dos Ricos: Defendendo a Liberdade Contra o Poder dos Bilionários”, lançado pela Oxfam durante o Fórum Econômico Mundial de Davos 2026. O estudo argumenta que a desigualdade econômica não é inevitável, mas resultado direto de escolhas políticas. Além disso, analisa como o crescimento recorde da riqueza dos bilionários tem ampliado seu poder político e econômico, influenciando decisões públicas e aprofundando desigualdades em escala global. O relatório também apresenta propostas para conter o poder excessivo dos super-ricos, fortalecer a democracia e garantir direitos para a maioria da população.
Entre os principais dados apresentados, vale destacar que a riqueza coletiva dos bilionários cresceu US$ 2,5 trilhões em 2025, alcançando US$ 18,3 trilhões, o maior valor já registrado. O crescimento foi três vezes mais rápido do que a média dos últimos cinco anos. Desde 2020, essa riqueza aumentou 81%, enquanto quase metade da população mundial vive na pobreza. O relatório aponta ainda que uma em cada quatro pessoas no mundo não tem acesso regular a alimentos, que o número de bilionários ultrapassou três mil indivíduos pela primeira vez e que bilionários têm quatro mil vezes mais probabilidade de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns. Em países desiguais, o risco de retrocessos democráticos é sete vezes maior.
Recomendações para enfrentar a desigualdade
O documento propõe três eixos de ação. O primeiro é a redução radical da desigualdade econômica, por meio da implementação de Planos Nacionais de Redução da Desigualdade, com metas claras e monitoramento contínuo, além do apoio à criação de um Painel Internacional sobre Desigualdade, nos moldes do IPCC para a crise climática. O segundo eixo sugere limitar o poder político dos super-ricos, por meio da tributação progressiva da riqueza, da regulamentação do lobby, da proibição do financiamento privado de campanhas eleitorais, da proteção à independência da mídia e do fortalecimento da transparência e da regulação das plataformas de comunicação. Por fim, o relatório destaca a importância de fortalecer o poder político da maioria, garantindo um ambiente institucional que promova o espaço cívico, a participação social e a atuação de organizações da sociedade civil, sindicatos e movimentos populares como contrapeso ao autoritarismo, à oligarquia e à desigualdade estrutural.
Sobre a Oxfam
A Oxfam é um movimento global que atua em mais de 70 países no enfrentamento das desigualdades, da pobreza e da injustiça social, em parceria com comunidades, organizações e movimentos locais. Mais informações estão disponíveis em www.oxfam.org.br















