No último dia 30, ocorreu o lançamento da Plataforma Micromobilidade Brasil (Versão Beta), que promove e monitora os sistemas públicos de micromobilidade compartilhada brasileiros. Os objetivos da plataforma são: (1) monitorar e georreferenciar os sistemas públicos de micromobilidade compartilhada em operação; (2) promover a transparência de dados; e (3) quantificar as emissões de CO2 evitadas por ano através do uso desses sistemas.

Os dados da MicromobilidadeBrasil.org são referentes aos sistemas em funcionamento em 2019 nas cidades brasileiras. À medida que os sistemas forem crescendo (ou sendo criados), a plataforma será atualizada e novas cidades serão adicionadas.

A plataforma apoia os governos locais a atingirem suas metas climáticas promovendo a micromobilidade como excelente solução para viabilizar áreas urbanas mais limpas e saudáveis.

MicromobilidadeBrasil.org é um projeto coordenado pelo Laboratório de Mobilidade Sustentável (LABMOB), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a parceria do Instituto Energia e Meio Ambiente (IEMA) e apoio do Instituto Clima e Sociedade (ICS) e do Itaú Unibanco. Também foi estabelecida uma colaboração com as operadoras Tembici, Grow (Grin + Yellow) e Serttel, que forneceram todos os dados relativos aos sistemas.

Em 2019, a plataforma mapeou ao todo 53 sistemas públicos de micromobilidade compartilhada no Brasil, distribuídos em 26 cidades diferentes. Cerca de 50% desses sistemas encontram-se na região Sudeste do país, principalmente por conta da relevância do Estado de São Paulo em concentrar 28% de todos os sistemas brasileiros. Em seguida, 19% dos sistemas ficam no Sul, 13% no Nordeste, 11% no Centro-Oeste e apenas 4% (2 sistemas) no Norte. A maior parte (68% – 36 de 53) dos sistemas de micromobilidade era de bicicletas regulares do tipo dockless (28% – 15 de 53) ou com estação (40% – 21 de 53), e 32% (17 de 53) eram de patinetes dockless.

O impacto ambiental do uso desses sistemas foi estimado a partir das emissões diárias evitadas de Gases de Efeito Estufa (GEEs), calculadas a partir da quilometragem percorrida nos sistemas cujos dados foram fornecidos pelas operadoras. O método de cálculo das emissões evitadas foi desenvolvido em parceria com o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA).

No ano de 2019, os dados agregados mostram que foram percorridos 295 mil quilômetros por dia nos sistemas de micromobilidade compartilhada públicos levantados, o equivalente a 2,69 mil voltas ao redor mundo por ano. A partir desses valores, estima-se que os sistemas evitaram a emissão de 2.989 toneladas de CO2e (dióxido de carbono equivalente) por ano, o equivalente ao carbono sequestrado pelo plantio de 49.275 mudas de árvores no mesmo período.

Breve explicação dos dados – Operadoras

Os dados numéricos sobre os sistemas apresentados na MicromobilidadeBrasil.org foram disponibilizados pelas três maiores empresas operadoras de sistemas no Brasil em 2019: Tembici, Grow (Grin + Yellow) e Serttel. No geral, os valores exibidos correspondem a médias diárias computadas em períodos que alternam entre três a seis meses de atividade dos sistemas no ano de 2019 e os resultados agregados referem-se ao somatório dos dados fornecidos pelas operadoras.

Contextualização do tema

Atualmente, mais de mil cidades ao redor do planeta possuem sistemas de micromobilidade compartilhada em operação. No contexto de congestionamentos e comprometimento ambiental por conta do uso amplo de veículos motorizados movidos a combustíveis fósseis, os sistemas de micromobilidade aparecem como iniciativa de incentivo ao transporte ativo e sustentável e alternativa para a realização de deslocamentos cotidianos. O conceito de micromobilidade se refere aos deslocamentos feitos mediante veículos leves conectados a novas tecnologias e impulsionados por energia elétrica ou força humana. Esses veículos são usados, muitas das vezes, em combinação com outros modos de transporte nos chamados deslocamentos de primeira e/ou última milha.

Em geral, esses sistemas são públicos e regulados pelo poder municipal das cidades onde se instalam. No entanto, em muitos casos, são operacionalizados por empresas do setor privado. Os serviços de compartilhamento atuais apresentam dois formatos principais: em estações fixas de retirada e  devolução ou do tipo dockless – sem estação fixa –, no qual os veículos são desbloqueados usando um aplicativo para smartphone e estacionados ao longo da calçada dentro de uma região definida. Esses sistemas oferecem comumente o aluguel de bicicletas e patinetes, com oferta bastante variada em termos de número de veículos disponíveis.

Visite o site: micromobilidadebrasil.org

E-mail para contato: labmob@fau.ufrj.br