A mesma cidade, novos territórios: Porto Alegre e Montevidéu

A mesma cidade, novos territórios: Porto Alegre e Montevidéu

A mesma cidade, novos territórios: Porto Alegre e Montevidéu

A partir do resgate histórico dos processos da anterior industrialização e relativa desindustrialização nas metrópoles Porto Alegre e Montevidéu, Ana Clara Fernandes (UFRGS) traça um paralelo entre os usos e funções de seus antigos territórios industriais. Mais especificamente, analisa formas de “reapropriação” desses territórios no espaço urbano através de dois exemplos: a Companhia Fiação e Tecidos Porto Alegrense-FIATECI, em Porto Alegre, e a indústria têxtil La Aurora, em Montevidéu.

Segundo Ana Clara Fernandes, a possibilidade de incluir ou não esses territórios nas dinâmicas atuais de acumulação do capital faz parte de um leque de possibilidades, investimentos e políticas “voltadas para” e “geradas para” a dimensão interna do espaço urbano, na escala local. Ao mesmo tempo, esta inclusão é condicionada pela inserção de seus territórios nas dinâmicas de acumulação do capital nas escalas supranacional e global.

Industrialização e desindustrialização

A comparação entre Montevidéu e Porto Alegre requer algumas ressalvas quanto ao papel desempenhado pelas duas cidades nos contextos nacionais em que se inserem. Porto Alegre se caracteriza como metrópole regional e se articula em um contexto nacional que se modifica ao longo do tempo de acordo com o modelo de produção vigente. Pensar sua industrialização requer considerar que, no contexto brasileiro e internacional, ela se configura como um ponto estratégico na escala regional/supranacional das articulações do capital. Ou seja, nesta metrópole são reproduzidos diferentes momentos do contexto nacional/internacional de produção do território e as várias articulações possíveis do capital local, nacional e internacional com os atores locais. Em determinados momentos, o Estado é o grande articulador de interesses; em outros, são os governos municipais e/ou estaduais com benesses fiscais e garantia de infraestrutura; outras vezes o capital industrial/financeiro/ imobiliário figura como grande articulador; e, de forma bem menos intensa, os movimentos sociais.

No Brasil, Porto Alegre é uma das várias cidades com características metropolitanas. No Uruguai, características metropolitanas não se configuram em outros centros urbanos além de Montevidéu – sua capital. Uma primeira diferenciação entre as duas metrópoles se faz aqui: Porto Alegre, no contexto brasileiro é uma metrópole regional; Montevidéu, no contexto uruguaio, é uma metrópole nacional. Contudo, a articulação das mesmas com a escala internacional está representada desde o início de seus processos de industrialização com o capital dos imigrantes europeus que fazem parte de sua constituição demográfica e com a instalação de filiais de empresas transnacionais dos mais diversos ramos.

Leia o artigo completo “A mesma cidade, novos territórios: Porto Alegre e Montevidéu”, acessando a edição nº 09 da revista eletrônica e-metropolis aqui.

 

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