Metrópoles de porte médio: Natal, Vitória, Maringá e Baixada Santista

Na consolidação de uma análise comparativa das metrópoles de porte médio brasileiras, o Observatório das Metrópoles destaca as sínteses-analíticas de Natal, Vitória, Maringá e Baixada Santista apresentadas no Seminário Nacional As Metrópoles e as transformações urbanas: desigualdades, coesão social e governança democrática, no período de 9 a 11 de dezembro de 2015.

O evento, realizado no Rio de Janeiro, reuniu o Comitê Gestor do Observatório e os coordenadores regionais para debater e consolidar uma síntese analítica sobre as mudanças e permanências relativas às principais regiões metropolitanas brasileiras.

O seminário também serviu para o lançamento oficial da Coleção Metrópoles: transformações na ordem urbana. Lançada em parceria com a Editora Letra Capital e com apoio da FAPERJ, da Capes e do CNPq, a coleção é mais um resultado da Rede Nacional de Pesquisa INCT Observatório das Metrópoles que há mais de 15 anos vem consolidando um trabalho em rede multidisciplinar, de produção de conhecimento científico, de metodologias e ferramentas para a pesquisa da questão metropolitana.

A seguir alguns pontos das análises-síntese das metrópoles de porte médio, como também as Apresentações (em formato pdf) divulgadas no seminário nacional.

METRÓPOLES DE PORTE MÉDIO

Metrópoles brasileiras na ordem urbana: NATAL

Equipe do Núcleo Natal do Observatório das Metrópoles – (da esq. para dir.) Lindijane Almeida, Zoraide Souza Pessoa, Maria Livramento Clementino e Ângela Ferreira

A equipe do Núcleo Natal do INCT Observatório das Metrópoles, coordenada pela Profª Maria do Livramento Clementino, apresentou uma síntese-analítica sobre a metrópole do Rio Grande do Norte durante o Seminário Nacional As Metrópoles e as transformações urbanas: desigualdades, coesão social e governança democrática.

A base para a produção da síntese foi o livro Natal: transformações na ordem urbana, que aborda as principais mudanças e permanências relativas à metrópole do Rio Grande do Norte: da consolidação do segundo arco metropolitano à manutenção de um território marcado pela desigualdade social no acesso aos serviços urbanos.

Veja a Apresentação do Núcleo de Natal.

SÍNTESE-ANALÍTICA. De acordo com a professora Maria do Livramento Miranda Clementino, o estudo mostra que, na primeira década deste século (2000-2010), foram várias as ações governamentais que incidiram sobre a configuração urbana do território metropolitano de Natal.

Por exemplo, investimentos públicos ocorridos, principalmente na esfera da infraestrutura de suporte material, provocaram mudanças expressivas na dinâmica econômica e territorial do estado do Rio Grande do Norte e da Região Metropolitana de Natal, tais como: a duplicação da BR-101 entre Natal e Recife; a construção da ponte sobre o rio Potengi, que liga o litoral sul ao litoral norte de Natal – denominada “Ponte de Todos Newton Navarro”; e a construção e melhoramento da rede viária, de abastecimento d’água e de esgotamento sanitário nas principais cidades do RN.

Segundo Maria do Livramento, uma das principais transformações urbanas verificadas na RM de Natal foi a consolidação do segundo arco metropolitano e o intenso processo de integração do município de Parnamirim com Natal.

“A consolidação do segundo arco metropolitano encontra-se os três municípios – Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Extremoz – que em relação a Natal, apresentam níveis de alta integração e o município de Macaíba, de média integração. Parnamirim se destaca dos demais municípios de alta integração praticamente em todos os aspectos e apresenta ‘indícios’ que revelam a tendência de passagem ao nível imediato ‘muito alto’, uma vez que já integra com o polo (Natal) uma unidade física (pela conurbação) e funcional” , afirma Maria do Livramento.

“Se antes Natal era uma metrópole em formação, agora podemos dizer que é uma área urbana metropolizada pelos resultados de uma reestruturação produtiva incentivada pelo Estado e por uma economia subsidiada por fortes investimentos públicos em infraestrutura, decididos de forma exógena à vontade política local de reforçar a estrutura da RMN, embora, constate-se sua complementação por ações públicas municipais”, afirma Maria do Livramento e completa:

“Pode-se dizer que se reafirma na metrópole de Natal um desenho territorial descontínuo, fragmentado e desintegrado que tende a articular-se e a consolidar-se espacialmente por meio de uma malha infraestrutural básica, principalmente a rodoviária, interligando áreas e equipamentos estratégicos”.

Faça o download do livro Natal: transformações na ordem urbana.

Metrópoles brasileiras na ordem urbana: VITÓRIA

Pablo Lira e Latussa Laranja do Núcleo Vitória do Observatório – com Luiz Cesar Ribeiro no lançamento da coleção “Metrópoles: transformações na ordem urbana”

A equipe do Núcleo Vitória do INCT Observatório das Metrópoles, coordenada pela Profº Pablo Lira, apresentou uma síntese-analítica sobre a metrópole capixaba durante o Seminário Nacional As Metrópoles e as transformações urbanas: desigualdades, coesão social e governança democrática.

A base para a produção da síntese foi o livro Vitória: transformações na ordem urbana, que se propõe a analisar as transformações na ordem urbana da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV), abordando diversas perspectivas, a saber, metropolização, economia, demografia, trabalho, renda, educação, mobilidade, habitação, segurança pública, governança e bem-estar urbano. É composto por 11 capítulos organizados em 3 partes: O processo de metropolização; A dimensão socioespacial da exclusão/integração; Governança, gestão e bem-estar urbano.

A publicação marca a inserção do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) como Núcleo Vitória nas pesquisas nacionais em rede do Observatório das Metrópoles, constituindo uma referência que visa subsidiar políticas públicas e futuros estudos na RMGV.

Veja a Apresentação do Núcleo de Vitória para o seminário nacional.

SÍNTESE-ANALÍTICA. A cidade de Vitória concentra, atualmente, 48% do PIB da região metropolitana da Grande Vitória (RMGV) e aproximadamente 35% da renda, o que explica a diferença de quase 200% entre o rendimento médio dos trabalhadores da capital comparados ao de Viana.  A polarização da capital tem efeitos positivos sobre os municípios como Serra, Vila Velha e Cariacica que têm crescido em participação no PIB da RMGV, com destaque para Serra, que passou de 21,1% em 2000 a 24,5% em 2010.

A análise mostra também que Serra foi o município que teve maior crescimento da mancha urbana (atualmente quase 1/3 da RMGV) no período, consolidou-se como segundo maior PIB estadual e vem evoluindo em sua renda média em um ritmo superior aos demais municípios, apesar de ainda estar bem aquém da renda média de Vitória e Vila Velha e menor mesmo que a média estadual.

MOBILIDADE URBANA. Vitória é o único município metropolitano que soma mais viagens de entrada que de saída, sendo o principal destino dos trabalhadores que moram nas outras cidades da RMGV. Por outro lado, Cariacica é a cidade de onde mais saem residentes rumo ao trabalho em outros municípios. Essas informações podem subsidiar a elaboração de políticas de mobilidade intermunicipal para a metrópole capixaba.

MODELO EM ARCO. A publicação aponta também que a parte litorânea de Vitória e Vila Velha concentram as classes superiores, e as demais classes sociais desenham arcos sucessivos, na medida em que se afastam desta centralidade em direção aos limites da Região Metropolitana, onde a noção de periferia pode ser estabelecida. Ou seja, as classes superiores se concentram perto do litoral e as classes de poder aquisitivo menor residem nas bodas da metrópole – na periferia metropolitana.

Faça o download do livro Vitória: transformações na ordem urbana.

Metrópoles brasileiras na ordem urbana: MARINGÁ

Ana Lúcia Rodrigues e Luke do Núcleo Maringá – lançamento da coleção “Metrópoles: transformações na ordem urbana”

A equipe do Núcleo Maringá do INCT Observatório das Metrópoles, coordenada pela Profª Ana Lúcia Rodrigues, apresentou uma síntese-analítica sobre a metrópole paranaense durante o Seminário Nacional As Metrópoles e as transformações urbanas: desigualdades, coesão social e governança democrática.

A base para a produção da síntese foi o livro Maringá: transformações na ordem urbana.

Veja a Apresentação do Núcleo de Maringá para o seminário nacional.

SÍNTESE-ANALÍTICA. Segundo Ana Lúcia Rodrigues, a análise mostra que na formação do território de Maringá o projeto foi comandado pelos setores “financeiro-madeireiro-agro-exportador-ferroviário-imobiliário”.

A inserção da RMM na dinâmica da economia brasileira teve início com a criação da cidade de Maringá pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP) em 1947, como distrito de Mandaguari, tendo o papel específico de ser polo econômico regional. No começo a base econômica foi o café; sendo substituído em seguida pelas plantações de soja e trigo. Esta modernização agrícola desencadeou o processo de industrialização e colaborou com o crescimento acelerado da população do seu aglomerado urbano.

A década de 1980 foi outro período de intensa migração do campo para cidade, engrossando agora as periferias de Sarandi e Paiçandu, reservatórios de mão de obra dos homens “móveis” que, sem qualificação, procuram no centro hegemônico um emprego sazonal e precário.

Ana Lúcia Rodrigues explica que este movimento acelerou o processo de conurbação e a formação metropolitana de Maringá. E foi neste período que o ideário neoliberal estimulou, em nível nacional, a concorrência entre as localidades para a atração de investimentos privados, passando a vigorar a lógica da sobrevivência das localidades mais aptas a receber os investimentos.

“Nas duas últimas décadas vimos o processo de mercantilização da cidade nas mãos do mercado imobiliário, um dos principais parceiros do poder liberal, aquele que implanta a agenda neoliberal, cria uma situação em que a territorialidade vai se polarizando, concentrando a população de baixa renda nas regiões periféricas mais afastadas das áreas centrais, enquanto estas são ocupadas principalmente pelas classes altas, circundas pelas médias”, explica a professora Ana Lúcia Rodrigues que conclui:

“Pode-se dizer que a ordem urbana regional da metrópole de Maringá se mantém inalterada desde sua formação, pois prevalece à histórica orientação dada pela lógica patrimonialista e que, portanto, os elementos de integração econômica e social presentes não são robustos e duradouros, pois nessa região o mercado é o protagonista – quem sustenta é o Estado – e as ações sempre são baseadas na “pequena política”, um termo utilizado por Filgueiras para se referir às alianças e aos acordos, realizados nos gabinetes, fora das instâncias e dos debates públicos”.

Faça o download do livro Maringá: transformações na ordem urbana

Metrópoles brasileiras na ordem urbana: BAIXADA SANTISTA

Marinez Brandão com Luiz Cesar Ribeiro no lançamento da coleção “Metrópoles: transformações na ordem urbana”

A equipe do Núcleo Baixada Santista do INCT Observatório das Metrópoles, coordenada pela Profª Marinez Brandao, apresentou uma síntese-analítica sobre a metrópole da Baixada Santista durante o Seminário Nacional As Metrópoles e as transformações urbanas: desigualdades, coesão social e governança democrática.

Veja a Apresentação do Núcleo Baixada Santista para o seminário nacional.

De acordo com a professora Marinez Villela Macedo Brandão, o livro Baixada Santista: transformações na ordem urbana serviu de base teórica para a construção da síntese. A publicação apresenta análises interligadas, possibilitando identificar como o crescimento econômico regional da Baixada Santista tem se apresentado de forma bastante desigual.

SÍNTESE-ANALÍTICA. Abrigando o maior porto da América Latina e um enorme complexo industrial próximos da maior cidade e maior mercado produtor/consumidor do Brasil, a Região Metropolitana da Baixada Santista sofre o bônus e o ônus desse contexto singular. Na última década, por exemplo, a RMBS se consolidou como um território essencialmente terciário e urbano decorrente do crescimento do Porto de Santos e do turismo de veraneio; e viu a elitização da cidade-polo (Santos) expulsar moradores pobres e parte da classe média para outros municípios.

“Se, por um lado, os reflexos das últimas décadas foram sentidos no avanço sustentado pelo mercado interno, na expansão do emprego formal, na distribuição da renda e na inclusão social; por outro, também foram percebidos pela dissociação entre progresso material e urbanização em determinantes relacionados a questões como mobilidade urbana, aumento da violência e ineficiência das políticas públicas, especialmente nas áreas da saúde, educação e do transporte”, argumenta a professora.

Mudanças na RM da Baixada Santista. Mas quais as principais mudanças no território metropolitano da Baixada Santista? Quais processos foram verificados, especialmente, no período 2000-2010?

De acordo com o estudo a RMBS está sofrendo forte influência do mercado imobiliário e do poder da especulação — principalmente em Santos — devido à expectativa da instalação da cadeia produtiva de exploração e produção de petróleo e gás natural na Bacia de Santos após a descoberta da camada Pré-Sal, com sede administrativa da Petrobrás.

“Essa dinâmica, que já vem desde o final dos anos 1990, intensificou a implantação de empreendimentos de luxo, a verticalização e o chamado boom imobiliário, e todas as distorções perversas em termos de gentrificação e elitização de áreas que beneficiaram apenas uma pequena parcela da população e levaram à exclusão de parte da classe média — sobretudo famílias jovens que não conseguem adquirir o primeiro imóvel — e da população de baixa renda, que se deslocaram em direção à periferia, resultado da ausência de um planejamento prévio com diretrizes para esse tipo de crescimento”, aponta Marinez Brandão.

Outras dinâmicas igualmente chamaram a atenção no contexto de reestruturação produtiva em nível regional, como os reflexos da privatização da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa); as mudanças nas relações de trabalho, na estrutura e no funcionamento do Complexo Industrial de Cubatão e do Porto de Santos; e a crescente demanda do setor de serviços, principalmente turístico-balneário nas altas temporadas — atualmente, em direção ao Litoral Sul, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe.

O resultado dessas tendências no território da RMBS é mostrado em suas múltiplas contradições, nas diferentes abordagens temáticas. Segundo Marinez V. Brandão, a Baixada Santista acompanha a tendência mundial das metrópoles no processo de polarização social, de aumento da pobreza e de profundas mudanças na estrutura ocupacional; mostrando uma dualização cultural, econômica e política também manifestada nos espaços. “Há aqueles espaços ocupados pelos grupos formados por uma caracterização econômica e ocupacional no centro dos interesses econômicos; em outros, uma periferia desorganizada ocupando espaços sem infraestrutura adequada, com dificuldades de superar situações cotidianas básicas e que permitam avançar na superação da situação de pobreza em que se encontram”.

Faça o download do livro Baixada Santista: transformações na ordem urbana.

Última modificação em 17-12-2015 19:26:47

 

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