Metropolização e Comportamento Político

Metropolização e Comportamento Político

 

Estudos sobre Metropolização e Comportamento Político

O núcleo Rio de Janeiro do INCT Observatório das Metrópoles realizou o seminário “Metropolização e comportamento político”, na sede do IPPUR/UFRJ. O tema faz parte da linha de pesquisa nº III do instituto “Governança urbana, Cidadania e Gestão das Metrópoles”. O encontro teve como objetivo incorporar aos estudos sobre território e comportamento político no contexto brasileiro teorias e casos do contexto europeu e norte-americano. Casos como a oposição histórica rural-urbano e o fenômeno da periferização das metrópoles foram abordados.

O pesquisador do Observatório das Metrópoles Michaël Chetry, pós-doutorando pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ), apresentou um panorama da refleixão sobre a Metropolização e comportamento político” a partir da seguinte bibliografia :

• Hoffmann-Martinot V., J. Sellers (eds.), 2007, Politics and Metropolis. Uma comparação internacional, as Edições do CNRS.
• Oliver JE, 1999, “Os efeitos da segregação econômica metropolitana na participação cívica local”, American Journal of Political Science, Vol. 43, nº 1, pp. 186-212
• Oliver JE, 2000, “Tamanho da cidade e envolvimento cívico na América metropolitana”, The American Political Science Review, vol. 94, nº 2, pp. 361-373
• Nathan RP, Adams C., 1976, “Entendendo a dificuldade da cidade central”, Political Science Quarterly, Vol. 91, nº 1, pp. 47-6

Segundo Michaël Chetry, a bibliografia apresenta um panorama das relações entre território metropolitano e comportamento político na Europa e EUA, sobretudo a obra “Politique et metrópole – une comparaison internationale”, de Hoffmann-Martinot & Sellers. “Esses estudos têm com objetivo analisar o impacto da metroplização sobre o comportamento político dos cidadãos. O pressuposto das análises tradicionais sobre política e território é da oposição histórica rural-urbano, no entanto essa oposição já não abrange a realidade, visto o peso que ganharam as regiões metropolitanas”, afirma.

Para Hoffmann-Martinot & Sellers, as regiões metropolitanas se tornaram a principal forma dos estabelecimentos humanos nos países avançados e mais e mais nos países em desenvolvimento. Essa metropolização se traduz, sobretudo, por uma periferização em grande escala, provocando uma fragmentação geopolítica crescente na medida em que um número maior de pessoas opta por viver em municípios distantes do centro. Esse processo de metropolização é também acompanhado por uma polarização sócio-espacial entre as cidades centrais e seus subúrbios levando os habitantes de classe média cada vez mais para os subúrbios em desenvolvimento, deixando nos núcleos uma concentração de pessoas socialmente desfavorecidas. Se esse processo é particularmente visível no contexto das sociedades avançadas, a tendência se encontra também em vários outros países.

Seguindo os autores, a modificação na organização sócio-espacial das metrópoles, em particular naquelas onde a metropolização foi acompanhada de uma polarização, imprimiu mudanças nas estruturas de orientação política que tendem a opor núcleos centrais e periferias. Muitos elementos confirmam a difusão de uma divisão entre as cidades centrais orientadas à esquerda e subúrbios mais conservadores. Eles apontam como causa principal a diferenciação do nível socioeconômico dos subúrbios relativamente privilegiados e a concentração de pobres nas cidades centrais devido à migração das classes mais afastadas do centro para a periferia.

Outra abordagem da relação entre metropolização e política se interessa pela participação cívica e eleitoral dos residentes. Essa análise foi especialmente desenvolvida por Oliver (2000) nos seus estudos sobre a participação cívica nas metrópoles americanas.

Ao investigar o efeito do tamanho das metrópoles sobre a participação cívica dos residentes (Oliver, 2000), o autor chegou ao resultado de que quanto maior a cidade, menos propensos estão os seus cidadãos a participarem dos assuntos locais. Para ele, a explicação é que com o aumento do tamanho das cidades, de um lado, os moradores são menos propensos a conhecer seus vizinhos e a ter contato com aqueles que estão geograficamente mais próximos; por outro lado, o número de instituições intermediárias para facilitar a participação, tais como grupos de bairro e clubes cívicos diminuem.

Oliver (1999) levanta também a hipótese de que a segregação econômica entre as municipalidades metropolitanas apresenta influência significativa sobre a participação cívica. O autor observa que a participação cívica é menor em cidades com uma renda média alta e economicamente mais homogêneas. Esta relação surge a partir da relativa ausência das necessidades sociais em cidades ricas e a escassez de conflito nas mais economicamente homogêneas, fazendo diminuir o interesse do cidadão na política local e, consequentemente, a participação no caso local.

Dessa forma, a metropolização através da segregaçaão que produz tem efeitos sobre os comportamentos policos dos cidadãos. Sobretudo nos países avançados, em termos de comportamentos eleitorais, é possível observar uma divisão entre os núcleos centrais de esquerda e as periferias ao perfil mais conservador. Quanto à participação cívica, as periferias tendem a ter uma mobilização menor do que os núcleos centrais, sendo mais afastadas e mais homogêneas, o que implicaria menos conflitos sociais.

 

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