Programa INCT

Segundo parecer técnico do MCTI relativo à avaliação do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), o Observatório das Metrópoles é o mais bem sucedido da sua área de atuação, por envolver pesquisadores de 59 instituições distribuídas em todo o País.  Para o diretor da Coordenação de Apoio a Parcerias Institucionais (COAPI/MCTI), Alcebíades Francisco de Oliveira Junior, iniciativas como a do Observatório tem sido importantes pelo formato de rede multidisciplinar, produzindo conhecimento científico que serve de subsídio para a elaboração de políticas públicas destinadas às grandes cidades brasileiras.

O Ministério das Ciências, Tecnologia e Inovação (MCTI) enviou, neste mês de julho, o documento oficial de avaliação para os 126 institutos que fazer parte do Programa INCT. O parecer da Comissão de Avaliação do INCT afirma que o instituto sediado no IPPUR/UFRJ e formado por núcleos em 15 metrópoles brasileiras já mostrou seu potencial para a produção de conhecimento inovador em diferentes frentes, especialmente no desenvolvimento de metodologias e ferramentas para a pesquisa da questão metropolitana.

O coordenador nacional do Observatório das Metrópoles, Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, participou nesta semana, da 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Maranhão, evento que reuniu representantes dos principais órgãos vinculados à Ciência no Brasil. Segundo ele, as experiências apresentadas na SBPC mostraram o papel fundamental de pesquisas em rede, cuja capacidade é ampliar as fronteiras do conhecimento. “O Observatório tem sido reconhecido como experiência científica inovadora por realizar uma pesquisa de forma colaborativa e criativa, superando fronteiras inter e intra universitárias, disciplinares, das políticas setoriais e regionais. Temos que comemorar esse resultado”, afirma.

A seguir, o parecer técnico da Comissão de Avaliação do INCT sobre o trabalho que o Observatório das Metrópoles.

Parecer Comitê de Avaliação do Programa INCT:

Este é um dos institutos mais bem sucedidos da área, no que se refere a todas as dimensões contempladas pelo Programa INCT. Trata-se de uma rede consolidada que envolve pesquisadores de 59 instituições distribuídas em todo país, trabalhando com um referencial teórico comum e que é elaborado em conjunto por toda a rede. O Observatório das Metrópoles já mostrou seu potencial para a produção de conhecimento inovador em diferentes frentes, especialmente no desenvolvimento de metodologias e ferramentas para pesquisa da questão metropolitana. O instituto também se distingue pelo grau de conjunção das atividades teóricas e de interação com a sociedade. Um exemplo disso é o desenvolvimento e a difusão do Geo-metrópolis, que serve simultaneamente como ferramenta de pesquisa e também de monitoramento da realidade.

O instituto tem uma atividade relevante de formação de recursos humanos na área e de gestores na questão metropolitana, tanto para os órgãos públicos como para as ONGs. O instituto revela um formidável protagonismo nas esferas públicas, tem uma forte integração com parceiros internacionais, tanto no eixo sul-sul, como no norte-sul.

 

Novo modelo de fazer ciência no País

Considerado estratégico pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o programa que implantou os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) totaliza hoje 126 unidades, que atuam em diversas áreas como saúde, biotecnologia, nanotecnologia e energia, tendo movimentado recursos de R$ 610 milhões.

“É uma nova forma de fazer política, orientando de forma horizontal dentro do governo, e vertical com os parceiros, inclusive os estaduais, na capacidade de empreender, cada vez mais, a capacidade de ciência e inovação no Brasil”, assinalou o secretário executivo do MCTI, Luiz Antonio Elias, que preside o comitê de coordenação dos INCTs. Em reunião do grupo, em Brasília, no dia 11 de julho, o comitê discutiu métodos mais rigorosos para o acompanhamento dos trabalhos dos institutos. “O objetivo é saber quais institutos tiveram capacidade de empreender os objetivos elaborados no início do contrato para os cinco anos”, explicou Elias.

Embora ainda esteja em fase de avaliação, para o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, já é possível comemorar o sucesso da iniciativa, que propôs um novo modelo de fazer ciência, buscando a fronteira do conhecimento e transferência de tecnologia em benefício da sociedade. “Isso é feito de forma integrada, num formato de rede multidisciplinar, com complementariedade de áreas temáticas de grupos diferentes que se juntam num projeto, no qual o resultado é mais do que a soma de cada uma das partes”, analisou Oliva.

Resultados

Entre os resultados do programa, Oliva destacou a criação de uma rede de indústria de pequenos veículos aéreos não tripulados (chamados Vants) nas áreas de defesa e agricultura, esta última para avaliação do desenvolvimento de pragas nas plantações.

O presidente do CNPq acrescentou, ainda, a elaboração de um mapa de oportunidades para a inserção de comunidades étnicas no sistema educacional brasileiros, numa iniciativa da Secretaria de Políticas de Igualdade Racial da Presidência da República. “Temos vários casos de sucesso. Esses são dois exemplos, um na engenharia e outro na de ciências humanas; mas nós temos vários INCTs na área de saúde que desenvolveram vacinas que estão praticamente no mercado, como, por exemplo, a vacina da Leishmaniose”, comentou Oliva.

Na avaliação do secretário executivo do MCTI, o sucesso do programa é fruto de uma grande parceria, envolvendo fundações de amparo à pesquisa, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Petrobras, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério da Saúde, entidades que estavam representadas no comitê de avaliação.

Segundo Luiz Antonio Elias, os institutos “são instrumentos importantes dentro da agenda de ciência e tecnologia e representam um salto qualitativo em termos da capacidade de articulação em rede sobre temáticas relevantes e prioritárias para o avanço da ciência, assim como para o avanço da sociedade brasileira”.

Para o ano que vem, o comitê planeja a realização de um workshop, de maneira que os representantes apresentem os resultados alcançados até o momento. Em paralelo, uma comissão analisará as lacunas e brechas ainda existentes no País em relação às áreas ainda não cobertas pelo programa.

Cidades Sustentáveis

No contexto de grandes eventos como a Rio+20, o diretor da Coordenação de Apoio a Parcerias Institucionais (COAPI/MCTI), Alcebíades Francisco de Oliveira Junior, acredita que o MCTI ampliará o espaço dos laboratórios que desenvolvem pesquisas sobre temas relativos à cidade e ao meio ambiente. “A avaliação que faço como representante da COAPI é de que o Ministério dará mais espaço aos núcleos que pesquisam temas transversais à sustentabilidade, clima e desenvolvimento das cidades. É uma área que deve crescer, receber mais atenção especialmente por ser importante para o desenvolvimento do País”, explica.

Com Ascom do MCTI