Com o objetivo de consolidar e propor uma agenda de pesquisa para a investigação das trajetórias regionais de desenvolvimento no Brasil contemporâneo, Alexandre Abdal, professor da Fundação Getúlio Vargas e pesquisador do Cebrap e do Observatório das Metrópoles Núcleo São Paulo, desenvolveu o artigo “Trajetórias regionais de desenvolvimento no brasil contemporâneo: uma agenda de pesquisa”.

Publicado na Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais (RBEUR), o texto observa os novos espaços produtivos, sobretudo, fora dos eixos mais tradicionais de localização da atividade econômica no Brasil (Sudeste e Sul), e analisa os seus determinantes econômicos e não econômicos, bem como as suas consequências em termos sociais, políticos e demográficos e as suas interações com políticas públicas municipais, estaduais e/ou federais.

Novos espaços produtivos. Brasil, PIB-M: 1999-2009. Fonte: Abdal, 2015.

A pesquisa, que tem por base a tese de doutorado do autor sobre os processos e as dinâmicas regionais de localização da atividade econômica brasileira no início dos anos 2000, volta-se para “a investigação aprofundada e mais qualitativa das dinâmicas atuais de desenvolvimento regionais, seja de espaços interpretados como áreas de expansão, seja do transbordamento do polígono ou de espaços extrapolígono do Centro-Oeste, Norte e Nordeste e diretamente encadeados com os mercados externos”, afirma Abdal.

Nas considerações finais, o autor propõe algumas hipóteses relativas às trajetórias regionais de desenvolvimento das regiões de interesse:

  1. Processos regionais de desenvolvimento mantêm efeito agregado fragmentador do território nacional;
  2. A desconcentração produtiva é espúria e depende mais de setores não industriais, como agropecuária de exportação e extrativismo mineral diretamente ligados a dinâmicas do mercado externo, e de setores industriais intensivos em recursos naturais ou trabalho e dependentes de preço e guerra fiscal;
  3. O relativamente baixo enraizamento da atividade nessas regiões, em grande parte dependente de práticas de guerra fiscal, conforma padrões mais próximos das plataformas satélites e/ou dos distritos centro-radiais;
  4. O relativamente alto enraizamento da agropecuária de exportação, sobretudo no Centro-Oeste e no Norte, mas com padrões distributivos, sociais e ambientais duvidosos;
  5. A baixa influência da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) e de outras políticas públicas com perspectiva regional no desenvolvimento dessas regiões e/ou na geração de padrões minimamente integrados de desenvolvimento; e
  6. A pouca apropriação local e/ou regional da riqueza gerada em contextos de ausência e/ou de ineficácia de iniciativas estaduais e municipais.

A seguir, confira o resumo do artigo:

O presente trabalho tem por objetivo consolidar e propor uma agenda de pesquisa para a investigação das trajetórias regionais de desenvolvimento no Brasil contemporâneo. Enraizada nos desdobramentos de minha trajetória de pesquisa, o doutorado, especialmente, a agenda proposta visa observar os novos espaços produtivos, sobretudo, fora dos eixos mais tradicionais de localização da atividade econômica no Brasil – ou seja, Sudeste e Sul. A investigação dessas trajetórias perpassa a análise dos seus determinantes econômicos e não econômicos, bem como as suas consequências em termos sociais, políticos e demográficos e as suas interações com políticas públicas municipais, estaduais e/ou federais. As estratégias de investigação serão tanto mais profícuas quanto mais forem capazes de combinar métodos quantitativos e qualitativos, ou seja, a manipulação de bases de dados secundárias e públicas com a pesquisa participante e entrevistas semiestruturadas.

Palavras-chave: desenvolvimento regional; trajetórias regionais de desenvolvimento; desigualdade regional; desconcentração da produção; políticas regionais.

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