Entre os dias 18 e 22 de outubro de 2021 ocorrerá, de forma virtual, o 3º Encontro Internacional História & Parcerias, promovido pela Associação Nacional de História – Seção Rio de Janeiro (Anpuh-Rio).

A proposta interdisciplinar do evento pretende englobar profissionais de diferentes áreas do conhecimento, cujas pesquisas se debrucem ou tangenciem o conhecimento histórico. Como máxima dos eventos promovidos pela Anpuh-Rio, valoriza-se a participação de pesquisadores(as) em formação – graduandos e pós-graduandos – que terão espaço privilegiado de debate junto a outros profissionais de instituições de pesquisa do Brasil e exterior.

Além de conferência e mesa de debates, o evento contará também com Simpósios Temáticos (STs), onde é possível submeter propostas para a apresentação de trabalhos. As inscrições para os STs estão abertas até o dia 27 de julho, através do site do evento.

Divulgamos o ST 14, intitulado “Da urbanidade, do humano e da democracia: o que podem nos contar nossas cidades?“, coordenado por Fernando Pinho (Prefeitura de Belém), Robert Pechman (IPPUR/UFRJ) e Stephanie Assaf (IPPUR/UFRJ). O objetivo do ST é congregar pesquisas e pesquisadores(as) que têm as cidades e os modos de vida urbanos, naquilo que têm a ver com a urbanidade, o humano e a democracia, em especial, como elementos de reflexão numa perspectiva interdisciplinar.

A seguir, confira o resumo do ST 14:

Sobre o que nomeamos como “cidade” muito pode ser dito. É possível falar sobre a dureza de suas pedras, das relações de produção que as animam, das vidas que pulsam nas ruas e da produção de relações, ou, nos termos de Hannah Arendt, da sua “condição humana”. Este simpósio tem por objetivo reunir trabalhos que contemplem principalmente o substrato humano das cidades: os desdobramentos dos seus afetos, práticas sociais, culturas, convivências, enfim, aquilo que gravita nas tensões entre a racionalidade geométrica e o emaranhado de existências humanas em sua articulação com linguagens, dizeres e imagens.

As cidades são o lugar fundante da condição política de qualquer sociedade, condição essa proveniente da pólis grega, constantemente ressignificada através dos tempos. É por isso que podemos considerar as cidades como parteiras da democracia. E não só as parteiras, como também são o solo do qual as possibilidades de democracia emergem. Sem a democracia, a cidade fracassa. Sobre isso, podemos nos perguntar: o que estamos construindo e vivendo quando perdemos de vista a democracia e as possibilidades da política, da vida compartilhada, nas cidades? O que podemos dizer sobre os contínuos flertes entre o autoritarismo e a cidade? O que podemos dizer sobre a esperança e a pertinências da utopia urbana?

Frente à gravidade dos tempos atuais, serão muito bem-vindas reflexões que tematizem a democracia, a política e as possibilidades (ou as impossibilidades) da vida pública nas cidades. Como nos sugere Jacques Rancière, em “O desentendimento”, é pela posse da palavra (para além de mera emissão sonora) que se pode tratar da participação na vida pública. Portanto, a política pressupõe tanto o conflito quanto a cooperação, posto que diferentes sujeitos, ocupando distintas posições sociais, disputam e negociam sua participação na vida pública.

Por fim, ainda sob o ritmo das indagações, lembremo-nos de Marco Polo, personagem de Italo Calvino, em “Cidades invisíveis”. Em resposta ao imperador Kublai Khan, Marco Polo assevera que em uma cidade, mais do que suas maravilhas, importam mais as respostas que essa dá para nossas perguntas. Pensemos, portanto, sobre as possíveis respostas que as cidades, em sua história, podem nos oferecer. Pensemos ainda sobre as inúmeras possibilidades de emergência de novas perguntas. O que nos conta a cidade em suas falas? O que podemos escutar nas falas da cidade?

Saiba mais e inscreva-se em www.historiaeparcerias.rj.anpuh.org