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Maior fórum democrático de debate sobre o futuro das cidades brasileiras, a 6ª Conferência Nacional das Cidades (6ª CNC) ocorre até amanhã, 27, em Brasília (DF). O encontro teve início na última terça-feira, 24, e pretende garantir a gestão da política urbana nacional, promovendo a mobilização, sensibilização e interlocução entre poder público e a sociedade civil a respeito da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU). A 6ª CNC deve consolidar propostas voltadas ao enfrentamento dos principais desafios urbanos do país, reunindo representantes do poder público, sociedade civil, movimentos populares, entidades profissionais, trabalhadores e setor empresarial. A cerimônia de abertura contou com a presença do ministro das Cidades, Jader Filho, entre outras autoridades, e mais de dois mil delegados, delegadas, conselheiros e conselheiras.

O evento marca a retomada do principal espaço de participação social após mais de uma década. “Além dos temas históricos, como habitação, saneamento, regularização fundiária e mobilidade urbana, a conferência incorpora novos desafios transversais, como sustentabilidade ambiental e mudanças climáticas, transformações digitais e segurança pública nos territórios populares. Hoje, esses temas são inescapáveis, então temos tudo para ter uma PNDU que assume desafios para a construção de cidades inclusivas, justas, ambientalmente sustentáveis e democráticas”, salientou o coordenador nacional do novo projeto INCT Observatório das Metrópoles, Orlando Santos Junior.

Foto: Governo Federal.

Por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado com o Ministério das Cidades, o Observatório está responsável por apoiar a sistematização, organização e avaliação da conferência, tanto nas etapas estaduais quanto na etapa nacional. Por este motivo, a delegação presente no evento tem ampla participação de integrantes da rede de pesquisa. Representando a Coordenação Nacional, Santos Junior (que também é delegado), junta-se ao coordenador do Núcleo Brasília, Thiago Trindade, e às pesquisadoras do Núcleo Rio de Janeiro, Taísa Sanches e Maria Tereza Aguiar.

“Estruturamos uma rede nacional que cobriu os 26 estados e o Distrito Federal, acompanhando as conferências estaduais e das capitais”, destacou. Sobre a atuação nas etapas estaduais, ele ressaltou o papel de subsidiar a organização, sugerindo metodologias, contribuindo com a dinâmica de funcionamento e indicando nomes. Em relação à etapa nacional, Santos Junior enfatizou a responsabilidade técnica do Observatório. “Na etapa nacional, nosso trabalho foi mais detalhado. Construímos a proposta de sistematização das conferências municipais e daquelas aprovadas nos estados. Também produzimos o caderno de propostas da conferência e elaboramos o guia de orientação dos grupos de trabalho, além de fazermos a relatoria, sistematizando os textos que irão ao plenário”, explicou.

Ele também destacou o protagonismo acadêmico na delegação. “O segmento acadêmico teve participação muito ativa dos pesquisadores do Observatório, muitos eleitos delegados e delegadas. Isso fortalece o campo da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR) e a representação do Observatório na conferência”, sublinhou. De acordo com o coordenador, a conferência retoma o debate da política nacional de desenvolvimento urbano, interrompido no período Temer-Bolsonaro, e recoloca em pauta a construção do Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano (SNDU).

“Trata-se de um passo fundamental para institucionalizar essa política com um arranjo interfederativo que articule União, estados e municípios. As propostas aprovadas nas conferências estaduais refletem debates muito qualificados. Essa é a terceira maior conferência das cidades nesse processo de retomada, o que dá legitimidade para a efetivação das propostas”, pontuou Santos Junior. O cronograma decisivo da conferência ocorrerá na plenária de quinta-feira à noite, e no último dia ocorre a eleição do Conselho. “As propostas serão aprovadas e, depois da conferência, poderemos avaliar os resultados finais da plenária e da eleição”, finalizou.

Programação e salas temáticas

O primeiro dia do evento contou com uma mesa de instalação, envolvendo abertura com bandeiras, composição com autoridades, segmentos e movimentos, além da apresentação e aprovação do Regulamento. Também foi realizada uma mesa memória das conferências, com exibição de vídeo institucional e homenagens a figuras históricas do movimento urbano. No segundo dia da conferência, ocorreram atividades de debates e trabalhos técnicos nas oito salas temáticas.

Os temas destas salas foram “Objetivo, Diretrizes, Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano e Controle Social – PNDU e SNDU: desafios programáticos e federativos do Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano”; “Habitação – Produção e melhoria habitacional. Acesso à moradia pela produção e melhoria habitacional rural e urbana”; “Regularização Fundiária e Urbanização Integrada de Favelas e Periferias e Segurança da posse da terra”; “Saneamento: Políticas e ações para o saneamento ambiental urbano e rural”; “Mobilidade Urbana: Planejamento e políticas de mobilidade”; “Cooperação Interfederativa, Regiões Metropolitanas e Financiamento da Política Urbana”; “Sustentabilidade e Clima: Sustentabilidade ambiental e emergências climáticas” e “Transformações digitais, acessibilidade tecnológica e Segurança Cidadã e Enfrentamento ao controle armado em territórios populares”.

Hoje, dia 26, haverá a Marcha das Cidades e reunião dos segmentos, seguida de atividades livres autogestionadas. No período da tarde, será realizada uma plenária com debate do texto da PNDU consolidado das salas temáticas e finalização do texto da PNDU. Amanhã, último dia da conferência, ocorrerá a reunião dos segmentos com definição de entidades da nova gestão do ConCidades, além da Plenária Final e o encerramento com votação de Moções e homologação das entidades.

Delegação do INCT Observatório das Metrópoles:

  1. Alexsandro Ferreira Cardoso da Silva – delegado indicado pela COE do Rio Grande do Norte;
  2. Elson Manoel Pereira – delegado de Santa Catarina (entidades profissionais, academia e pesquisa);
  3. Lívia Miranda – delegada da Paraíba (entidades profissionais, academia e pesquisa);
  4. Caroline Gonçalves dos Santos – delegada de Alagoas (entidades profissionais, academia e pesquisa);
  5. Flávia Costa de Assis – delegada indicada pela Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas/Natal;
  6. Vanessa Marx – delegada do Rio Grande do Sul (entidades profissionais, de pesquisa e academia);
  7. Débora de Barros Cavalcanti Fonseca – delegada de Alagoas (poder público);
  8. Marília Gabriela Bello Garcia – delegada de São Paulo;
  9. Danielle de Melo Rocha – delegada de Pernambuco (entidades profissionais, academia e pesquisa);
  10. Doriane Azevedo – delegada do Mato Grosso (indicada pela Comissão Organizadora Estadual de MT);
  11. Maria Ester de Souza – delegada de Goiânia, representando a ONG ARCA;
  12. Carlos Wesley Freire da Silva – delegado do Ceará (entidades profissionais, academia e pesquisa);
  13. Claudia Helena Campos Nascimento – delegada de Roraima (entidades profissionais, academia e pesquisa).

Parte da delegação do INCT Observatório das Metrópoles.

Equipe de relatoria:

  1. Lara Caldas Fernandes da Silveira
  2. Gustavo Henrique Serafim França
  3. Anie Caroline Afonso Figueira
  4. Marcela Antonieta Souza da Silva
  5. Camila Ferreira Albertoni
  6. Arthur Wallerón da Silva Santos Oliveira
  7. Natasha Silva Sousa
  8. Victor Hugo Cardenas Ruiz
  9. Luana Lacerda de Gusmão
  10. Rahab Seixas Nascimento
  11. Maria Eduarda Moura do Nascimento
  12. Akemi Karine Camargo Nagashima
  13. Cosme do Nascimento Rodrigues
  14. Pablo Magno Hernandez Gomes de Moraes
  15. Anthony Kenneth Marques Martins

*Com informações da Assessoria Especial de Comunicação Social do Ministério das Cidades.