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A Plural, revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo, convida pesquisadores(as), brasileiros(as) e estrangeiros(as), a submeterem artigos, até 10 de abril de 2021, para serem publicados no dossiê “Marxismo, Feminismo e a Teoria social”. Com organização de Bruna Della Torre (USP) e Giovanna Marcelino (USP), o dossiê tem previsão de publicação no segundo semestre de 2021.

Confira a apresentação:

Nos últimos anos, o movimento feminista tem demonstrado uma enorme potência de renovação no âmbito político. O movimento de mulheres, em aliança com o movimento LGBTQI+, os movimentos antirracistas e os movimentos socialistas, tem sido uma das principais forças de bloqueio da extrema-direita contemporânea. Mas como isso tem se configurado no âmbito teórico, especialmente, na sociologia inspirada pelos trabalhos de Marx e Engels? A pergunta que guia esse dossiê é, portanto, a seguinte: como o feminismo pode renovar o marxismo enquanto teoria da sociedade?

Diversas autoras têm trilhado esse movimento de ampliação e atualização da teoria social marxista através das lentes feministas. Partindo dos escritos de Marx sobre a reprodução da força de trabalho, Lise Vogel, Tithi Bhattacharya, Cinzia Arruzza, Susan Ferguson, apresentam uma teoria unitária para explicar como o movimento do capital, como forma a partir da qual a sociedade capitalista se produz e se reproduz, se concretiza articulando gênero, raça e classe, bem como trabalho produtivo e reprodutivo. Feministas italianas como Silvia Federici e Maria Rosa Della Costa desafiam a teoria marxiana da acumulação primitiva, mostrando como a despossessão de corpos femininos também fez parte desse processo, repensando a relação entre capitalismo e patriarcado e o lugar do trabalho doméstico e não remunerado no esquema marxiano. Juliet Mitchell reconcilia feminismo, marxismo e psicanálise, a partir de uma leitura original de Freud, Lacan, Engels e Beauvoir, adensando a análise das dimensões da opressão feminina e sua relação com o processo social. Angela Davis e Lélia Gonzalez oferecem uma inegável contribuição para a crítica ao capitalismo a partir da ótica do feminismo negro. Partindo das considerações de Rosa Luxemburgo, Maria Mies propõe uma nova crítica da globalização, contribuindo para a construção de uma epistemologia e metodologia ecofeminista. Nancy Fraser, Judith Butler e Roswitha Scholz refletiram, cada uma a sua maneira, sobre a questão de gênero no âmbito da teoria crítica. Calcada na análise da obra de Marx, Heleieth Saffioti também expande a compreensão sobre a condição feminina abarcando a realidade do capitalismo periférico. Esses são apenas alguns exemplos da renovação da teoria social marxista pela via do feminismo, um projeto ainda em construção e que apresenta um grande potencial para gerar novas intepretações sobre a sociedade.

O dossiê “Marxismo, feminismo e a teoria social” tem como objetivo reunir análises de como o feminismo renovou ou pode renovar as múltiplas vertentes e tradições da teoria social marxista, do trotskismo à teoria crítica, da escola Althusseriana à tradição inglesa da New Left, do leninismo ao marxismo brasileiro, entre outros. Serão aceitos trabalhos teóricos que relacionem os temas do feminismo às análises clássicas do marxismo. Aceitamos também traduções de trabalhos contemporâneos que tratem dessas questões, resenhas e entrevistas.

Os manuscritos devem ser todos submetidos pela plataforma: revistas.usp.br/plural. As instruções gerais, normas e outras diretrizes relevantes podem ser conferidas no endereço  www.revistas.usp.br/plural/about/submissions. O material recebido será submetido à avaliação externa – processo de double-peer-blind-review. Para maiores informações: plural@usp.br.