Censo 2010: Paraná mais urbano e mais idoso

Os dados divulgados até o momento pelo Censo 2010 mostram que o estado do Paraná, acompanhando tendências nacionais, tornou-se mais urbano, mais metropolitano, mais feminino e mais idoso é o que constata a análise realizada por pesquisadores do Observatório das Metrópoles, dos núcleos de Curitiba e Maringá e do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social – IPARDES. Aponta-se, ainda, que esse comportamento se particulariza entre as mesorregiões, como também entre as RMs, seus núcleos e municípios periféricos.

Taxas de Crescimento

Considerando o comportamento 1991-00 e 2000-10, houve redução das taxas de crescimento da população nos municípios paranaenses e do incremento absoluto (seja positivo seja negativo). Tal queda do crescimento da população decorre, principalmente, do declínio da taxa de fecundidade, o que representa uma tendência demográfica não só do país, mas de todo o Ocidente.

Independentemente do decréscimo, as áreas de concentração se mantiveram localizadas nas mesmas espacialidades. As três aglomerações principais – a metropolitana de Curitiba, as aglomerações de Londrina e de Maringá, e as aglomerações do Oeste, particularmente Cascavel/Toledo – seguem incorporando elevado incremento populacional e, ainda que sobre bases elevadas, as taxas médias de crescimento da população superam a do Estado.

Regiões Metropolitanas

A RM de Curitiba, fundamentalmente os municípios do entorno imediato ao núcleo metropolitano, consolida-se como a espacialidade mais concentradora de população no Paraná, e na qual há um conjunto significativo de municípios que crescem mais que o dobro da média do Estado.  Demonstram que a área dinâmica da aglomeração se estende para além dos limites imediatos ao núcleo, expandindo para áreas mais distantes dentro dos limites da RM.

O conjunto de municípios da RM de Londrina cresce a taxas inferiores ou próximas à média do Estado, no ritmo menos intenso entre as três RMs. A de Maringá, embora tenha um entorno que se adensa e que se mantém com crescimento acima da média do Estado, ainda tem no núcleo o principal foco de crescimento, com taxa maior que o dobro da média do Paraná. Tal comportamento espelha pouco o padrão das RMs brasileiras, no qual o crescimento das periferias metropolitanas supera o dos respectivos núcleos. No Oeste, as aglomerações consolidam-se como novas áreas de concentração, seja a aglomeração Cascavel/Toledo, em que este município experimenta elevadas taxas de crescimento da população, seja a aglomeração de Foz do Iguaçu, na qual, mesmo que o núcleo tenha taxa negativa de crescimento, os municípios periféricos crescem expressivamente. Agrega-se neste caso que não foi considerada a dinâmica de crescimento dos municípios argentinos e paraguaios que integram esta aglomeração internacional.

Urbanização

De modo geral houve uma elevação no grau de urbanização dos municípios. Particularmente nas áreas mais urbanizadas, a desatualização dos perímetros urbanos aponta algumas situações equivocadas de elevado crescimento da população rural e até redução do grau de urbanização – situações que manifestam uma ocupação recente e veloz, sem o ajuste das leis de perímetro, e que são facilmente comprováveis como de perfil urbano. Esse fato é registrado em municípios da RM de Curitiba, de Londrina e no próprio núcleo Maringá. É necessário salientar que o histórico adensamento demográfico nas periferias metropolitanas representa um fenômeno vinculado ao valor da terra e da moradia e que induz significativo processo de segregação residencial, levando a essa periferização da ocupação urbana sobre áreas rurais.

As mesorregiões mais urbanizadas têm as bases piramidais mais reduzidas e as cúspides alargadas, ou seja, decresce relativamente a população dos grupos etários mais jovens e amplia a dos grupos mais idosos.

No caso da RM de Curitiba – principal foco receptor de migrantes desde os anos 1970 –, ao que tudo indica os fluxos migratórios trouxeram elevados contingentes de população jovem, que aqui constituiu família, e que vieram a se localizar, em grande parte, nos municípios periféricos ao núcleo. Tem-se, em 2010, um comportamento na pirâmide etária do município Curitiba bastante peculiar ao de regiões muito urbanizadas, enquanto o dos municípios periféricos ainda mantém o padrão de bases relativamente mais largas, com expressiva presença de grupos infanto-juvenis muito similar ao dos demais municípios do Paraná, não inseridos em RMs.

Aumento do número de mulheres

Da mesma forma, essas porções do território tornam-se cada vez mais femininas. Entre as RMs, a de Maringá e a de Londrina se destacam com essas características. A análise do núcleo, independentemente dos demais municípios das RMs, sugere que são eles que condicionam tal comportamento, posto que as periferias refletem padrões mais próximos ao comportamento dos demais municípios do Estado, situados em regiões menos urbanizadas. Tal fato deve-se a uma série de fatores, entre os quais a heterogeneidade dos grupos sociais e do perfil dos municípios das RMs.

Composição da População

No caso do Paraná, as unidades institucionalizadas são compostas por um grande número de municípios periféricos com características e base produtiva essencialmente agropecuária, com níveis baixo ou muito baixo de integração à dinâmica principal da aglomeração (RIBEIRO, 2009) – mais urbana, mais terciária, com maior presença de indústrias. Deve-se também ao padrão migratório experimentado por essas unidades.

Não é exagero lembrar dos vínculos existentes entre o adensamento demográfico e as dinâmicas engendradas pelas políticas econômicas que, na atração de investimentos, provocam movimentos populacionais. Os efeitos concentradores e suas mazelas poderiam ser minimizados por políticas públicas regionais voltadas a incentivar a permanência da população nos pequenos municípios – sejam projetos de geração de emprego e renda, sejam transferências governamentais. Essa ordem de políticas não se restringe ao âmbito municipal, mas requer a ação articulada do Estado e da sociedade num esforço contínuo de planejamento e gestão regional que rompa a lógica perversa que caracteriza o desenvolvimento regional, desigual e socialmente injusto. No âmbito intraurbano, o modelo de ocupação adotado, especialmente nas áreas metropolitanas, induz à periferização da pobreza e ao abandono de grandes contingentes de população em territórios com baixa qualidade de vida urbana. É necessária, pois, a reversão desse modelo e da perversa lógica que desde sempre definiu o desenvolvimento urbano brasileiro, de forma a assegurar o direito à cidade para todos.

Nessa direção, enfatiza-se a importância das bases de dados censitários de 2010 como reveladores do retrato atual do Paraná no que tange à evolução da estrutura e da composição da população, como também à sua dinâmica no território, a partir das construções históricas que possibilitam. Esse retrato é fundamental para orientar a elaboração de uma agenda de pesquisas que contribua para identificar e explicar os padrões e as tendências demográficas verificadas, associando-as a propostas de formulação de políticas públicas condizentes com as especificidades de cada grupo populacional e de sua incidência no território.

BAIXE O RELATÓRIO COMPLETO DA ANÁLISE REALIZADA PARA O ESTADO DO PARANÁ

 

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