Bastou uma semana para o Espírito Santo cair do céu direto no inferno. De exemplo quase isolado de ente federativo com as contas públicas em dia, o Estado ganhou manchetes internacionais e chocou o país depois da paralisação da Polícia Militar em todo o seu território. Esse caos, com mais de 130 assassinatos, roubos e população presa dentro de casa, disparou um alerta nacional: o risco de o perfil do movimento que ocorre no Espírito Santo se espalhar pelo país.

Na última semana, o professor Pablo Lira, do curso de mestrado de Segurança Pública da UVV e pesquisador da Rede INCT Observatório das Metrópoles, colaborou com a imprensa para analisar a situação da paralisação da Polícia Militar do Espírito Santo, como também refletir sobre os rumos da política de segurança no país.

“Um dos maiores problemas é a falta de uma Política Nacional de Segurança Pública. Já passou da hora de o Brasil abrir os olhos. O que temos visto é que os governantes em Brasília, em vez de se preocuparem em somar esforços junto aos Estados, estão concentrados em fazer o loteamento político do ministério da Justiça e da Segurança Pública para se protegerem da Operação Lava Jato”, apontou Pablo.

“A sociedade é quem paga o preço”

Por Pablo Lira

O Espírito Santo investiu muito em Segurança desde 2003. Não é uma crise estrutural. É uma crise conjuntural com fatores externos influenciando seus desdobramentos e tensionamento. São a crise econômica nacional, que repercute na gestão dessa crise conjuntural, e a falta de liderança do governo federal. Até a década de 1990, valia que a Segurança era problema exclusivo dos Estados e da Polícia Militar, e a gente está há décadas nesse vazio de uma Política Nacional na área. Na crise prisional no Norte e Nordeste, não vimos o governo central se mobilizando. A Constituição diz que a Segurança é dever do Estado como um todo. Outro ponto é a falta de continuidade dos programas nacionais e das políticas públicas, como o Pronasci e Territórios da Paz, que mobilizaram a população. Amanhã ou depois esse caos do Espírito Santo vai se repetir em outros Estados, o governo federal não será protagonista na solução e toda a sociedade pagará o preço.

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Última modificação em 16-02-2017 15:19:41